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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

SÍTIO ARQUEOLÓGICO SUBMERSO É DESCOBERTO NO MÉXICO

Maior sítio arqueológico submerso do mundo é descoberto no México

Sac Actún tem quase 350 quilômetros de comprimento e possui evidências dos primeiros habitantes da América, da cultura maia e de fauna extinta

Exploradores no sistema Sac Actún, em Tulum. HERBERT MEYRL PROYECTO GAM

Um dos locais do além-mundo maia veio à luz. O maior sistema de cavernas inundadas já registrado foi descoberto em Tulum, na Riviera Maia do México. Um grupo de exploradores do projeto Grande Aquífero Maia descobriu que os sistemas de Sac Actún e Dos Ojos estão conectados, o que abriu um novo corredor em um labirinto subterrâneo que mede aproximadamente 347 quilômetros. Os pesquisadores encontraram centenas de objetos arqueológicos que dão indícios dos primeiros habitantes da América, da cultura maia e de animais extintos. “Essa imensa caverna representa o mais importante sítio arqueológico submerso do mundo”, afirma Guillermo de Anda, especialista do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) e diretor da pesquisa.

Os cenotes (do maia dzonoot), como são conhecidos no México as imensas cavidades naturais aquíferas e olhos d’água, ocupavam um local central na cosmogonia maia, explica Guillermo de Anda. Eram o além-mundo e o terceiro nível do universo maia, depois do céu e da terra, mas sem uma conotação negativa como o inferno do cristianismo. “É uma região muito poderosa, mágica, onde reina o sobrenatural, onde vivem os deuses e as deidades, onde convivem o bem e o mal, e era também de onde surgiam os homens”, diz o pesquisador. Os cenotes, nas palavras do especialista, eram o cenário principal do mito da criação dessa civilização, que se estendeu do sudeste do México até Honduras e El Salvador.

As descobertas da pesquisa confirmam esse sentido místico. Foram encontrados restos de jarros de cerâmica maia, objetos que datam da época da Colônia e contextos funerários e sacrificiais, que os pesquisadores ainda analisam. Havia também restos humanos e de uma grande quantidade de animais como elefantes, preguiças gigantes, ursos, tigres e cavalos antigos. “É um túnel do tempo, que nos transporta em alguns casos a 12.000 e 10.000 anos atrás”, diz Anda. O difícil acesso aos cenotes ajudou a fazer com que os materiais arqueológicos se conservassem em ótimas condições para seu estudo, sem alterações e desgaste pelo contato com o homem.

Os pesquisadores do Grande Aquífero Maia levaram 10 meses para decifrar a conexão entre os dois sistemas de cavernas inundadas, o que descreveram como uma “intensa” temporada de trabalho que começou em março do ano passado. Alguns membros da equipe, como o mergulhador-chefe Robert Schmittner, passaram mais de 20 anos percorrendo as galerias submersas e 14 anos procurando a conexão entre as grandes cavernas. “Estivemos muito próximos antes, uma vez ficamos a um metro de conectar os dois sistemas”, diz Schmittner. “Era como percorrer as veias de um corpo, um labirinto de caminhos que se uniam e se separavam e precisávamos ser muito cuidadosos”, afirma o mergulhador sobre as passagens de água, que em alguns casos tinham um metro de profundidade e nas partes mais fundas chegavam aos 120 metros sob a terra.

Os exploradores realizaram a descoberta em 10 de janeiro e, com a união, o “novo” sistema adotou o nome de Sac Actún (do maia caverna branca), o maior dos dois, e o sistema Dos Ojos deixou de existir. O Sac Actún era há poucos dias atrás o segundo maior sistema de cenotes atrás do Ox Bel Ha, que significa três caminhos de água, mede 270 quilômetros e também está na Riviera Maia.

Apesar da descoberta, os pesquisadores continuam com o titânico trabalho de encontrar as conexões de Sac Actún com outros dois grandes sistemas subterrâneos. Somente no norte de Quintana Roo, na península do Iucatã, calcula-se que existem 1.400 quilômetros subterrâneos de água doce divididos em 358 sistemas, de acordo com o estudo espeleológico do Estado sulista mexicano. Os próximos passos do grupo de trabalho incluirão a análise da água subterrânea e o estudo da diversidade, assim como a adoção de medidas que ajudem a conservar o local.


EL PAÍS

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