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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

UM CARNAVAL DE POUCA ROUPA

De maiô ou biquíni, foliãs unem conforto e criatividade contra calor em blocos do Rio

Looks mínimos têm sido escolha frequente no carnaval de rua. Com pouca roupa e muita atitude, mulheres querem liberdade e rechaçam assédio: 'Os caras é que têm que se tocar', diz foliã.

Por Elisa de Souza*

Integrante da Cia de Mystérios e Novidades, com seios à mostra, à frente do bloco Escravos da Mauá (Foto: Marco Antônio Martins/G1)

O carnaval não é lembrado exatamente pelo excesso de roupas, mas quem vem curtindo o pré-carnaval do Rio já deve ter reparado que as mulheres têm escolhido looks mínimos para cair na folia. Muitas foliãs deixam saias, blusas e shorts em casa e as escolhas, com aposta no conforto e na liberdade, têm sido por maiôs e biquínis, que conquistam adeptas nos blocos da cidade. Há até quem tire a blusa e caia na folia com os seios descobertos.

A produtora de moda Paloma Borges, de 25 anos, curte a folia assim: livre e despreocupada.
A produtora de moda Paloma Borges aposta nos looks minimalistas para a folia (Foto: Paloma Borges/Arquivo Pessoal)


“Eu costumo me permitir bastante no carnaval e quero sair exatamente como eu sinto vontade. Eu acho que o carnaval é um momento de liberdade e catarse, as pessoas são ali o que elas querem ser e acho que essa liberdade escorre pra hora de você se vestir”, opina ela.

Paloma acredita que o debate sobre feminismo tem incentivado mais mulheres a se permitirem vestir como querem, inclusive com pouca roupa.

“Acho que, cada vez mais, as mulheres estão lembrando que podem vestir o que quiserem, sem passar calor, e que ninguém tem que se privar de usar o que quer por causa de assédio ou do que um cara vai falar. Os caras é que têm que se tocar de que você estar na rua não dá direito a ele fazer nada e se manter no lugar dele”, opina.

A internacionalista – assim se chama quem é formado em Relações Internacionais – Andréa Ribeiro, de 30 anos, caiu pela primeira vez na folia usando maiô neste pré-carnaval.

“Eu vi esse maiô e falei: ‘Cara, preciso ir com ele no bloco’ (...) Tinha uma outra menina olhando um maiô e ela perguntou: ‘Ah, mas como é que usa, com short?’. Eu falei: ‘Pra que short, gente, vai assim! Se a gente usa pra ir pra praia, porque não pra ir pro bloco?’”, questiona Andréa, que adorou o conforto da roupa e diz que não sofreu assédio. “Eu fui de carro e andei só um pedaço do trajeto. As pessoas olharam sim, mas não foi nada invasivo não. Umas pessoas comentaram que acharam legal, foi tranquilo.”

Maiô escolhido pela produtora executiva Eva manda recado 
(Foto: Arquivo Pessoal)

Na turma da pouca roupa com muita atitude, também engrossa o coro a produtora executiva de cinema Eva Netto, de 42 anos. Ela escolheu um maiô ousado, em que um dos lados manda um recado a quem faz julgamentos (veja na foto acima).

“Acho que a mensagem que fica é a seguinte: Eu não tenho que limitar o meu corpo por conta do julgamento alheio. Usar uma roupa assim é dizer: ‘Mundo, não me restrinja’. Eu posso, sim, fazer o que quero. A gente é rainha do nosso reino”, diz Eva.


*Sob supervisão de José Raphael Berrêdo