RADIO WEB JUAZEIRO : EMPRESÁRIA MATA O MARIDO ENQUANTO ELE DORMIA
segunda-feira, 13 de agosto de 2018

EMPRESÁRIA MATA O MARIDO ENQUANTO ELE DORMIA

Segundo a acusação, mulher pretendia ficar com bens do casal; ré alega legítima defesa.

Por Kleber Tomaz, G1 SP, São Paulo
Empresária Andressa Ramos de Araújo (foto maior) é acusada de matar o marido, Sérgio Francisco (no detalhe), para ficar com os bens do casal só para ela (Foto: Kleber Tomaz/G1 e Arquivo pessoal)


Após mais de cinco anos, uma empresária vai a júri em São Paulo, nesta segunda-feira (13), acusada de matar o marido, o representante comercial Sérgio Fernandes, com um tiro na nuca enquanto ele dormia.

Segundo o Ministério Público (MP), Andressa Ramos de Araújo cometeu o crime para ficar com os bens adquiridos pelo casal. A ré, que responde ao processo em liberdade, nega a acusação: alega que agiu em legítima defesa após ter sido traída, xingada de "gorda" e apanhado de Sérgio. Segundo ela, o disparo foi acidental.

O crime foi cometido na residência onde eles moravam, em 24 de janeiro de 2013, na Zona Leste da capital. O julgamento do caso está marcado para começar às 13h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. Ana Helena Rodrigues Mellim é a juíza do processo.

Para a Promotoria, Andressa premeditou o assassinato do marido, com quem estava casada havia 12 anos e tem um filho. Além disso, teria modificado a cena do crime, carregando o corpo enrolado numa coberta até a garagem. Em seguida se desfez da arma.

A mulher estava com 28 anos à época. A vítima tinha 33 e a criança, 4. O garoto também dormia no imóvel quando o pai foi morto.

Acusação

Andressa é acusada de homicídio doloso (com intenção) qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, além de fraude processual. A Justiça negou o pedido do MP para que ela ficasse presa preventivamente até ser julgada.

“A tese acusatória é de que houve premeditação. Havia um interesse patrimonial na morte do marido”, disse ao G1 o promotor Leonardo Sombreira Spina, que disse basear sua acusação em provas periciais e laudos técnicos.

“A versão dela de legítima defesa é incompatível. Ela matou a vítima enquanto dormia, e com um tiro na nuca”, disse o promotor Spina.

Testemunhas da acusação que serão ouvidas contarão, por exemplo, que Francisco deu antes do crime um carro Space Fox a Andressa. O representante comercial ainda era dono de outros dois veículos: um BMW e uma picape Ranger. Segundo a investigação, a empresária ganhou também do marido um salão de cabelereiro para ser dona e administrar.

Defesa

Mesmo em liberdade, Andressa irá comparecer ao seu julgamento, de acordo com o advogado Davi Gebara. “Tenho consciência de que ela será absolvida pelos jurados. Foi legítima defesa”, afirmou o advogado, que alega ter diversos boletins de ocorrência que comprovam que a ré sofria violência doméstica.

“Ela vinha sofrendo histórico grande de violência moral e física”, disse o advogado Gebara.

A reportagem não localizou Andressa para comentar o assunto nesta semana. Em 2013, ela falou ao G1 que não teve intenção de matar o marido, mas de se proteger dele. Naquela ocasião, pediu para não mostrar o rosto.

“Ele chegou embriagado, gritando: ‘Hoje eu é que vou dormir na cama. Sai daí’. Depois vi os ‘torpedos’ [mensagens de outras mulheres no celular]. Em seguida, gritou para eu parar de mexer nas coisas dele. Então eu perguntei se era isso o que ele fazia enquanto trabalhava e cuidava do nosso filho e de nossa casa”, disse Andressa naquela ocasião.

“Ele falou que eu não sabia me cuidar. Me chamou de 'gorda' e por isso buscava outras mulheres na rua”, disse Andressa.

A empresária contou ter encontrado a arma, que, segundo ela, era do marido, numa gaveta, junto com o telefone. "Ele me viu e falou que iria me matar. Depois escutei um disparo e me escondi. Não tive intenção de matá-lo. Foi uma tragédia”, disse Andressa sobre o tiro.

Após matar o marido, a mulher arrastou o corpo dele com uma coberta até um cômodo para que a criança não o visse. Chegou a colocar a casinha do cachorro na frente de Francisco. No rosto dele, um saco preto.

Ela saiu da casa, ligou para um advogado, que acionou a Polícia Militar. Cinco dias depois, ela se apresentou à Polícia Civil.

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