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sexta-feira, 24 de março de 2017

COMO UM CHICLETE AJUDOU A LEVAR PARA A CADEIA UM ASSASSINO LIVRE HÁ 35 ANOS

Descoberta só foi possível graças aos avanços científicos que permitem, atualmente, determinar o DNA de uma pessoa anos depois.

Por BBC
Nova Welsh foi assassinada aos 24 anos, em Birmingham
 (Foto: West Midlands Police )

Um chiclete. Essa foi a chave para solucionar um assassinato que ocorreu há mais de 35 anos na Inglaterra.

O ano era 1981. No Chile, o general Augusto Pinochet se autoproclamava presidente da República. Nos Estados Unidos, o então presidente Ronald Reagan era vítima de uma tentativa de assassinato. A MTV, primeiro canal de televisão a exibir clipes de música 24 horas por dia, entrava no ar. No Brasil, o Flamengo se sagrava campeão mundial interclubes ao bater o Liverpool por 3 a 0.

E uma mulher chamada Nova Welsh, de 24 anos, que morava em Birmingham, ao norte da Inglaterra, desaparecia.

Seu corpo foi achado dentro de um armário, em sua própria casa, três semanas depois.

Acredita-se que Welsh foi morta na madrugada do dia 27 de julho daquele ano.

De acordo com a autópsia, a causa da morte foi estrangulamento.

Mas os anos se passaram e a polícia não conseguia descobrir o culpado... até agosto do ano passado.

Chiclete marrom

A descoberta só foi possível graças aos avanços científicos que permitem, atualmente, determinar o DNA de uma pessoa anos depois e em circunstâncias insólitas.

Corpo da vítima foi achado dentro de um armário (Foto: West Midlands Police)

Ao tentar esconder o corpo de Welsh no armário, o assassino quebrou a fechadura. E, como não conseguia fechar a porta, resolveu recorrer ao chiclete que estava mascando para tal.

Com o passar do tempo, o chiclete mudou de cor - ficou marrom e empoeirada.

Apesar disso, os investigadores encontraram, nele, o DNA do assassino.

Quem é o assassino?

Quem matou Welsh foi Osmond Bell, ex-companheiro da vítima e pai de seus dois filhos, que na época tinham menos de seis anos.

Os investigadores também descobriram o que consideram uma probabilidade de "um em um bilhão".

Trata-se do DNA de Bell em uma carta anônima, enviada logo após o crime, culpando outra pessoa, para tentar eliminar as suspeitas que poderiam existir sobre o seu envolvimento no assassinato.

Bell, que hoje tem 60 anos, foi condenado a 12 anos de prisão após um julgamento em Birmingham.

No julgamento, que acaba de ser concluído, o juiz Patrick Thomas afirmou que o assassinato foi motivado pelo ciúme de Bell.

DNA do assassino foi encontrado em carta anônima
 (Foto: West Midlands Police)

"Welsh tinha sido vítima de violência doméstica, mas conseguiu sair dessa redoma e tentou reconstruir sua vida com um novo namorado", disse Thomas.

"Só que Bell não admitia. O assassinato ocorreu após uma briga entre os dois no apartamento dela", acrescentou.

A mãe da vítima, Lorna Welsh, disse que agora, após a condenação do assassino, sua filha pode descansar em paz.

Bell, ex-companheiro da vítima, foi condenado a 12 anos de prisão
 (Foto: West Midlands Police)