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segunda-feira, 10 de julho de 2017

CANDIDATOS À CADEIRA DE PRESIDENTE, COMEÇAM A SE ARTICULAR

Senador Álvaro Dias lança pré-candidatura para 2018 pelo Podemos: 'Se não nos transformamos, seremos atropelados'


HuffPost Brasil
Ana Beatriz Rosa

Senador Álvaro Dias lança pré-candidatura para 2018 pelo Podemos.
 Waldemir Barreto/Agência Senado

Com nome sugestivo e inspirado em movimentos europeus, o Podemos foi lançado no último sábado (1), em Brasília, e é o mais novo partido político na corrida para 2018.

O Podemos é o novo nome do Partido Trabalhista Nacional (PTN), que recebeu autorização do TSE em maio para a mudança de nome. Atualmente, é presidido pela deputada Renata Abreu (SP) e a bancada da legenda na Câmara é formada por 14 deputados.

"Nem de esquerda ou de direita", o PTN apoiou Dilma Rousseff (PT) em 2010, Aécio Neves (PSDB) em 2014 e até 2016 o ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTC-AL) fazia parte dos quadros do partido.

De acordo com o manifesto do partido, a aposta vai ser na conexão da política em tempo real e a sociedade brasileira por meio das plataformas digitais.

"Estamos alicerçado em três princípios: Transparência, Participação Popular e mais Democracia Direta."

Para o senador Álvaro Dias, futuro candidato à presidência pelo Podemos, o que se usa do PTN é "apenas o registro" do antigo partido. O que se quer é atender a ânsia da população por mudanças e "unir o País", afirma em entrevista ao HuffPost Brasil.

"O Podemos surge dessa angústia de quem quer contribuir mais nesse processo de mudança do País. A tentativa é de um movimento que recupere credibilidade numa instituição essencial, principalmente no processo eleitoral, que é o partido político", argumenta Dias.

O senador deixou o PSDB no início de 2016 e esteve com a sigla do PV até a pré-candidatura pelo Podemos.

Dias defende as reformas trabalhista, previdenciária e administrativa, além da política, como ferramentas para fazer o Brasil crescer.

Contudo, argumenta que o governo Temer será incapaz de liderá-las. Para ele, o país está "perdendo a oportunidade", pois vive um "drama" com um presidente que se tornou um "cadáver político".

"São reformas imprescindíveis que estão sendo conduzidas pessimamente por quem perdeu a autoridade e não tem competência para se comunicar com a sociedade, para convencê-la dos seus acertos. Nós estamos perdendo uma grande oportunidade de promover reformas essenciais", argumenta.

O senador, ainda, afirma que um dos motivos da saída do PSDB torna a decisão de antes ainda mais acertada. Na época, ele foi um dos parlamentares que defendeu a cassação da chapa Dilma-Temer e a possibilidade de eleições diretas no lugar do impeachment da petista.

"Eu defendi a proposição do impeachment completo da presidente Dilma e do seu vice na época o Temer. Nós denunciamos os dois pelo mesmo crime. Essa foi uma das razões do meu afastamento do PSDB. Eu não concordava com "meio impeachment". Deveria ocorrer o impeachment por inteiro e teríamos eleições diretas. Estaríamos evitando esse drama que vivemos hoje, de ter um presidente que se transformou em um cadáver político e que não tem como conduzir o destino do País. Obviamente, se havia razões para o impeachment do Temer naquela época, elas continuam existindo e agora com maior gravidade."

Leia a entrevista completa:

HuffPost Brasil: Por que a escolha pelo Podemos?

Álvaro Dias: O Podemos surge dessa angústia de quem quer contribuir mais nesse processo de mudança do País. É uma exigência da nação. Isso ficou visível nas grandes manifestações populares e realmente há uma expectativa de mudança no País. O Brasil é um país em movimento e os partidos políticos são rejeitados porque estão desmoralizados. Então, a tentativa é de um movimento que recupere credibilidade numa instituição essencial, principalmente no processo eleitoral, que é o partido político. Vem desse modelo europeu de partido-movimento defensor de causas no exercício da democracia direta, uma postura contra a corrupção. É uma tentativa que se faz agora através do Podemos para ocupar esse espaço que os partidos envolvidos na Operação Lava Jato deixaram aberto. Nós queremos construir uma ferramenta política que possa ser manejada pela população com o objetivo de promover essas mudanças desejadas. Se vamos conseguir só o tempo dirá.

Muitas pessoas criticam a mudança de nome e de posicionamento, mas a permanência de políticos tradicionais nesses movimento. Como você enxerga essas críticas?

No PTN era um partido pequeno sem políticos tradicionais. Os 14 deputados do partido são deputados de 1º mandato, por exemplo. Só um que tem mais de um mandato. É só enxergar a realidade dos fatos. Não é apenas mudança de nome, é uma mudança de programa, de posicionamento, de modelo de gestão. É um modelo partidário que muda. O que se usa é apenas o registro do antigo partido. As lideranças que chegam agora, elas são convocadas para que venham com esse propósito, de construir um modelo novo de partido que possa estar mais próximo das aspirações da população e que se afaste o máximo possível dessa mesmice lamacenta dos partidos atuais.

Qual sua proposta para fazer o país voltar a crescer e criar emprego?

