RADIO WEB JUAZEIRO : PRESO POR ENGANO LUTA PARA GANHAR A LIBERDADE
terça-feira, 2 de outubro de 2018

PRESO POR ENGANO LUTA PARA GANHAR A LIBERDADE

Mecânico preso por atirar em PM estava trabalhando no momento do crime, diz chefe
Luiz Felipe e Vivian estão esperando uma filha 
Foto: Álbum de família

Rafael Soares

O mecânico Luiz Felipe Neves Gustavo, de 27 anos, está preso há uma semana sob a acusação de ter atirado contra policiais militares na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, por volta das 16h30 do dia 1º de agosto de 2017. Policiais que participaram do confronto reconheceram o jovem como um dos atiradores por meio de uma fotografia. No entanto, parentes e colegas de trabalho de Luiz Felipe afirmam que, das 8h às 18h do dia do crime, o mecânico estava trabalhando numa oficina de instalação de GNV, em Jacarepaguá, também na Zona Oeste.

Luiz Felipe está atualmente no presídio Ary Franco, na Zona Norte, e responde pelos crimes de tentativa de homicídio, contra 18 PMs, associação criminosa e associação para o tráfico. Todas as acusações derivam do mesmo fato: em 1º de agosto de 2017, uma terça-feira, durante um tiroteio na localidade conhecida como Santa Efigênia, na Cidade de Deus, um sargento da UPP local foi baleado no joelho durante um confronto entre policiais e traficantes. Antes de ser preso, o jovem não tinha nenhuma passagem pela polícia.


Em depoimento à 32ª DP (Taquara), o nome de Luiz Felipe é citado por alguns dos agentes que participaram do confronto. Um deles afirma que, “em que pese o fato de não ter visto, soube posteriormente por seus colegas” que o mecânico estaria no tiroteio. Outro agente disse que “viu, com segurança” Luiz Felipe, que foi reconhecido formalmente por uma fotografia. Posteriormente, seu nome foi incluído na denúncia do Ministério Público com outros nove acusados — sendo que três deles são seus irmãos, até hoje moradores da Cidade de Deus e com passagens pela polícia.

Há dois anos, entretanto, Luiz Felipe não mora na Cidade de Deus. Apesar de ter nascido na favela, desde janeiro de 2016 ele vive com a mulher, Vivian dos Santos Cabral, de 26 anos, em Realengo, também na Zona Oeste. Nesse período, conseguiu um emprego numa oficina de instalação de kit-gás, onde trabalha de segunda à sexta-feira das 9h às 18h e também onde foi preso por agentes da 28ª DP (Campinho) no último dia 24.

Folha de ponto de Luiz Felipe


— Isso desestabilizou nossas vidas completamente. Temos um filho de dois anos e estou grávida de seis meses de outro bebê, dessa vez uma menina, o sonho dele. Ele é trabalhador, tem emprego, uma vida limpa. É muito injusto o que estão fazendo com ele — afirma Vivian.

No dia do crime, a escala de horários da oficina onde o mecânico trabalha atesta que Luiz Felipe passou a manhã e a tarde no estabelecimento. O documento — feita a partir de identificação biométrica — mostra que ele chegou ao local às 8h41, saiu para almoçar às 12h12, voltou do almoço às 13h11 e só saiu da oficina às 18h10. O chefe da oficina, Alexandre dos Santos, de 46 anos, também defende seu empregado.

— Trabalho com ele desde 2016. Nós passamos mais tempo junto na oficina do que com as nossas famílias. Conheço ele muito bem e posso dizer, com tranquilidade, que ele não é criminoso. No dia do crime, ele estava trabalhando, como em todos os outros dias daquela semana. Já me disponho para testemunhar à favor dele — afirma Alexandre. A carteira de trabalho do mecânico atesta que ele trabalha na mesma oficina desde agosto de 2016 como "assistente de montador", ganhando um salário de menos de R$ 1 mil.

Luiz Felipe tenta provar inocência

Após receber a denúncia do MP, a Justiça decretou a prisão de Luiz Felipe em março. Sem saber que estava foragido, o mecânico continuou comparecendo ao trabalho até ser preso. O advogado Maycon Reis, que defende Luiz Felipe, já entrou com um pedido de relaxamento da prisão. A folha de ponto e a carteira de trabalho do mecânico já foram anexadas ao processo.

— Cada um dos irmãos têm a sua vida. O único que não tem passagem e que nunca se envolveu com nada é o Luiz Felipe. Ele tem álibi, não vive mais na favela, trabalha. Estamos trabalhando para reparar essa injustiça — afirma o advogado.

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