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sexta-feira, 29 de junho de 2018

BANCÁRIO FOI ENTERRADO VIVO

De volta ao banco dos réus, comerciante é condenado a 17 anos de prisão por enterrar bancário vivo em Serrana, SP

Adelir da Silva Mota havia sido condenado a 18 anos de prisão, mas TJ-SP anulou sentença em 2016. Analista financeiro do banco de Paris Carlos Alberto Araújo foi morto por dívida de R$ 620 mil.

Por Adriano Oliveira, G1 Ribeirão e Franca

No banco dos réus pela segunda vez, o ex-administrador de lava a jato Adelir da Silva Mota foi condenado a 17 anos de prisão pela morte do o analista financeiro do Banco Nacional de Paris Carlos Alberto de Souza Araújo, em fevereiro de 2003, em Ribeirão Preto (SP).

O advogado Luiz Carlos Martins Joaquim afirmou que ingressará com um pedido de habeas corpus para que o cliente possa recorrer da pena em liberdade.

Mota já havia sido condenado a 18 anos de prisão pelo mesmo crime, em novembro de 2014. Entretanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou a sentença, alegando que o réu não poderia responder pelo crime de ocultação de cadáver, já que a vítima foi enterrada viva.

Na noite desta quinta-feira (28), o novo júri entendeu que Mota deveria ser responsabilizado por homicídio triplamente qualificado: hediondo, por motivo torpe, meio cruel e com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Segundo o Ministério Público, o analista financeiro morreu após ser espancado e enterrado vivo por Mota e pelo empresário Alexandre Titoto, que foi condenado a 25 anos de prisão, mas está em liberdade graças a um habeas corpus concedido pelo TJ-SP.

O motivo do crime, ainda de acordo com o MP, foi uma dívida de R$ 405 mil – valor atualizado em R$ 620 mil – que a vítima cobrava de Titoto. O empresário pediu a ajuda de Mota para matar a vítima dentro do escritório em Ribeirão, em fevereiro de 2003.

Adelir da Silva Mota foi condenado por matar analista financeiro do banco de Paris em Ribeirão Preto (Foto: Carlos Trinca/EPTV/Arquivo)

Condenação

O promotor Marcus Túlio Nicolino afirmou que no primeiro julgamento, em 2014, Mota foi condenado a 17 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e a um ano de reclusão pelo crime de ocultação de cadáver, pena que depois foi anulada pelo TJ-SP.

“Então, estávamos limitados porque, como ele já havia sido condenado no julgamento anterior a 17 anos de prisão pelo homicídio e a um ano por ocultação de cadáver, mas esse crime foi retirado, a pena não poderia ser aumentada. O juiz fixou no máximo que poderia”, disse.

Ainda segundo Nicolino, a sentença determinou a prisão imediata de Mota, que deixou o Fórum de Ribeirão Preto algemado e foi levado à Central de Flagrantes da Polícia Civil, onde passou a madrugada desta sexta-feira (29).

Defesa

O advogado Luiz Carlos Martins Joaquim disse acreditar que o TJ-SP vai conceder um habeas corpus para que Mota possa recorrer da sentença em liberdade, uma vez que Titoto obteve o mesmo direito, apesar de ter recebido uma pena maior.

Além disso, a defesa alega que Mota não tem antecedentes criminais, não estava foragido e compareceu ao julgamento. Joaquim também disse que ingressará com recurso para que a pena de 17 anos de prisão seja reduzida.

"Cabe recurso para diminuir a pena porque o motivo torpe, que constitui a qualificadora, não é de prosperar. O próprio TJ já afirmou que não ficou comprovado. Só que eu não poderia mencionar o acórdão no plenário, então vai ter que ser por recurso", afirmou.
Carlos Alberto de Souza Araújo era analista financeiro do Banco Nacional de Paris (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)

Cobrança de dívida

Titoto chegou a ser preso na época do crime. À Polícia Civil, ele afirmou que fazia aplicações financeiras com Araújo, quando passaram a discutir por causa da venda de um carro importado: a vítima não teria recebido o valor combinado de R$ 405 mil - atualizado em R$ 620 mil.

Os dois iniciaram uma briga com agressões físicas e Mota - que prestava serviços para Titoto - disse em depoimento que interferiu, agredindo o analista financeiro com socos e com pedaços de uma moldura de quadro.

A Promotoria sustentou a tese de que a vítima perdeu os sentidos após a agressão. Mota e Titoto, acreditando que Araújo estivesse morto, enterraram o corpo na fazenda do empresário em Serrana, a 50 quilômetros de Ribeirão, onde o crime teve início.

O exame necroscópico feito pelo Instituto Médico Legal (IML) constatou que Araújo foi enterrado vivo. O atestado de óbito indica morte por traumatismo craniano, asfixia mecânica e soterramento - havia vestígios de terra nos pulmões.

Segundo o Ministério Público, Carlos Alberto de Souza Araújo foi enterrado vivo em Serrana (Foto: Josinaldo Rodrigues/EPTV/Arquivo)

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