RADIO WEB JUAZEIRO : GUERRA AO ESTADO ISLÂMICO

segunda-feira, 29 de maio de 2017

GUERRA AO ESTADO ISLÂMICO

Forças iraquianas avançam em Mossul e recomendam fuga de civis

De acordo com Comando Conjunto de Operações, recomendação se justifica por densidade populacional da área. ONGs expressam preocupação e pedem que governo proteja civis.

Por France Presse
Civis que fugiram de Mossul chegam a campo de refugiados na cidade iraquiana de Salamiya (Foto: REUTERS/Alkis Konstantinidis)

As forças iraquianas avançaram nesta segunda-feira (29) na zona oeste de Mossul, em uma nova etapa da ofensiva contra vários bairros ainda sob controle do grupo Estado Islâmico (EI), e recomendaram a fuga dos civis.

"Nossas unidades continuam avançando e entraram nos bairros de Al-Saha al-Ula, Al-Zinjili e Al-Shifaa, além do hospital republicano", anunciou o porta-voz do Comando Conjunto de Operações (JOC), Yahya Rassul. De acordo com Rassul, o EI utiliza carros-bomba, atiradores e suicidas para resistir à ofensiva.

As forças iraquianas, apoiadas pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, iniciaram em outubro do ano passado uma ampla ofensiva para reconquistar Mossul, controlada pelo grupo extremista desde junho de 2014.

Pela segunda vez em uma semana, a aviação iraquiana lançou panfletos sobre alguns bairros da cidade que recomendam aos habitantes que fujam das zonas controladas pelo EI.

A recomendação contradiz as instruções adotadas há meses pelo exército, que determinam que os civis permançam em suas casas durante os combates, com o objetivo de reduzir o número de deslocados e uma destruição em larga escala.

O anúncio provocou profunda preocupação na ONG Save the Children. "Os apelos para que a população deixe o oeste de Mossul expõe os civis, principalmente as crianças, ao perigo de serem apanhados no fogo cruzado. O governo iraquiano deve garantir que os corredores sejam verdadeiramente seguros", ressaltou.

Questionado sobre a mudança de tática, Rassul justificou a decisão pela alta densidade populacional na zona oeste de Mossul, especialmente nas "áreas antigas", referindo-se à Cidade Velha.

A retomada desta área, um labirinto de ruas estreitas onde ainda residem centenas de milhares de civis, é particularmente difícil. A parte oriental da zona oeste fica às margens do rio Tigre, que divide Mossul.

A batalha pela retomada da cidade deslocou centenas de milhares de pessoas e causou a morte de dezenas de civis.
Homem e idosa fogem da região oeste de Mosul, no Iraque (Foto: REUTERS/Alkis Konstantinidis)

Civis Mortos

Os Estados Unidos reconheceram na quinta-feira passada o pior erro cometido pela coalizão desde o início de sua campanha de ataques aéreos contra o EI, com 105 civis mortos em um bombardeio em 17 de março.

A investigação militar americana atribuiu, no entanto, o número de mortes ao Estado Islâmico, que havia colocado uma grande quantidade de explosivos no prédio visado pelo ataque. A explosão secundária derrubou todo o edifício, matando as 101 pessoas que haviam se refugiado lá, bem como quatro vizinhos, de acordo com o relatório da investigação.

O ministério do Interior iraquiano também anunciou o início de uma investigação sobre acusações de tortura, execuções sumárias e estupros por alguns soldados da Força de Reação Rápida (QRF) contra prisioneiros.

Foi em Mossul que o líder do EI Abu Bakr al-Baghdadi proclamou um "califado" nos territórios ocupados no Iraque e na Síria em uma mesquita da Cidade Velha.

Mas sua queda, mesmo constituindo um grande revés para o EI, não acabaria com a guerra contra a organização extremista. Os combatentes da organização sunita ainda controlam territórios em três províncias iraquianas e continuam a realizar regularmente ataques em áreas do governo.

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