RADIO WEB JUAZEIRO : DESFAZENDO BOATOS
quinta-feira, 10 de maio de 2018

DESFAZENDO BOATOS

#Éboato áudio de oncologista que recomenda chá de graviola para curar câncer

Por: Roney Domingos e Marcelo Parreira, G1 e TV Globo 

Oncologista Rafael Onuki Sato registrou boletim de ocorrência no 1º Distrito Polícial de Londrina contra o autor da mensagem Foto: Reprodução


Um áudio atribuído ao médico oncologista Rafael Onuki Sato tem circulado pelo WhatsApp em várias regiões do país com a informação de que o chá de folhas de graviola mata células de câncer. A mensagem reproduz o que diz ser uma entrevista em um programa de rádio, mas o trecho divulgado não identifica os participantes do programa e a emissora de rádio que o transmite. Em um dado momento, tem-se a impressão de que o locutor dirige-se ao entrevistado chamando-o apenas de doutor.

Onuki registrou boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de Londrina no último dia 24 contra o autor da mensagem que atribui o áudio a ele. Ele publicou o boletim de ocorrência em seu perfil no Facebook e também uma mensagem em que comunica ao Conselho Federal de Medicina que não é a pessoa que fala no áudio. Ele aponta que o áudio é editado e não menciona nomes. Também condena o conteúdo da fala, dizendo que contém informações infundadas referentes à imunidade humana, AIDS, hipertensão arterial e descontaminação de alimentos com iodo.

— Sou totalmente contra o conteúdo veiculado no áudio, e para referências futuras, contra qualquer tipo de medicina alternativa ao tratamento convencional como substituição ao tratamento do câncer, a menos que devidamente testada e aprovada por órgãos competentes e com extensos trabalhos científicos e pesquisas, com a ressalva óbvia dos protocolos de pesquisa cientifica das grandes instituições de referência no assunto.


O delegado Edgard Soriani, do 1º Distrito Policial de Londrina, diz que o autor da mensagem pode responder por falsa identidade. O delegado afirma que, se o médico representar, pode ser aberto um inquérito para investigar o caso.

— Eu vou procurar falar com ele. O problema é achar isso aí. Provavelmente é crime virtual. Vamos ter de buscar apoio do Nuciber (Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná), mas não há veiculação de pedido de dinheiro, não há outro crime. Eles estão simplesmente com uma falsa identidade noticiando uma notícia fake news.

Para o delegado, se o autor da mensagem for identificado pode ter de assinar um termo circunstanciado e, se condenado, pegar até dois anos de reclusão pela falsa identidade — nesse caso, apenas por fazer uso indevido da imagem do médico.

— Tem de ver qual o site em que foi veiculado, qual o IP (endereço) da máquina. É um processo extremamente burocrático e demorado, porque às vezes vai pesquisar e é uma lan house. Se o cara tiver algum conhecimento de internet ele vai maquiar IP. Ai é muito dificil, usa IP de fora, enfim, é um serviço árduo para um crime pequeno.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica também se manifestou contra o conteúdo do áudio e condenou falsas informações que, disseminadas na internet, criam falsas esperanças a pacientes e prejudicam seus tratamentos.

Veja a íntegra da nota:

"À luz do que está circulando em aplicativos de mensagens, que afirma que folhas de graviola podem matar células cancerígenas, a Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) vem a público reiterar seu apoio apenas a condutas que tenham evidências científicas de benefício clínico no tratamento do câncer.

A SBOC reforça a importância de os pacientes seguirem os tratamentos convencionais, recomendados por médicos oncologistas clínicos, que possuem protocolos de pesquisa e controles sistemáticos de seus efeitos.

Informações falsas disseminadas na internet, criam falsas esperanças a pacientes e prejudicam seus tratamentos.

Por fim, reforça seu compromisso permanente de participar do processo de construção de melhores práticas médicas, visando proporcionar ganhos de sobrevida e bem-estar para os pacientes com câncer, colocando-se à disposição para dialogar com toda a sociedade".

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