RADIO WEB JUAZEIRO : CANUDOS: UMA HISTÓRIA MAIS QUE ATUAL!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

CANUDOS: UMA HISTÓRIA MAIS QUE ATUAL!




(Crônica de ERRY JUSTO) 

Ao contrário do que se lê nos livros de história brasileira, o Arraial de Belo Monte, mais conhecido como CANUDOS, crescia à medida que se intensificava a repressão do poder de Estado da recém instaurada República Federativa do Brasil. Não se tratava de pessoas rebeldes que apenas se insurgiam contra a figura do Presidente da República, mas sim, de pessoas humildes que sonhavam, acreditavam e viveram um novo modelo de uma sociedade alternativa em pleno sertão do nordeste brasileiro. A História de Canudos é hoje um símbolo da resistência aos governantes que tiranicamente tiravam até o último centavo do povo pobre em forma de elevados impostos. Resistência também ao abuso de poder vivido pelos “coronéis” de fazendas, que tratavam seus trabalhadores a “pão e água,” negando-lhes a dignidade, o respeito, reconhecimento em forma de justos salários e principalmente fazendo-lhes de subservientes num regime quase que escravo. Surge nesse cenário então um Líder Espiritual, na figura de um beato de nome ANTÔNIO CONSELHEIRO que com muita devoção, fé e determinação, levou todo esse sofrido povo nordestino a uma terra onde se tornou possível se viver num modelo de equanimidade do bem comum. Em Canudos tudo era repartido de forma igual e sem privilégios. Vale-à-pena estudar a fundo essa maravilhosa história que os governantes brasileiros insistiram tanto em querer apagar. Só Deus é Grande! ( Slogan em forma de Saudação de Antônio Conselheiro ). 

Ao enfrentarmos dificuldades e obstáculos em nossa vida cotidiana, aprendemos muito com a história de CANUDOS. 

É óbvio que nos dias de hoje o homem moderno tem outra forma de se comportar e agir perante situações que lhe cobrem atitudes decisivas. Apesar de tantas notícias sobre violência e calamidades provenientes de catástrofes naturais, a população mundial reage de forma mais assistente ou passiva. Aqui no Brasil, talvez devido a torrente de informações e notícias de tragédias à cada minuto veiculada nos meios de comunicação, o povo parece ficar acuado por um sentimento de impotência e desilusão, isso sem falar na descrença geral nas instituições e especialmente na classe política atual. 

A história de Canudos, apesar de mais de um século de existência, convida-nos a refletir sobre o vil comportamento do homem naquela época protagonizado pela crueldade dos coronéis proprietários das grandes fazendas, de um juiz com sérios problemas de personalidade e de militares que achavam-se aptos a exibir sua bravura perante o primeiro Presidente da República, a fim de receber deste honra e altas patentes. 

Nesse genocídio ocorrido sob a tutela do Poder de Estado da recém instaurada República, vemos também o perfil de três personagens principais: 

1) Um beato católico que se torna um Líder Espiritual e Político; 

2) Um povo que amargava a miséria e o acharcamento de altas cobrança de impostos sem ter um “salvador” que os tirasse daquela horrível situação: 

3) E de um “exército” de homens, mulheres e crianças que demonstram de forma prática a importância de se lutar em defesa de suas famílias, de sua gente e de seus ideais. 

O objetivo dessa pequena crônica é apenas de se provar que ao contrário do que o escritor EUCLIDES DA CUNHA fala em seu livro OS SERTÕES, o povo nordestino é um povo de muito valor e respeito. A prova disso foi justamente a resistência até o fim dessa gente humilde ao se defender de três expedições militares antes daquele fatídico genocídio. É claro que havia entre aqueles “bravos sertanejos” gente de “alma iluminada,” brasileiros capazes do mais rico gesto de gentileza e de grandes idéias em situações calamitosas. Nisto o nobre escritor não conseguiu observar pois, sua ótica se posicionava de dentro das fileiras do Exército Brasileiro junto aos seus generais. 

Porém eu passeei ( literalmente ) nos locais onde ocorreu essa história e senti na minha pele o calor escaldante daquela região, o ar seco, as pedras desequilibrantes e escorregadias do solo poeril e quase morto. Eu andei sim onde se esconde muitas ossadas cadavéricas de guerreiros, mulheres e crianças covardemente assassinados naquilo que se pode chamar do maior campo de batalha conservado da humanidade. Parece que cada ladeira, cada cacto, cada pedra, cada desfiladeiro e cada trincheira escavada resistente ao tempo tenta nos falar alguma coisa. O sentimento daquele lugar é sem sombra de dúvida um silêncio cortado pelo som do vento. Vento que espalha a quatro cantos uma imensa cobrança de uma dívida que Estado Brasileiro tem para com os descendentes daquelas famílias massacradas impiedosamente pelo MAIOR GENOCÍDIO DA HISTÓRIA BRASILEIRA. Sim, Canudos é muito mais atual que se possa imaginar. Canudos é a nossa luta diária de hoje e um exemplo de amor e superação para os dias vindouros. 


ERRY JUSTO. 
Radialista e Jornalista.

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