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segunda-feira, 12 de junho de 2017

DEPOIMENTO RELÂMPAGO

Novo depoimento de Emilio Odebrecht a Sérgio Moro em ação em que Lula é réu dura 6 minutos

Defesa de Lula pediu para que Emilio Odebrecht fosse ouvido novamente.

Por Alana Fonseca e Thais Kaniak, G1 PR, Curitiba

Emilio Odebrecht durante lançamento do livro Diário de Bordo, A viagem presidencial de Tancredo, de Rubens Ricupero na Livraria Cultura no Cojunto Nacional (Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo/Arquivo)

Emilio Odebrecht, dono da construtora Odebrecht, foi ouvido novamente pelo juiz federal Sérgio Moro – que é o responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância – na manhã desta segunda-feira (12).

O depoimento, que ocorreu por videoconferência com São Paulo, durou cerca de seis minutos. Emilio Odebrecht é testemunha de acusação.

Emilio Odebrecht voltou a ser ouvido a pedido da defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), réu nesta ação penal.

O processo apura a compra de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo.

Lula responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Veja a lista de réus nesta ação penal.

Questionamentos da defesa de Lula

Questionado por Cristiano Zanin Martins, um dos advogados de Lula, o empreiteiro negou ter se envolvido em oito contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht. Ele também disse não saber que esses contratos foram firmados diante da condição de uma futura compra de um imóvel para o Instituto Lula.

Emilio Odebrecht também disse à defesa de Lula que manteve contato reuniões com outros ex-presidentes da República, antecessores ao petista. "Que eu saiba, desde a minha entrada na organização, praticamente todos", afirmou.

Cristiano Zanin Martins lembrou que, em depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF), em dezembro de 2016, o empresário fez uma referência de que chegou a discutir com Fernando Henrique Cardoso, também ex-presidente da República, um projeto chamado "Gás Brasil", entre o país e a Bolívia.

Emilio Odebrecht disse que "sem dúvida nenhuma" era comum que ele debatesse projetos e assuntos relacionados ao óleo e gás com presidentes da República.

"Praticamente todos os presidentes queriam, sem dúvida nenhuma, ouvir contribuições de empresários. E nós, até por estarmos operando em várias coisas no Brasil inteiro, e também no exterior, assim interessava a eles", afirmou o empreiteiro.

O empresário ainda relatou conhecer o ex-ministro Gilberto Carvalho, que ocupou secretaria-geral da presidência da República, quando o petista estava no cargo.

Na última pergunta, o advogado questinou se Emilio Odebrecht tem conhecimento se a Odebrecht contratou o escritório Baker Mckenzie para negociar e formular um acordo de leniência com autoridades estrangeiras. O empreiteiro respondeu que não.

Outros defensores, nem representantes do MPF, nem o juiz federal não fizeram perguntas ao empresário.

Lula responde, nesta ação penal, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Veja a lista de réus neste processo.

Depoimento retomado

O depoimento foi retomado por decisão do Tribunal Federal Regional da 4ª Região (TRF4) , que aceitou um pedido formulado pela defesa de Lula.

O pedido foi feito após a audiência em que Emilio Odebrecht foi ouvido porque, segundo a defesa, o Ministério Público Federal (MPF) acrescentou documentos ao processo que não puderam ser verificados a tempo da primeira oitiva.

Em 5 de junho, Emilio Odebrecht foi ouvido por Sérgio Moro. O ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar também prestou depoimento no mesmo dia e disse que Marcelo Odebrecht disponibilizou R$ 12 milhões para a compra de um imóvel para sediar o Instituto Lula, como retribuição ao ex-presidente.

Outros depoimentos desta audiência

O administrador de empresas Fábio Coletti Barbosa, que fez parte do Conselho de Administração da Petrobras, foi ouvido como testemunha de defesa nesta segunda-feira. Durante a oitiva, ele disse nunca ter identificado algum sistema de corrupção endêmica e sistêmica dentro da estatal.

Marco Antonio Vidal Neves, testemunha de defesa do empresário Demerval Gusmão, falou rapidamente.

Em seguida, foi ouvido, presencialmente, o coronel Geraldo Corrêa de Lima, como testemunha de defesa de Lula. Ele foi ajudante de ordens e comandante do avião presidencial. "Faz a agenda do presidente acontecer", explicou a Sérgio Moro sobre a função de ajudante de ordens.

O coronel disse, ainda, que foi uma convivência intensa com Lula durante cinco anos e que nunca presenciou nada que poderia ser tomado como ilícito da parte do político. "Eram sempre coisas muito positivas, para nos dar orgulho como cidadão", afirmou.