RADIO WEB JUAZEIRO : CAPITÃO DA MARINHA É ACUSADO DE ESTUPRO
segunda-feira, 24 de setembro de 2018

CAPITÃO DA MARINHA É ACUSADO DE ESTUPRO

Exame de DNA em guimba de cigarro aponta militar como acusado de estupro

Nas redes sociais, militar acusado de estupro mostra orgulho pela carreira 
Foto: Reprodução / Facebook

Diego Amorim

Uma guimba de cigarro deixada no canteiro da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), em Jacarepaguá, Zona Oeste, foi a responsável por identificar o capitão da Marinha André Charmarelli Teixeira, de 36 anos, como o acusado de um estupro. Ele já era suspeito de praticar o crime contra uma vizinha. No entanto, em depoimentos à polícia, sempre negou qualquer envolvimento. Indícios levaram agentes a recolher as guimbas e encaminhá-las para o Instituto de Pesquisa em Genética da Polícia Civil, que atestou a compatibilidade do DNA entre os vestígios encontrados no local e na saliva.

— Ele já vinha sendo considerado suspeito de ser o autor do estupro e chegou a ser ouvido. Mas, na presença do advogado, negava qualquer envolvimento. Só que ele é fumante e deixou guimbas que foram usadas no exame, confrontando com o sangue encontrado no apartamento — explicou a delegada titular da Deam, Rita Salim.

Acusado de estupro é fumante e deixou guimbas que foram usadas como material para o exame Foto: Divulgação


O caso ocorreu em abril, no apartamento da vítima, também em Jacarepaguá. De acordo com a mulher, ela estava dormindo quando acordou com o agressor na sua cama, encapuzado e portando uma arma de fogo, tentando sufocá-la com um pano embebido em uma susbstância entorpecente. Após entrarem em luta corporal, ela mordeu a mão de André e se desvincilhou. Contudo, ele a ameaçou com a arma e voltou a cometer o abuso sexual, largando então a pistola calibre 40 ao lado da cama.

— Nesse momento ela conseguiu desarmá-lo e dar uma coronhada nele. Os dois foram lutando até o banheiro, onde ela deixou cair o carregador da arma dentro do vaso sanitário. Foi então que ele tomou a pistola de volta e foi embora — conta a delegada.

Carregador de pistola dentro do vaso sanitário
Reprodução da tela do Whatsapp com a foto enviada pela vítima


Bastante assustada, a vítima se trancou no quarto e pediu ajuda a vizinhos em um grupo do Whatsapp. O militar foi o primeiro a oferecer auxílio, perguntando se podia entrar no imóvel pela varanda, já que a porta principal também estava trancada. Ao chegar no apartamento, a mulher reconheceu a voz do vizinho de porta como sendo a mesma do agressor. Ao saber que o carregador estava dentro da privada, ele pegou e guardou na cintura. Com a chegada dos PMs, ele, que já tinha ido novamente em casa, negou que teria pegado o objeto.

— Juntando esses dois pontos, a identificação da voz e o fato dele ter mentido para os policiais militares, ela teve a certeza de que era o autor do estupro — comenta.

André está detido no presídio militar há cerca de um mês
 Foto: Reprodução / Facebook

Os policiais então encontraram o carregador molhado dentro do cofre do acusado e levaram todos para a delegacia. No entanto, André sempre negou o crime e recusou a fornecer material genético para confrontar com o sangue encontrado no imóvel. Só com o resultado do exame de DNA feito a partir da comparação entre a saliva e o sangue deixado no local é que foi possível pedir a prisão preventiva, após a denúncia do Ministério Público estadual (MPRJ).

André está detido no presídio da Marinha, na Ilha das Cobras, na Baía de Guanabara, desde o dia 19 de julho, e só voltará a falar em juízo. De acordo com a polícia, a pena varia entre seis e dez anos, sem contar a gravidade do uso de uma arma de fogo.

A Marinha, em nota, informou que colabora com as autoridades policiais competentes e que o militar está à disposição da Justiça. O texto diz ainda que, neste momento, não é possível especificar o tipo de punição dada caso o capitão seja condenado.

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