RADIO WEB JUAZEIRO : FORÇA NACIONAL VAI PROTEGER USINA

terça-feira, 17 de outubro de 2017

FORÇA NACIONAL VAI PROTEGER USINA

Ministro da Justiça autoriza uso da Força Nacional em usina até 31 de dezembro após ameaça de invasão de índios

Indígenas protestam contra a construção de usina e alegam descumprimento de acordo com eles. Local onde obra é construída é sagrado para comunidade indígena, segundo carta de lideranças.

Por G1 MT
Índios e a Força Nacional, em Alta Floresta (Foto: Notícia Exata)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, autorizou o emprego da Força Nacional na Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires, entre Mato Grosso e Pará, até o dia 31 de dezembro deste ano, diante da ameaça dos indígenas da etnia Munduruku de invasão ao canteiro de obras.

Os índios alegam que a empresa responsável pela obra não cumpriu um acordo feito com os índios para preservar uma área considerada sagrada pela comunidade indígena.

A portaria estabelecendo a data e o emprego da Força Nacional foi divulgada no Diário Oficial da União que circula nesta terça-feira (17). O objetivo, de acordo com o documento, é prevenir quaisquer ocorrências que possam por em risco a segurança dos envolvidos, a ordem pública e a continuidade das obras de conclusão da Usina Hidrelétrica.

Agentes da Força Nacional desembarcaram em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, na semana passada devido ao clima de tensão e de suposta ameaça de invasão ao canteiro de obras. Conforme a portaria, a ação tem o apoio logístico do Ministério de Minas e Energia.
Homens da Força Nacional observam grupo de índios em Alta Floresta (Foto: Notícia Exata)

O povo Munduruku divulgou uma carta no sábado (14) na página do Movimento Iperegayu, em que cobra a suspensão da licença ambiental concedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à usina.

"O ataque das hidrelétricas contra nossos locais sagrados não vai ficar assim. Não vamos sossegar até que o Ibama cancele a licença da hidrelétrica, até que as duas empresas peçam desculpas aos nossos antepassados e ao nosso povo e cumpram o combinado para a segunda visita às nossas urnas", dizem, em documento.

Em outro documento, divulgado em julho deste ano, os índios pediram autorização para visitar as urnas funerárias, que tinham sido retiradas pelas usinas hidrelétricas, no local onde elas estiverem.

"Após a visita queremos que as urnas roubadas sejam levadas para uma terra que nenhum Pariwat (homem branco) tenha acesso. Essa devolução das urnas tem que ser acompanhada pelos pajés", afirmou. Também cobraram um pedido formal de desculpas aos índigenas pela destruição dos lugares sagrados.

Investigação

O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito civil para apurar a denúncia de indígenas e entidades ligadas a eles de que os índios estariam sendo proibidos de visitar e fazer rituais sagrados.

O MPF informou que o povo Munduruku e ONGs parceiras alegam que os agentes da Força Nacional monitoraram o deslocamento dos indígenas da área do entorno do canteiro de obras até a zona urbana de Alta Floresta e estavam preparados para retirá-los do Museu de História Natural, sob a gestão da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat). Esse museu abriga as urnas funerárias sagradas aos Munduruku.

Além disso, os índios informaram ao MPF que não conseguiram concluir os rituais perante os ancestrais.

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