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sexta-feira, 5 de maio de 2017

TUDO NOSSO, NADA DELES

Negromonte perdeu ministério por roubar apenas para ele próprio, diz delator

Aparecido Silva


A ação movida pelo Ministério Público Federal contra o ex-deputado, ex-ministro e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), Mário Negromonte, traz detalhes da participação de pepistas baianos no esquema de corrupção montado na Petrobras.

A ação penal elaborada pelos procuradores da Lava Jato faz referência à delação premiada do doleiro Alberto Youssef, que teria passado detalhes sobre a atuação do agora conselheiro da Corte baiana no grupo do PP.

Segundo o MPF, Youssef teria dito que o ex-deputado perdeu o cargo de ministro das Cidades em 2012 porque não "fazendo caixa" para o PP. Na verdade, Negromonte "estaria roubando apenas pra ele próprio".

Já em 2014, os procuradores mencionaram que a ida do ex-ministro de Dilma para o TCM da Bahia se deu como uma contrapartida pelo apoio que deu à chapa do então candidato ao Palácio de Ondina, Rui Costa (PT). Na ocasião, ele foi elevado ao posto de conselheiro pelo então governador Jaques Wagner.

A ação do MPF também dá detalhes sobre depoimentos de pessoas que trabalhavam para o grupo do PP no esquema. Em agosto de 2011, os procuradores apontaram que, por orientação do doleiro Alberto Youssef, Adarico Negromonte, irmão do conselheiro, transferiu R$ 1 mil para a K Star Comércio de Veículos, valor que seria referente ao pagamento de parte do preço do Kia/Soul adquirido por Daniela Souza Negromonte, filha de Negromonte.

Dias depois, Adarico teria utilizado R$ 16 mil em espécie para pagar a blindagem do veículo. Este valor foi debitado dos creditos de propina do conselheiro no esquema de corrupção. Os detalhesdeste caso foram colhidos pelo MPF no depoimento do transportador Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará.

Ainda de acordo com a ação do MPF, Negromonte e seu filho, Mário Negromonte Júnior (PP), usaram a conta bancária da esposa de Júnior, Camila Vasquez Pinheiro Gomes, em dezembro de 2014 e em janeiro de 2015, para depósito de valores em espécie no valor de R$ 225,5 mil. Segundo os procuradores, a operação bancária de forma estruturada teve como objetivo evitar a necessidade de comunicação ao conselho de controle de atividades financeiras (Coaf).

O outro lado - O advogado de Mário Negromonte, Carlos Fauaze, disse ao BNews que estas acusações que constam na ação penal no Supremo Tribunal Federal já foram "documentalmente" explicadas na referida Corte.

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