RADIO WEB JUAZEIRO : VEJA O VÍDEO - O CHUVEIRINHO DA DISCÓRDIA

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

VEJA O VÍDEO - O CHUVEIRINHO DA DISCÓRDIA

Espécie de chuveiro instalado em marquise causa polêmica 

Guilherme Ramalho,Renan Rodrigues - O Globo 


Uma espécie de “chuveirinho”, instalado na marquise do edifício do cinema Roxy, em Copacabana, causou polêmica neste fim de semana. O síndico afirma que o dispositivo servirá a um canteiro de plantas, mas, de acordo com alguns moradores, o equipamento foi instalado para afastar o tumulto causado por pessoas em situação de rua que se abrigam debaixo do prédio de número 45 da Rua Bolívar. Presidente da Sociedade Amigos de Copacabana e morador do bairro há 50 anos, o advogado Horácio Magalhães filmou os canos aspergindo água do teto na sexta-feira e postou um vídeo na página da associação no Facebook. Até a noite de ontem, mais de 18 mil pessoas já tinham visto a cena. Enquanto exibia a calçada toda molhada, Horácio criticou a falta de ação da prefeitura para a retirada de moradores de rua. Ao GLOBO, ele disse não concordar com a instalação da engenhoca, mas que entende o motivo. 

— É a solução que o cidadão encontra quando o poder público não resolve o problema. Muitas pessoas ficam receosas de passar na calçada, não sabem se vão lhe pedir esmola ou ser assaltados — afirmou. 



SECRETARIA DE URBANISMO FARÁ VISTORIA

Três moradores do Edifício Roxy confirmaram a informação de que os “chuveirinhos” foram instalados pelo próprio condomínio para afastar os moradores de rua. Ontem, a secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher, esteve no local para apurar as denúncias e disse que vai acionar a Secretaria municipal de Urbanismo para multar o condomínio, caso a irregularidade seja comprovada. A Gerência de Licenciamento e Fiscalização da Zona Sul informou que fará hoje uma vistoria no local e, se necessário, “tomará medidas, como notificar o proprietário".

— Isso é um absurdo, uma irresponsabilidade e falta de humanidade. A lei nos impede de agir, porque permite que essas pessoas deixem os abrigos e voltem a dormir debaixo das marquises. Não vou aceitar nenhuma violência contra os moradores de rua — disse Teresa Bergher.

Um morador do Edifício Roxy, que preferiu não se identificar, criticou a falta de ação da prefeitura.

— Já fizemos várias reclamações. Então, todo mundo concordou em instalar. Um pouquinho de água não mata ninguém. A gente não quer incomodá-los, mas temos que tomar alguma providência. Eles fumam crack, cheiram cola, fazem sexo à luz do dia, brigam toda a noite e não deixam ninguém dormir — contou.

Nem todos os moradores da região, no entanto, concordaram com o equipamento.

— Isso é surreal, desumano, radical e completamente errado — criticou o aposentado Jorge Coelho Neto, de 71 anos. — Os moradores de rua não estão aqui porque gostam. São seres humanos iguais a gente. Não tem que matá-los, mas cuidar deles.

Um dos gerentes do cinema Roxy disse não saber quem instalou os canos. Já o síndico do edifício informou à prefeitura que o sistema foi feito para um futuro canteiro de plantas. O GLOBO entrou em contato com o síndico, mas ele não quis comentar o assunto.

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