O Brasil está a espera de reformas e nós sabemos quais são elas. O sistema federativo está desgastado, promovendo uma tremenda injustiça com a concentração dos recursos nos cofres da União e prejudicando os estados e municípios. Na esteira da reforma federativa vem a reforma tributária, na busca de um modelo que preze pelo desenvolvimento, estimule crescimento econômico, mas que esteja mais preocupado com uma distribuição justa de renda. Nas reformas em discussão, a da previdência e a trabalhista não se esgotarão nessa fase desse governo temerário e enfraquecido, porque não se produz uma boa legislação nesse clima. As discussões dessas reformas vão ultrapassar o governo Temer. É preciso também a reforma administrativa, que na verdade é a reforma do Estado, já que ele se tornou esse balcão de negócios que se instalou e que levou ao aparelhamento, ao loteamento dos cargos. Então o enxugamento do Estado o torna mais eficiente. E eu não falei da principal reforma, que é a reforma política. Essa reforma precisa ser liderada por um presidente mudancista, convocar especialistas para a elaboração de um pré-projeto, e o presidente da república assumir a liderança buscando consenso. O Congresso atual não tem moral para promover uma reforma política compatível com as exigências da população. O grande problema do País é a dívida pública, resultado de uma política econômica mentirosa que tentou vender ilusão de crescimento econômico nos últimos anos. É uma dívida pública que se agigantou e que precisa de uma administração mais competente para administrá-la. Se não se encontrar uma solução para a dívida pública, o Estado está inviabilizado.

As eleições municipais ficaram marcadas pelos votos nulos de brancos. Como retomar a credibilidade das pessoas na política?

Se os políticos não mudares eles serão atropelados pelo desejo de mudança que há na sociedade, é simples. E essa será uma mudança na cultura política, no comportamento. O que eu particularmente desejo é que a população faça a análise do conjunto da obra da ação política de cada um, evitando julgar em razão do último gesto, do último discurso, da última postura, porque tudo isso as vezes soa como oportunismo. Nós sabemos que existem aqueles que quando o barco afunda saltam para não se afogarem. E aí se colocam num campo de oposição.

Qual a posição do partido com relação à denúncia contra o presidente Michel Temer?

Ainda não conversei sobre isso com a bancada na Câmara. A minha posição pessoal é a favor do acolhimento da denúncia.

Para o senhor, qual a melhor saída para o peemedebista?

Seria a renúncia, né. Abriria o caminho para uma eleição indireta, que não é a ideal, mas que é o que prevê a Constituição. E nos temos que atender os seus dispositivos.

O senhor questionou o TCU sobre decretos que o presidente assinou que autorizaram abertura de crédito, como as pedaladas que tiraram Dilma do comando do país. Os mesmos decretos são argumento de um pedido de impeachment em tramitação na Câmara. O senhor acredita que há espaço para essa acusação seguir adiante?

Naquela época, eu defendi a proposição do impeachment completo da presidente Dilma e do seu vice na época o Temer. E nós denunciamos os dois pelo mesmo crime. Essa foi uma das razões do meu afastamento do PSDB. Eu não concordava com "meio impeachment". Deveria ocorrer o impeachment por inteiro e teríamos eleições diretas. Estaríamos evitando esse drama que vivemos hoje, de ter um presidente que se transformou em um cadáver político e que não tem como conduzir o destino do País. Obviamente, se havia razões para o impeachment naquela época, elas continuam existindo e agora com maior gravidade. É legítimo que se apresente medidas nessa maneira.

O senhor tem afirmado que o presidente errou na comunicação, que avança e recua nas propostas. Qual sua posição sobre a reforma trabalhista? E a reforma da previdência?

São reformas imprescindíveis que estão sendo conduzidas pessimamente por quem perdeu a autoridade e não tem competência para se comunicar com a sociedade, para convencê-la dos seus acertos. Nós estamos perdendo uma grande oportunidade de promover reformas essenciais para o País. É possível que a reforma trabalhista seja aprovada pelo Senado, mas eu não creio que ela seja a ideal. Acho que o texto precisaria ser discutido com a sociedade uma reforma trabalhista mais competente, convencendo os representantes do capital e do trabalho de que precisam se modernizar. Mas isso não foi feito. Nós estamos perdendo essa oportunidade. Evidentemente não será a última. Essa discussão não se esgotará com o mandato do presidente Temer.

O texto da reforma, como está hoje, representa a classe trabalhadora?

Olha, tem interesses representados, mas ela poderia ser muito mais eficiente. Representa parcialmente os trabalhadores, porque trabalha a favor dos empregos. O maior drama do país hoje é o desemprego. A prioridade é salvar as vagas. Então é evidente que algumas medidas devem ser adotadas na legislação para estimular o setor empresarial a investir em trabalhadores, portanto, gerando oportunidades de salários. Mas essa reforma é temerária do ponto de vista dos trabalhadores seja pela péssima comunicação ou pela sua formulação.

O senhor saiu do PSDB no início do ano passado, como o senhor analisa os últimos passos do seu ex-partido, hoje aliado de Temer e com Aécio, presidente licenciado da legenda, em uma situação tão delicada?

A situação do PSDB não é exclusividade deles. Os maiores partidos estão despedaçados pelas denúncias. E inevitavelmente serão rejeitados pela população. Se até agora a população julgava candidatos, e ignorava a licença dos partidos, a partir da Lava Jato os partidos também serão questionados. Então, o PSDB que naturalmente deveria ter se beneficiado do espaço conferido a oposição nos últimos anos, o envolvimento nesses atos o leva a esse terreno do abandono pela população.

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