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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PADRE É ENCONTRADO FERIDO EM QUARTO DE MOTEL


Polícia apreende corda em quarto de motel onde padre foi encontrado ferido

O padre Cléver Geraldo de Souza 
Foto: Arquidiocese de Divinópolis / Reprodução

Ana Carolina Torres

Uma corda que pode ter sido usada na agressão contra o padre Cléver Geraldo de Souza, de 55 anos, encontrado ferido no quarto de um motel em Divinópolis, em Minas Gerais, nesta segunda-feira, foi apreendida por agentes da Polícia Militar Rodoviária e encaminhada para perícia. A suspeita é de que tenha sido usada pelo suspeito de ferir o religioso, que tinha marcas de enforcamento no pescoço, segundo o boletim de ocorrência da corporação.

O padre está internado no Hospital Santa Mônica, em Divinópolis. Não há informações sobre seu estado de saúde. Em nota, a Arquidiocese local repudiou a agressão contra o padre, afirmando ainda que caberá a ele esclarecer as circunstâncias "do evento".

O religioso foi achado ferido no quarto do Motel Êxtase, no bairro Jardim Real, por volta das 6h de segunda. De acordo com o depoimento de funcionários do local aos PMs, ele chegara ao estabelecimento com outro homem às 22h50m de domingo, em um automóvel modelo Siena, da marca Fiat. Depois de 40 minutos, a conta foi paga e o carro deixou o motel em alta velocidade.

No dia seguinte, por volta das 6h, uma faxineira foi até o quarto para arrumá-lo, mas encontrou a porta trancada, que só foi aberta após a chegada de um chaveiro. Os funcionários viram o padre no local, bastante ferido. Eles se ofereceram para chamar socorro e PMs, mas o padre Cléver se recusou, alegando que não querer acionar a polícia. Ele, então, pediu um táxi por telefone.

O taxista, após ver os ferimentos do padre, se recusou a fazer a corrida e alegou ter sido "convencido por funcionários do motel", que disseram que o religioso era "um cliente antigo e de confiança". Segundo o motorista, o religioso primeiro pediu para ir ao bairro de Ermida.

Mas no meio do caminho ele teria pedido para mudar o trajeto e ir até São Sebastião do Oeste. Lá, ainda de acordo com o taxista, o padre saltou em frente à sede da paróquia local - onde, segundo a Arquidiocese de Divinópolis, exerce a função de Administrador Paroquial. Souza, então, teria entrado na igreja e retornado com o dinheiro para pagar a corrida. Assustado, o taxista decidiu procurar a PM e relatar o caso.

A equipe da Polícia Militar Rodoviária acabou localizando padre Clever no hospital. O religioso contou que não se lembra de nada que aconteceu. Segundo o boletim de ocorrência, ele alegou que dirigia pela Rodovia MG 50 quando, ao passar por quebra-molas, foi abordado por bandidos que roubaram seu carro, um Siena. De acordo com o relato, o padre "se recorda apenas de ter reduzido a velocidade". Além do carro, a carteira com documentos e cartões de crédito de Clever também foram levados.

O caso foi registrado na delegacia de plantão de Divinópolis. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, os investigadores aguardam que o padre tenha alta do hospital para ouvir o depoimento dele.

Bispo repudia agressão

Em nota, o Bispo Diocesano de Divinópolis, Dom José Carlos Campos, repudiou a agressão e disse lamentar "imensamente notícias desta natureza, pois revelam e atraem as atenções e os ânimos sobre as mazelas dos membros da Igreja Católica. Esta não é a primeira nem será a última vez, infelizmente. Isso incomoda, mesmo sabendo que estas fraquezas estão por toda parte".

"SOBRE OS EVENTOS ENVOLVENDO PE. CLÉVER GERALDO DE SOUSA.

Soube dos acontecimentos, como narrados pela imprensa local e segundo o BO lavrado na ocasião, estando eu numa reunião da CNBB Leste II, em Belo Horizonte, na tarde da terça-feira (07). Diante dos relatos, temos a declarar:

1) Repudiamos toda e qualquer forma de violência, independentemente de quem sejam seus autores, seus alvos e suas circunstâncias;

2) Lamentamos imensamente notícias desta natureza, pois revelam e atraem as atenções e os ânimos sobre as mazelas dos membros da Igreja Católica. Esta não é a primeira nem será a última vez, infelizmente. Isso incomoda, mesmo sabendo que estas fraquezas estão por toda parte, mas não deveriam marcar a vida de quem desejou e escolheu livremente um caminho de vida exemplar e testemunhal no seguimento de Jesus;

3) Sobre as circunstâncias, as motivações e os detalhes do evento, nada temos a dizer. Estes esclarecimentos, justificativas e informações cabem ao padre;

4) Em se tratando de comportamento comprovadamente ilícito e imoral, haveremos de tomar as medidas e aplicar as penalidades cabíveis, mas fora do ímpeto do momento, das solicitações externas e depois de ouvirmos suficientemente o padre. Certamente, o padre não estará à frente de alguma paróquia por ora. E será ajudado diante das suas demandas humanas e vocacionais.

5) Peço a todos orações pelo sacerdote e pela nossa Igreja. Que a oração de uns pelos outros nos converta a todos.

Divinópolis, 07 de fevereiro de 2017.


Dom José Carlos Campos.
Bispo Diocesano de Divinópolis-MG".