RADIO WEB JUAZEIRO : VEJA O VÍDEO - BAIRROS COMEÇAM A CERCAR SUAS DEPENDÊNCIAS

quarta-feira, 21 de junho de 2017

VEJA O VÍDEO - BAIRROS COMEÇAM A CERCAR SUAS DEPENDÊNCIAS

Com autorização da prefeitura, moradores cercam bairro Vila Kosmos, na Zona Norte

Preocupados com segurança, moradores contrataram segurança particular, com guaritas, cancelas e 16 vigilantes 24h por dia.

Por Bom Dia Brasil

Moradores cercam ruas de bairro do Rio para se protegerem da violência

Um bairro cercado. Em quatro guaritas, 16 vigilantes se revezam 24h por dia para garantir a segurança no bairro Vila Kosmos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que conta, ainda, com oito cancelas automáticas e três fixas. Tudo financiado pelos moradores, com um investimento de R$250 mil, com autorização da prefeitura do Rio, como mostrou o Bom Dia Brasil.

Uma forte onda de violência na região, com frequentes assaltos, levou um grupo de moradores do bairro a pedir autorização da prefeitura para organizar um esquema de segurança com recursos próprios.

“Era muito muito, a insegurança era muito grande. Você não conseguia chegar em casa com tranquilidade, nem chegar em casa nem sair, porque os roubos aconteciam na saída que você iria para o trabalho entre 6h e 8h da manhã e quando você chegava”, conta o engenheiro Leandro Lopes Figueiredo de Souza, morador da área.

A sensação de insegurança fez com que um grupo dos moradores, cerca de 25% do total dos beneficiados, topasse pagar uma taxa de R$103,60 para uma empresa de segurança contratada. O investimento surtiu efeito: segundo a associação de moradores, o local teve 160 roubos registrados entre janeiro de 2016 e fevereiro deste ano. Depois da implantação do esquema, há dois meses, apenas três roubos foram registrados.

A área possui aproximadamente mil residências e, com a implantação da medida privada de reforço à segurança, além das cancelas e dos vigilantes, há quebra-molas, obstáculos na calçada e, para entrar, é preciso autorização.

Os moradores não entendem a necessidade de autorização para circular como uma espécie de bloqueio. “A intenção não é prejudicar ninguém, muito pelo contrário nós queremos ficar mais protegidos, então o direito de ir não está sendo ferido pelo nosso ponto de vista porque você pode acessar o bairro e sair do bairro, a única coisa que nós pedimos é que o não morador ele idenfique-se”, diz o engenheiro.

A medida de segurança privada foi apoiada pelo prefeito Marcelo Crivella. Em abril de 2017, por meio de um decreto, ele afirmou que considerava a “necessidade de desburocratizar e agilizar os procedimentos administrativos de licenciamento: considerando a necessidade de garantir a segurança dos cidadãos. Decreta: Art. 1.º A Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, mediante juízo discricionário de seus órgãos competentes, poderá autorizar a instalação de guaritas, traves, basculantes, grades e portões em logradouros públicos de uso estritamente residencial”, afirmou.

O secretário municipal de urbanismo, Índio da Costa, afirmou que o governo do estado do Rio de Janeiro perdeu completamente o controle da segurança pública e que, sem a proteção do estado, a prefeitura autoriza a instalação de guaritas de forma criteriosa.

"A sensação de insegurança da população é real. O governo do estado perdeu completamente o controle da segurança pública no Rio de Janeiro. O ideal seria uma cidade integrada. Mas a prefeitura vai dizer não para quem quer se proteger uma vez que o Estado não garante a proteção? Essa decisão é um processo delicado de consciência justamente pela falta de segurança. Vale destacar que a prefeitura autoriza a instalação de guaritas de forma criteriosa, garantindo o direito de ir e vir das pessoas", afirma ele.

Apesar dos excelentes resultados iniciais, a medida é vista com cautela por especialistas em segurança. A cientista social Silvia Ramos, pesquisadora de Segurança Pública, vê o esquema com preocupação. Apesar de entender o medo dos moradores, ela acredita que a medida não se sustenta a longo prazo.

“Eu acho que a gente precisa reconhecer o sentimento de medo das pessoas, esse sentimento de medo da população muitas vezes produz ilusões. Quando se toma atitudes de segurança privada em alguma área é muito comum que no começo os resultados tenham muito impacto, mas com o passar do tempo, os moradores descobrem que, primeiro, eles precisam ir e vir, então a insegurança pra sair e voltar continua não só é a mesma como as vezes até pior, porque toda a criminalidade se concentra pelo lado de fora”, opina.

Apesar dos esforços no combate à criminalidade, os moradores reconhecem que não podem lidar com a questão sozinhos e desejam o reforço policial e a presença da segurança pública.

“Nós precisamos da polícia no local, nosso trabalho lá, a empresa de segurança tá simplesmente controlando o acesso. A gente quer sim a presença da polícia fazendo o papel dela, que é nós proteger”, diz o morador Damião Souza.


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