RADIO WEB JUAZEIRO : POLÊMICA NA CÂMARA DE VEREADORES DE PETROLINA

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

POLÊMICA NA CÂMARA DE VEREADORES DE PETROLINA

Moção de aplausos para Pai de Santo gera mais de uma hora de embate entre vereadores

por Karine Paixão 


Discussões, debate, troca de acusações e uma confusão que durou pouco mais de uma hora na Câmara de Petrolina. A sessão desta terça-feira (31) marcou mais um episódio em que os problemas da população foram deixados de lado para se discutir religião e os valores de alguns parlamentares. A celeuma foi montada em torno do requerimento nº 380/2017 que concede uma moção de aplausos para o Alcides Manoel dos Reis, conhecido como Pai Cido de Oshun pelo lançamento de um DVD ocorrido na semana passada em Petrolina. 

A autora, Cristina Costa (PT) fez a solicitação de forma verbal na sessão do dia 26 de outubro e que foi aprovado sem ressalvas. Esse mesmo requerimento foi apresentado na pauta de ontem (31) e o líder da oposição Paulo Valgueiro (PMDB) reforçou que ele já havia sido aprovado. Nesse momento, os parlamentares evangélicos perceberam que tinham apoiado tal homenagem ao Pai Cido e na plenária de ontem (31) buscaram reverter a situação. “Senhor presidente retire o requerimento porque foi acordado e tem a portaria determinando só urgência urgentíssima, nós não aprovamos nada aqui”, disparou Osinaldo Souza (PTB). Valgueiro então partiu em defesa da moção de aplausos proposta pela petista. “Eu gostaria de saber se houve mudança na Lei Orgânica, no Regimento Interno tirando a soberania do plenário. Se os vereadores estavam dormindo e aprovaram sem saber o que estavam aprovando... Mas o plenário na sessão de terça-feira (26) aprovou o requerimento e é soberano”. 

Ruy Wanderley solicitou que na ata daquela sessão constasse que ele se posiciona contrário a moção de aplausos, mas o vereador Osinaldo Souza quis mais: a anulação da homenagem aprovada. Para o evangélico, o requerimento verbal só pode ser feito quando o assunto é classificado como urgência urgentíssima conforme uma portaria aprovada pela casa. Portanto, no seu entendimento, a moção de aplausos para o Pai Cido de Oshum seria irregular. “Antes de terça-feira vossa excelência já tinha dito que requerimento só entraria aqui de urgência urgentíssima, é tanto que a moção de profundo pesar de evangelista só foi lido hoje aqui porque só fizeram menção, não entramos. Fica difícil aqui querer fazer pegadinha em requerimento sem ele passar pela aprovação dese plenário não existe. A gente se ausenta alguém vem, apresenta requerimento”. 

O presidente da mesa diretora, Osório Siqueira rebateu a acusação de pegadinha e foi enfático. “Se existiu pegadinha aqui não foi do presidente. Não estamos aqui para jogar para a plateia, estamos aqui para ser justo”, disparou justificando que, mesmo com a portaria determinando que requerimentos verbais só seriam aceitos se fossem classificados como urgência urgentíssima, existe a prerrogativa da mesa diretora em aceitar solicitações fora dessa modalidade. 

Inclusive, o requerimento de Cristina Costa consta na ata de nº 19 como aprovado por todos os vereadores presentes. A vereadora inclusive recebeu o documento com a transcrição da sua solicitação e a moção de aplausos já seria encaminhada ao homenageado que estava na plateia e retirou-se constrangido. Para Costa os parlamentares não estariam atentos ao que estão votando e isso diz muito sobre a conduta de cada eleito. Cristina também acusa o vereador Osinaldo de praticar a intolerância religiosa na Casa Plínio Amorim. 

“Sobre pegadinha, quero dizer aqui que o gato disso usa, disso cuida. Em nenhum momento eu vou usar de má-fé, da inverdade, do autoritarismo, da arrogância, da prepotência e da intolerância aqui diante desse Poder Legislativo, falso moralismo também. Em nenhum momento foi feito pegadinha, está gravado. Agora prestem atenção, pegadinha quer fazer agora o vereador que vem para a sessão, não presta atenção no se coloca, não escuta a sessão e quer dizer agora que a gente fica fazendo coisa errada. Chega atrasado. Quero dizer que sou católica, temente a Deus e respeito o artigo 5º da Constituição. Respeito Ruy, o processo democrático da sua religião, vossas excelências podem votar contrário porque vereadora a Cristina aqui, todo projeto ela analisa. Eu não voto porque os outros querem, porque prefeito tá mandando eu votar, não voto porque não tenho conhecimento de causa, eu voto consciente”, afirmou Costa. 

Osinaldo Souza não admite a desatenção, diz que a mesa diretora errou em validar a moção de aplausos para o Pai Cido de Oshum e garante que vai entrar com um requerimento anulando tal homenagem. “Estou aqui dizendo que existe uma portaria que tem que ser obedecida porque se ela não tivesse força de regulamentação, para que baixar uma baixaria. Eu não preciso fiscalizar, o presidente não pode dispensar isso porque só pode ser analisado requerimento de urgência e urgentíssima e não ficou claro que o (requerimento) dela estava sendo apreciado não na sessão anterior, pelo contrário, nós aprovamos os requerimentos que tinham dado entrada na casa de maneira normal. Nós vamos entrar com o pedido de anulação dele e aí quem quiser dizer que foi favorável ou não vai se manifestar na sessão que vem”.

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