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terça-feira, 7 de novembro de 2017

MORRE VALTER AÉCIO, EX-PRESIDENTE DO OLARIA

Valter Aécio o eterno Presidente da torcida do Olaria

Aécio Barbosa Amorim (Válter Aécio) – Foto: Arquivo

Em 5 de janeiro de 2012, o site Agência CH, na época Blog Esporte Total, publicou um perfil de Aécio Barbosa de Amorim, conhecido por todos como Válter Aécio. A matéria do colaborador Valterlino Pimentel volta a ser publicada em homenagem ao grande desportista que dedicou parte de sua vida ao Olaria Esporte Clube, seu time de coração.

A notícia de sua morte pegou a todos de surpresa e deixa uma grande lacuna no esporte amador juazeirense. No espaço de uma semana, o Olaria perde dois baluartes de sua história: Augusto Moraes e Válter Aécio.

“O Futebol me proporcionou tristezas e alegrias, mas a vida continua”. 

O futebol de Juazeiro sempre foi riquíssimo em valores tanto de atletas, como de dirigentes. Em 1948, chegava a Juazeiro Aécio Barbosa de Amorim, o conhecidíssimo Valter Aécio. Frequentador assíduo do Estádio Adauto Moraes, começou em 1954 a observar as equipes e logo despertou o seu amor pelo Olaria Esporte Clube.

Àquela época, já existia a rivalidade entre os dois times de futebol das maiores torcidas da cidade, o Veneza e o Olaria. Embora fosse um dos grandes do nosso futebol, a torcida do Carranca era mais restrita aos funcionários da Companhia.

De tanto participar como torcedor do Olaria, foi convidado por “José Melado” em 1958, para fazer parte da diretoria do time que aceitou sem pestanejar. Começou a frequentar as reuniões, aguardando ansioso o início do campeonato que não aconteceu, a cidade foi atingida por uma grande enchente não havendo campeonato. Só em 1961 começou na realidade a sua participação no futebol de Juazeiro e em 1962 houve uma eleição para presidente do Olaria sendo eleito Valberto Melo (seu Vavá) e na chapa, como vice-presidente, estava Valter Aécio.

Nesse mesmo ano, por força do trabalho o presidente teve que se ausentar da cidade, sendo transferido para a cidade de Sento Sé e Valter Aécio assumiu a presidência do clube. Seu inicio como dirigente não foi o que ele esperava e o time ficou na lanterna do campeonato em 1963. Já em 1964, alcançou o vice-campeonato (o título de campeão ficou com a equipe do XV de Novembro, de Nelson Costa e Alcides Rufino, o Cidú, que a partir deste título veio a ser conhecido por “Tremendão”).

1969, a perda do tetracampeonato para o arquirrival

Ano seguinte, após promover mudanças estruturais, o Olaria novamente foi vice-campeão juazeirense perdendo o título para o Veneza, mas, em 1966, 1967 e 1968 sagrou-se tricampeão da cidade perdendo o tão esperado tetracampeão para o seu arquirrival o Veneza Futebol Clube em 1969. Recorda com uma ponta de tristeza:

– Essa derrota está marcada para sempre na minha memória. Seguramente foi o fato que mais marcou minha vida, enquanto desportista. A dor era muito grande, tinha certeza do título, a nossa equipe tinha o melhor plantel, era mais técnica e objetiva, mas, por ironia do destino aconteceu a derrota.

Diante de tanta contrariedade, se afastou da direção do Olaria.

Em seu lugar assumiu a equipe outro olariense, João Domingos, outro grande batalhador. Embora não tenha conquistado o título municipal, obteve em 1972 uma das grandes conquistas do Olaria, o Torneio Bahia-Pernambuco, o BAPE, totalmente jogado em Petrolina no Estádio da Associação Rural, em virtude do estádio Adauto Moraes estar sofrendo uma reforma. Este título foi muito festejado, o estádio estava completamente lotado. Ao término do jogo, houve invasão de campo, os torcedores resolveram ir a pé de Petrolina a Juazeiro, interditando o trânsito na Ponte Presidente Dutra.

O tetra e o troféu de Campeão do Centenário

Treinado por Raimundo Amarildo, o Olaria foi campeão de 1976 com jogadores do nível de Panchito, Valdeci, Lulinha, Mosquitinho, Didi, Nunes e Garrinchinha, entre outros.

No período de 72 a75, a hegemonia do rival Veneza era absoluta e da arquibancada Valter Aécio assistiu o azulino conquistar o tetracampeonato de Juazeiro. Então resolveu voltar ao futebol, conseguindo de imediato um vice-campeonato. Logo ele daria o troco e comandou o Olaria nos títulos de 1976 a 1979 conquistando o tetracampeonato e, para seu orgulho, o simbólico troféu de Campeão do Centenário, revela emocionado: “Esta foi uma das maiores alegrias de minha vida”.

Amistosos e calotes

Valter Aécio relata ainda que a equipe realizou algumas partidas em várias cidades de diversos estados com grandes vitórias e muitas festas.

– Certa ocasião, fomos contratados para jogar em Cajazeiras contra o Botafogo e em Barreiras contra o Flamengo. Após o término das partidas tomamos o famoso calote. O pagamento só foi repassado pela metade do contrato, comprometendo o “bicho” dos jogadores, que ficaram revoltados e proferindo palavras de baixo calão, mas preferiram acreditar no dirigente Valter Aécio, que gozava de grande prestigio. Após várias jornadas e sentindo que não tinha mais condições físicas de “levar o barco” resolveu “pendurar as chuteiras”.

Relata ainda emocionado a colaboração que teve de desportistas de grande valor para a equipe alvinegra como: Dr. Pedro Alcântara, Dr. Paulo Afonso, Dr. João Oliveira, Vavá Melo, Tico, seu Toinzinho e tantos outros. Enfatiza que teve muitas alegrias e tristezas no futebol e que a vida continua. O futebol foi muito importante na sua vida, adquiriu muitos conhecimentos, soube sempre tratar bem o torcedor, os adversários, muitas amizades foram conquistadas e a certeza que fez o que mais gostava: futebol à frente do seu Olaria Esporte Clube.


www.blogesportetotal.com.br – Texto e fotos: Pinguim

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