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terça-feira, 20 de junho de 2017

MÃE ACORRENTA A FILHA NA TENTATIVA DE AFASTÁ-LA DAS DROGAS

'Quebrava a casa e agredia todo mundo', justifica mãe por acorrentar adolescente viciada em drogas

Adolescente de Sorocaba ficou presa em casa por mais de um mês para que não usasse drogas. Segundo a mãe, que chegou a ser detida pelo ato, menor fugiu de clínica na quinta-feira (15) e saiu de casa no sábado (17).

Por Carlos Dias, G1 Sorocaba e Jundiaí

Adolescente foi encontrada acorrentada em guarda-roupa de casa em Sorocaba (Foto: Guarda Civil Municipal/Divulgação)

Ver a filha devastada e colocando em risco a vida da própria família foram o estopim para uma mulher tomar uma atitude radical: acorrentar a adolescente de 17 anos por 43 dias, e se deparar de mãos atadas na tentativa de mantê-la longe das drogas.

O caso foi descoberto depois que uma equipe da Guarda Municipal recebeu uma denúncia de que uma adolescente estava acorrentada e foi até uma casa na Vila Nova Esperança, em Sorocaba (SP), com representantes do Conselho Tutelar. Lá, os agentes encontraram a jovem presa por uma corrente no tornozelo em um guarda-roupa.

Ao G1, a mulher de 43, que chegou a ser detida no dia 13 de junho por causa do ato, conta sobre a angústia enfrentada por ela e os outros três filhos, que moram em uma casa humilde no bairro Nova Esperança, em Sorocaba (SP).

"Ela quebrava toda a casa e chegou a agredir todo mundo, até o irmãozinho", diz a mãe.

Segundo a mãe, a menor recebeu ajuda, mas fugiu da associação onde foi internada na quinta-feira (15), sendo reencontrada por ela mesma na madrugada de sexta-feira (16) ao ser reconhecida por um vizinho. Após uma denúncia anônima, a filha foi acolhida pela instituição na cidade, mas desapareceu horas depois.

“Ela [menina] estava com fome e quase dormindo. Sozinha eu consegui trazê-la para casa, ela deitou e dormiu. Isso de sexta para sábado, mas ela fugiu e corri atrás. Fiquei a manhã toda rodando”, diz a mãe.

Com mais um sumiço, a auxiliar de cozinha conta que começou a procurar a filha e a encontrou, novamente, sob o efeito de entorpecentes.

“Estava totalmente drogada. Suspeito que ela se prostitui para comprar as drogas. Algumas pessoas já disseram que ela entrava em carros com homens e depois era largada por aí”, desabafa.

Ajuda

Diante das tentativas frustradas de ajudar a garota, a mãe buscou ajuda no Conselho Tutelar de Sorocaba, e conseguiu uma internação compulsória na Santa Casa para desintoxicação da adolescente. Em nota, a prefeitura informou que o caso é acompanhado pelos conselheiros, que devem definir o destino da paciente.

De acordo com o vereador Rodrigo Manga (DEM), presidente do Legislativo e conhecido por atuar em casos para acolher dependentes químicos, a jovem deve ser transferida para uma clínica em Botucatu (SP).

“Ela vai passar por uma desintoxicação na Santa Casa de Sorocaba e depois será levada para uma clínica especializada. Sorocaba não tem um lugar para tratar esse tipo de caso, tanto que ela conseguiu fugir depois que foi acolhida em uma associação”, explica.

Sem perder a esperança de um futuro melhor para a filha, a auxiliar de cozinha espera que a jovem aceite a nova chance de combater o vício.

“Agora vou dormir bem e saber que ela não vai fugir. Vou voltar a pegar latinhas e levar a vida.”

Mãe é detida por manter filha usuária de drogas acorrentada por mais de um mês em Sorocaba

'A vida parou'

A auxiliar de cozinha mora em uma área conhecida por ser ponto de tráfico de drogas, no bairro Nova Esperança, com os quatro filhos: a menina, de 17, e outros três meninos de 16, 13 e 4 anos. Responsável pela educação dos quatro filhos, ela detalha que tomou a decisão de usar as correntes na primogênita quando a situação saiu do controle.

“Uma vez tivemos que dormir todos na cozinha porque ela estava muito agressiva e ninguém podia ficar no quarto”, conta a mãe.

Em outra situação, conforme a mãe, houve uma tentativa por parte da adolescente de explodir um botijão gás. A rotina da família foi comprometida e a mãe teve que abandonar o emprego para tentar resgatar a filha do mundo das drogas.

“A vida parou. Não tenho com levar os filhos na escola, na creche, e mal consigo comer.”

Sem renda, a mulher passou a vender latinhas e ganha cerca de R$ 20 por semana, mas o trabalho de percorrer ruas em busca das embalagens também foi interrompida devido aos ataques da filha, que começaram há cerca de dois meses.

'Era meiga, serena e sossegada'

A mãe conta que a jovem abandou os estudos no ensino fundamental e ajudava a mãe com os irmãos em tarefas diárias, além de até ter concluído cursos como “designer de sobrancelhas”. Entretanto, a mãe acredita que amizades ruins a levaram para as drogas.

“Ia pra escola certinho, fez curso e quando ia ser aprendiz, surtou. Ela sempre foi comunicativa e tinha amizade com todo mundo. Era meiga, serena e sossegada, uma das melhores alunas”, lamenta a mãe.

A auxiliar de cozinha nasceu em Carapicuíba (SP), mas mora desde criança no interior de São Paulo, onde vivem a mãe e irmãos, que não tem como ajudá-la, já que alguns parentes também são usuários de drogas.