RADIO WEB JUAZEIRO : HOTÉIS DO RIO DE JANEIRO ESTÃO FECHANDO AS PORTAS POR FALTA DE CLIENTES
quarta-feira, 1 de agosto de 2018

HOTÉIS DO RIO DE JANEIRO ESTÃO FECHANDO AS PORTAS POR FALTA DE CLIENTES

Após expansão de leitos para Olimpíada, crise leva 13 hotéis a fechar as portas no Rio

Setor hoteleiro tem hoje mais quartos do que turistas interessados em ocupá-los


POR FÁBIO TEIXEIRA / SIMONE CANDIDA

Setor hoteleiro tem hoje mais quartos do que turistas interessados em ocupá-los - Hudson Pontes / Agência O GLOBO

Era para ser um legado olímpico, mas a expansão do número de hotéis no Rio transformou-se num pesadelo para as grandes redes que apostaram na cidade. Passada a euforia dos Jogos, o setor hoje tem mais quartos do que turistas interessados em ocupá-los. O resultado do desequilíbrio na equação é uma crise sem precedentes, que já levou ao fechamento, desde o final de 2016, de 13 hotéis. Outros três empreendimentos também cerraram as portas, alegando reformas. A perda mais recente é a do Mercure Barra. Inaugurado em 2014, na Avenida do Pepê, na Barra, ele vai encerrar de vez as atividades hoje, como revelou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO.

Juntos, os 16 hotéis que deixaram de funcionar nos últimos dois anos tinham 2.828 quartos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ). Quatro deles ficavam no Centro — e não houve burburinho da Lapa ou renovação do Porto que ajudasse os negócios a deslanchar. A ocupação média na área, no mês de julho, normalmente um bom período por causa das férias escolares, foi de apenas 23,4%, quase metade da média da cidade, de 42,60%. Na Barra e São Conrado, que perderam três empreendimentos, entre desistências e obras, a ocupação, no mesmo período, foi de 37,80%, diz a entidade.

O retrato da crise - Editoria de Arte / O GLOBO

A queda na atividade turística do Rio vem ocorrendo no mesmo ritmo frenético da expansão que o setor experimentou no período pré-olímpico. Impulsionados pela esperança de que o Rio seria a “capital da vez”, e também por uma linha de crédito especial do BNDES, os empresários hoteleiros ergueram milhares de quartos. Em 2016, os turistas tinham à disposição 58.983 leitos, um aumento de 64,3% em relação aos 35.899 existentes em 2012, segundo dados do Cadastur, do Ministério do Turismo.

— Chegamos a quase 60 mil quartos no mercado. Para piorar, a maioria dos hotéis foi feita na Barra, que tinha mais espaço, mas é um bairro desconhecido dos turistas internacionalmente — diz o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, que aponta a falta de investimentos, até mais do que a violência, como a principal culpada pela crise. — Depois das Olimpíadas, não tivemos nenhuma propaganda para atrair o consumidor final, vender o Rio em todo país e no mundo .

Segundo Lopes, hotéis que anunciam reformas também podem estar em dificuldades. Ele diz que é praxe no mercado suspender as atividades e anunciar obras ou retrofits para reabrir num momento de recuperação da atividade econômica.

PIOR RESULTADO DO PAÍS

O reflexo disso, porém, é a alta no desemprego. Um estudo publicado ontem pela Confederação Nacional de Comércio, Bens, Serviços e Turismo mostra que o Rio perdeu 2.244 vagas no setor turístico em junho. O economista da CNC Antonio Everton diz que o resultado é o pior do país, que, no total, teve uma queda de 7.743 vagas. Para ele, a crise financeira do estado também é culpada, pois leva a uma redução no turismo corporativo.

— O Rio de Janeiro deixa de recepcionar eventos corporativos por causa da crise — afirma ele. — Há também o impacto da violência, que não é desprezível.

Com tantos empecilhos, os empreendimentos que resistem têm adotado estratégias para se manter — e a redução no valor das diárias é uma delas. No réveillon, por exemplo, o setor alcançou quase 100% da capacidade, mas isso porque reduziu o preço da hospedagem em até 35%.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, está esperançoso de que a situação mude. Ele diz não ter recursos para aplicar na promoção da cidade no exterior, mas garante que captará verbas, ano que vem, por meio de parcerias. E estima que obterá R$ 30 milhões, três vezes mais do que o valor de que dispõe hoje.

EMPREENDIMENTOS QUE ESTÃO SEM FUNCIONAR

Marina Palace

Eternizado na música "Virgem", de Marina Lima, o empreendimento de 150 quartos foi inaugurado no Leblon na década de 1980. Em 2017, foi fechado para obras. Deve reabrir em 2019

Hotel Marina Palace - Reprodução

Gran Meliá Hotel Nacional

Após 21 anos fechado, o hotel de São Conrado passou por obras de R$ 430 milhões e reabriu em dezembro de 2016. Quinze meses depois, fechou. Os donos esperam poder reabrir em breve.

Hotel Gran Meliá Hotel Nacional - Reprodução

Sofitel Copacabana

Com 400 quartos, o hotel está fechado para obras desde maio de 2017 . Segundo a rede Accor, dona do empreendimento, ele renascerá com a bandeira Fairmont, de cinco estrelas, em 2019.

Sofitel Copacabana - Reprodução

Pullman

Localizado em São Conrado, o hotel possui 418 quartos e uma estrutura que mescla ambientes para os negócios e para o lazer. Está fechado para reformas. Também faz parte da rede Accor.

Pullman - Reprodução

Rios Nice

O hotel da Rua Visconde de Inhaúma foi um dos empreendimentos do Centro que não resistiu à crise, segundo a ABIH. O espaço, que tinha 120 quartos, encerrou as atividades em 2017.

Hotel Rios Nice - Reprodução

Ipanema Plaza

Na Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, o hotel de 140 quartos foi mais um que sucumbiu à crise no setor, aponta a ABIH. O site continua em funcionamento, mas não aceita mais reservas.

Ipanema Plaza - Reprodução

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