Troquei o Olaria pelo Veneza por culpa do técnico
Raimundo Nonato Barbosa de Oliveira (Mundinho), ex-jogador de futebol, defendeu grandes clubes amadores do futebol juazeirense, mas, definitivamente, tem seu nome ligado à equipe do Olaria que conquistou o tetracampeonato juazeirense nos anos 70. Aposentado como jogador continua exercendo sua arte em outra área, a musical, como o parceiro de Neto na consagrada dupla Neto & Mundinho.
O começo
Mundinho surgiu no cenário futebolístico nos tradicionais babas ao longo das ruas 7 de Sete de Setembro, Floriano Peixoto, Quintino Bocaiuva e Santos Dumont em Juazeiro.
Estudante do colégio Edson Ribeiro, onde fazia parte de uma turma “unida, amiga e muito legal” nas suas palavras, reuniam-se, após as aulas, na frente do Estádio às quatro da tarde para bater bola. E foi lá que recebeu o convite para jogar na equipe do Juventus de Geraldão. Mundinho relata:
- Foi em 1973 que tive a oportunidade de jogar pela primeira vez no Estádio Adauto Moraes no segundo quadro do Juventus. Na metade do campeonato, a convite de Ezequiel Bonfim, o “Zica”, fui jogar no segundo quadro do Olaria que tinha como técnico o Raimundo Amarildo. Eu era Olaria doente, para mim foi uma felicidade. Joguei pouco tempo no segundo quadro e, logo, fui para o time principal.
Desafio da concorrência
Ao aceitar o convite para jogar no Olaria, Mundinho confessa o medo de enfrentar o grande desafio de disputar posição num grande time com jogadores de alto nível técnico:
- Fui receoso já que o time tinha seis zagueiros. Enfrentei a barra e conquistei a posição de titular em pouco tempo. Eu era muito dedicado, o presidente era Valter Aécio pessoa que estimo muito. Tenho muito respeito por ele, era muito competente e tratava seus atletas como filhos.
Mundinho não esquece os amigos que fez no futebol, principalmente no Olaria:
- Tive alguns amigos que tinha muita admiração na época como Mosquitinho, Zica, Antônio dos Cocos, Nêga Tota, Etinho, Zanata, Celso Maravilha, Binha, Dino, Valdeci, Jair Cara de Pinha, Didi e muitos outros.
Os títulos conquistados no Olaria
Mundinho fez parte do grupo do Olaria que conquistou o tetra campeão de 1976 a 1979 e o título de Campeão do Centenário em 1978. Nesse mesmo período defendeu a Seleção Juazeirense no Campeonato Intermunicipal.
Carranca geladeira
Um fato marcante aconteceu em 1979. Aloisio Viana (Lulu) era dirigente do Veneza e foi para o Carranca neste mesmo ano. Ao final do campeonato, Carranca e Olaria iriam decidir o título e Lulu, para provocar o Olaria, mandou confeccionar antecipadamente as faixas de campeão: “Carranca, campeão de 1979”.
- Roubamos a cena e quem foi campeão foi o Olaria num dia chuvoso, estádio lotado. Não teve jeito, foi aí que surgiu a gozação da torcida do Olaria que botou o nome do Carranca de “geladeira”.
A morte de Maninho Buldogue
Uma lembrança triste para Mundinho também está associada a esta decisão. A morte do folclórico massagista Maninho Buldogue. Ele fala com tristeza:
- Ficou marcado este jogo em minha vida também pelo fato do falecimento de meu tio, o massagista famoso pelo seu bom humor e peraltices o saudoso “Maninho Buldogue”. Ele era do Veneza e eu do Olaria. Ele faleceu na semana do jogo, então se criou uma expectativa muito grande em torno do meu nome se eu jogaria a partida ou não. Pedi aos meus pais e minha avó para jogar. Fui ao jogo, superei, colaborei com meu time e fomos campeões. Lembro que no time tinha jogadores de muita performance dentro de campo como Raposa, Claudinho, Timba, Mário Casca etc. Nós jogávamos com garra, com o coração no bico da chuteira.
Joãozinho da Massaroca, fôlego de gato
- Um fato marcante que me recordo é que, num belo dia de treino, o meu amigo Joãozinho da Massaroca, homem de muito preparo físico e um fôlego de gato, chegou embriagado e não acreditávamos que fosse treinar. Então surpreendentemente ele deu 30 voltas no estádio, coisa de louco, enquanto nós só conseguimos concluir dez voltas. Dia de jogo arrebentava, chegava junto.
Conflito com Jaime Pirrucha
O momento de muita tristeza foi quando o técnico na época o Jaime Pirrucha me sacou do time sem nenhum motivo. Eu estava preparado, muito bem, não me conformei e por isso, pedi para sair do time. Uma pena queria continuar no Olaria, queria jogar futebol, então fui para o rival Veneza (80, não tive títulos) e em outros times.
Melhor jogador
- Para mim o melhor jogador que jogou comigo foi o Mosquitinho (recentemente falecido), grande craque e meu amigo particular. Deixou saudades, era malicioso, inteligente, bom menino, era fora de série.
Contato com a bola
- Até hoje curto meus babas no Campo do Madrugada das cinco às sete da manhã, de segunda a sexta-feira, organizado pelo Zé Três.
Agradecimentos
- O futebol me proporcionou alegrias, amizades e grande conhecimento. Credito isto ao futebol. Hoje sou músico, mas, acima de tudo, amo o futebol, é minha paixão. Quero comentar que sempre às segundas-feiras era folga dos jogadores, dia de resenhas e o dia de beber uma “cervejinha” com amigos. Tudo era muito bom, hoje só saudades.
Agência CH – Texto e fotos Pinguim