RADIO WEB JUAZEIRO : PEDREIRO LARGA A OBRA PARA AJUDAR VIZINHA EM TRABALHO DE PARTO

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

PEDREIRO LARGA A OBRA PARA AJUDAR VIZINHA EM TRABALHO DE PARTO

Claudionor ajudou a vizinha Rayná a dar à luz em Mogi das Cruzes. 
Mãe e bebê estão bem e devem receber alta médica nesta quinta-feira (16).

Jamile Santana

Rayná Alves Alcantara foi socorrida por vizinhos e pelo Samu, no quintal de casa em Mogi das Cruzes (Foto: Claudionor Nogueira/ Arquivo Pessoal)

Era mais um dia de trabalho para o pedreiro Claudionor Nogueira da Silva, que fazia as caixas da laje de uma casa em construção em frente ao local onde mora, em Jundiapeba, distrito de Mogi das Cruzes. A concentração no trabalho braçal foi tirada por um grito de socorro que vinha da vizinha, na casa a frente: Rayná Alcântara, de 21 anos, grávida de 9 meses, sentia constrações e pedia ajuda. Em meio ao concreto e as treliças, o pedreiro não pensou duas vezes. Desceu do telhado o mais rápido que pode e atravessou a rua. Ao abrir o portão da casa já encontrou a vizinha Rayná no chão, já em trabalho de parto. Mãe e bebê foram levados para a Santa Casa e devem receber alta nesta quinta-feira (16).
Equipes do Corpo de Bombeiros e Samu fizeram
atendimento em Mogi das Cruzes
(Foto: Claudionor Nogueira/ Arquivo Pessoal)

"Na minha cabeça, eu ia levá-la para o hospital. Mas lembrei que meu carro estava sem gasolina, então já pedi pra um vizinho preparar um carro. Quando fui socorrê-la, ela já estava deitada no chão do quintal, e a cabeça da criança já estava aparecendo. Não deu tempo nem de pensar. Segurei a cabeça do bebê e pedi pra ela fazer força", contou o pedreiro.

O nascimento foi na segunda-feira pela manhã, mas a emoção e o choque só deixaram Claudionor falar sobre o assunto alguns dias depois. "Na hora eu não senti medo, nojo, nada. Eu tenho quatro filhos e lembro de querer assistir o parto deles, mas acabei não indo porque tinha medo de passar mal e desmaiar. Me surpreendi, porque foi instinto mesmo. Desde o nascimento eu estou muito emocionado, nem consegui dormir", contou.

O bebê, William Brian, nasceu com 3,3 kg, de parto normal no quintal de casa. "Desde a hora que eu cheguei, até ele sair inteiro, foram uns quatro minutos. Ai ele não chorava. Eu lembrei dos filmes e novela em que os médicos batem na bundinha do bebê e fiz isso. Dai ele chorou e parou de ficar roxinho", detalhou.
Claudionor Nogueira largou o trabalho na laje de
uma construção para fazer o parto da vizinha em
Mogi das Cruzes
(Foto: Claudionor Nogueira/ Arquivo Pessoal)

O pedreiro sentou ao lado da mãe, aquecendo o bebê, que ainda estava ligado ao cordão umbilical. "Os outros vizinhos chamaram o Corpo de Bombeiros e Samu e ficamos ali sentados esperando até eles chegarem. Foi uma emoção muito grande, fazia tempo que eu não segurava um bebê no colo", brincou o homem que já é pai de quatro filhos.

A essa altura, outros vizinhos já haviam se juntado para ajudar a família. Trouxeram cobertor, lençois e ajudaram a acalmar a mãe. "Foi um susto, mas eu já sabia que não ia dar tempo. De madrugada eu senti uma dor, mas foi fraca. De manhã, senti três contrações e na quarta fui buscar ajuda. Eu estava com meus filhos mais novos em casa", contou Rayná.

Mãe e bebê foram levados para a Santa Casa de Mogi das Cruzes, onde passaram por atendimento médico. "Ele está bem, é muito saudável. Estou feliz que tenha dado tudo certo", disse a jovem de 21 anos.

Reencontro
Claudionor e William se renecontraram na Santa Casa de Mogi nesta quarta-feira. "Eu fiquei tão emocionado, chorei tanto, que até me esqueci de tirar foto com ele. Quando peguei ele de novo no colo me veio toda a cena. E ele estava calminho, olhando nos meus olhos, parece que ele sabe que ajudei ele a nascer", contou o pedreiro.

O menino já tem apelido: ferrugem. "Foi porque eu estava com a mão toda suja de ferrugem, porque estava mexendo nas treliças de ferro da lage. Não consegui nem lavar a mão pra pegar ele, ficou todo sujo. Mas deu tudo certo".

William Brian nasceu no quintal de casa em Mogi das Cruzes
 (Foto: Claudionor Nogueira/ Arquivo Pessoal)