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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

INOCENTE É PRESO E DIZ QUE VIVEU NO INFERNO

Após ser solto, homem diz que viveu 'inferno' com acusação no caso da morte de crianças no RS

Paulo Ademir Norbert da Silva, um dos presos no decorrer do inquérito, foi inocentado após a polícia identificar que testemunhas haviam sido manipuladas. Ele relatou que teve medo de ser envenenado na cadeia.

Por Daniel Favero, G1 RS
Paulo Ademir Norbert da Silva disse ter vivido um inferno após sua prisão 
(Foto: Daniel Favero/G1)

Após passar mais de 20 dias preso, Paulo Ademir Norbert da Silva diz que viveu "um inferno". Ele estava entre os cinco suspeitos que foram para a prisão por envolvimento na morte e esquartejamento de duas crianças, e que a polícia inocentou na quarta-feira (7) após a investigação apontar que testemunhas haviam mentido.

"Foi a coisa mais horrível do mundo que se pode imaginar. Família sofrendo, eu sofrendo sem dever nada, todo mundo sofrendo junto. Passar por um inferno, acabar com a tua vida...", relatou ao G1.

"Tenho que limpar meu nome perante à sociedade, porque para muitos eu ainda continuo sendo um monstro, coisa que eu não sou, eu não fiz nada."

A investigação do caso "voltou ao zero" com a descoberta dos falsos testemunhos, como informou o delegado titular Rogério Baggio ainda na quarta, após a Justiça conceder liberdade aos sete suspeitos que haviam tido a prisão preventiva decretada - dois ainda era foragidos.

O inquérito conduzido pelo delegado substituto será analisado pela Corregedoria da Polícia Civil. À época, Moacir Fermino afirmou que teve uma "revelação divina" por meio de dois profetas para relacionar a morte das crianças aos suspeitos.

Norbert, que é empresário, conta que foi preso sem muita explicação, e que teve medo de ser morto na cadeia por conta das acusações que tinham sido levantadas contra ele.

"Fiquei seis dias na delegacia, depois fui para o presídio de Montenegro, onde fiquei seis dias em um brete (...) Depois fui levado para uma galeria com 136 presos, com nove presos em cada cela, com todo tipo de gente, que havia cometido todo o tipo de crime. Mas eu ficava na minha."

Preso por conta de falso testemunho, Paulo Norbert fala sobre o que sentiu ao chegar em casa

Ele foi solto na quarta-feira (7) por decisão judicial, a pedido da própria Polícia Civil, após a investigação apontar que as testemunhas que embasaram o inquérito haviam mentido.

Uma pessoa foi presa preventivamente também na quarta, suspeita de induzir os relatos que levaram à prisão de Norbert e mais quatro pessoas. A corregedoria da Polícia Civil vai analisar a forma como o inquérito foi conduzido.

Norbert afirma que, dos outros presos ou com prisão decretada, conhecia apenas Jair da Silva, com quem tinha negócios. "Fazia negócio, vendia carro velho", afirmou. No entanto, negou que conhecesse Silvio Fernandes Rodrigues, apontado como líder de um templo satânico que inicialmente foi ligado às mortes. "Sou católico, casado, batizei minha filha há quatro meses", afirmou.

O empresário agradeceu ao delegado Rogério Baggio, que foi o responsável por elucidar que as testemunhas chave do inquérito haviam mentido. "Chegou a verdade de que a gente não deve nada".

Indagado sobre os motivos que poderiam ter levado alguém a inventar a história, Norbert foi categórico.

"Isso é loucura, é um absurdo, não tem o que dizer. Matar criança. Quem é um monstro que mata criança? Eu tenho seis filhos, não tenho o que dizer, sou avô, tenho dois netos. É psicopata que faz isso."

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Advogado Sérgio Campelo diz que teve dificuldade para ter acesso ao inquérito logo após a prisão de seu cliente (Foto: Daniel Favero/G1)

Sérgio Campelo, advogado que representa Norbert, afirma que o foco agora é recuperar a imagem de seu cliente perante à sociedade. Ele reclama da falta de acesso ao inquérito, quando ainda era conduzido pelo delegado Moacir Fermino, que assumiu o caso durante as férias do titular da Delegacia de Homicídios, Rogério Baggio.

Também classifica a história como "fantasiosa". "Houve envolvimento até de questões religiosas, o inquérito foi baseado em suposições, sem indícios. Tanto que a prisão foi decretada por causa de uma testemunha. E se analisarmos o processo, nada falava sobre a questão do nosso cliente", resumiu.

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