RADIO WEB JUAZEIRO : DEPOIS DA ABSURDA COBRANÇA DA TAXA DE LIXO DA CONTA DE ÁGUA, AGORA VEM A ABSURDA TAXA DE EVENTOS MUSICAIS

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

DEPOIS DA ABSURDA COBRANÇA DA TAXA DE LIXO DA CONTA DE ÁGUA, AGORA VEM A ABSURDA TAXA DE EVENTOS MUSICAIS

Revolta: um aumento de mais de 800 por cento pode silenciar a noite juazeirense e desempregar trabalhadores do entretenimento


Imagine uma taxa que, de uma hora para outra, aumenta de 45 para 361,95 reais. Um aumento de pouco de 800%. Isso mesmo: 800 %. Abusivo, impraticável, beirando a extorsão. Pois é, a lei de número 09/2016, que alterou o código tributário do município de Juazeiro, de autoria do ex-gestor Isaac Carvalho e aprovada, ao apagar das luzes do ano de 2016, pelo legislativo municipal, passou a cobrar 361,95 reais, por noite, para que os donos de bares da cidade possam realizar shows de voz e violão nos seus estabelecimentos. Isso independente do porte do comércio. O valor da licença, já em vigor, é padrão e deve ser pago a cada show realizado. Os eventos realizados no interior do município passarão a custar 180, 97 reais.

Os donos de bares e músicos de Juazeiro, estão indignados com a nova taxa de licenciamento e já se mobilizam em um movimento para pedir explicações ao executivo e legislativo municipal. Um grupo deles, procurou o Portal Preto No Branco para reclamar do que considera um absurdo.

Jean Fernando, dono de dois espaços de entretenimento, já fala até em sair do ramo ” Essa medida chegou de uma forma assustadora. Como faço 5 eventos por semana, vai ficar impossível manter isso. Na primeira semana que recebi o novo valor, já fiz uma mudança geral. Em um dos espaços, em que contrato bandas maiores, vou tentar segurar apenas dois dias. No outro, em que contrato artistas locais, só vou abrir um dia na semana. Isso vai gerar um desemprego de 40 a 50 pessoas por semana, entre garçons, ajudantes, cozinheiros, músicos, entregadores, etc . Meu faturamento vai cair em cerca de 80 por cento. Infelizmente, e se esta lei não mudar, não terei condições de trabalhar. Já fiz uma conta rápida e teria que pagar, somente de licença para shows, algo em torno de 1.800 reais por semana. Por mês, um valor assombroso. Se não revisarem esta lei, corro o risco até de fechar o meu comércio. E outros estão na mesma situação”, lamentou Jean.

Max Marrone, proprietário de barzinho e piscaria, também foi pego de surpresa com o novo valor cobrado e não esconde a revolta “Isso é revoltante! Um dono de barzinho, de petiscaria, pagar uma taxa absurda dessa, que inclusive é até mais alta que o próprio cachê do artista para apresentar seu show, é um desrespeito aos comerciantes e aos artistas também. Nós, donos de bares, não temos condições de pagar uma taxa dessa por uma autorização para fazermos voz e violão no nosso comércio, onde a maioria não cobra couvert artístico. Espero que revejam isso e esta situação se resolva para podermos voltar a trabalhar novamente, porque deste jeito não tem condição nenhuma”, afirmou Max.

A indignação entre os músicos, é a mesma. Fábio Rauany também expressou sua surpresa com a nova taxa.

“Deste jeito, não teremos espaço para trabalhar mais. O valor do cachê que ganhamos para tocar 4 horas seguidas, já é muito pouco e com este aumento exorbitante, os donos de bares já dizem que vão parar de contratar nossos shows. Os músicos vão perder esta renda e há consequências para suas famílias. Garçons serão desempregados e perde a noite de Juazeiro, a terra tão bradada como musical, cultural. A terra de Ivete e da bossa nova. Confio que as autoridades vão se sensibilizar e rever isso” lamentou Fábio.

O valor do cachê dos músicos que tocam durante 4 horas nos bares da cidade, varia entre 150 a 200 reais. Assim, muitos ganham a vida e sustentam suas famílias.

O cantor Beg Night, conhecido na noite de Juazeiro, diz que os músicos vêm sofrendo perseguição desde a gestão passada “Isso já vinha acontecendo na gestão de Isaac Carvalho. É uma perseguição com nossa classe de músicos. Uma falta de respeito. Primeiro proibiram show com teclado na orla e eu tive que sair de lá. Depois proibiram bateria. Agora, com este aumento enorme da taxa de autorização, vão acabar com a música na noite de Juazeiro. A gente vota pensando em coisa melhor para a cidade e vem uma decisão desta. Estou indignado. Nós músicos devemos nos unir, agora mais do que nunca. Não sei onde esta gestão quer chegar. Ao invés de dar incentivo aos músicos, estão dificultando nossa vida”, desabafou Beg.

Hoje(25), às 14 horas, o grupo irá a Câmara de vereadores buscar explicações dos vereadores sobre a lei aprovada por eles. Uma lei que vai silenciar a noite juazeirense e obrigar os juazeirenses a atravessar a ponte para ouvir uma boa música.

Clique no link abaixo para conferir a lei 09/2016 que altera o código tributário municipal.


Da Redação/ Por Sibelle Fonseca