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terça-feira, 30 de outubro de 2018

REFORMA DA PREVIDÊNCIA REQUER PRESSA

Reforma da Previdência é urgente, mas país precisa de outras mudanças, diz presidente do Itaú

 Por: Folhapress

O presidente do Itaú, Candido Bracher, listou a reforma da Previdência como a mais urgente a ser realizada pelo novo governo, mas ressaltou que outras mudanças precisam ser feitas para que o país apresente crescimento econômico maior.

"A principal, no sentido de que precede as demais e é mais urgente, é a reforma da Previdência. Mas se ficarmos só nisso, o crescimento vai ser medíocre", afirmou.

Para ele, sem outras reformas, o PIB (Produto Interno Bruto) potencial do país é de cerca de 2%, e que o Brasil deveria crescer mais.
Bracher defendeu uma reforma educacional, sem citar como seria essa mudança. "Não só por questão de ganho de produtividade, mas em igualdade de oportunidades", acrescentou.

Ele listou ainda a necessidade de uma reforma política, que melhoraria a representatividade no Congresso e a aprovação de reformas no futuro. Em pronunciamento, Bracher havia citado também a necessidade de uma reforma tributária.

Bracher considerou que a reforma da Previdência em tramitação no Congresso deveria ser aprovada neste ano e, caso fosse desejo do novo governo, novas mudanças poderiam ser apresentadas no próximo ano.

Na noite de segunda (29), o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), defendeu que o texto proposto pelo governo Temer seja aprovado antes de sua posse, depois de já ter afirmado que a proposta era ruim.

Sobre as declarações polêmicas do novo presidente, Bracher afirmou que o posicionamento do Itaú sobre liberdade de imprensa e respeito à diversidade "não é novo e não mudou".

"Consideramos a liberdade de imprensa um dos princípios fundamentais da democracia. E temos respeito a diversidade no Itaú", disse. 
O presidente do Itaú defendeu, ainda, a possibilidade de usar as reservas internacionais do país, que somam cerca de US$ 380 bilhões, para a redução da dívida.

"Reservas internacionais são dólares que o país tem e que para comprá-los o país emitiu dívida. O que está se falando é usar a reserva para pagar a dívida que foi emitida. Ela custa 6,5% ao ano, e a reserva rende 1% a 1,5% ao ano, que é a taxa do dólar. Acho saudável usar uma parte das reservas para amortizar dívida", afirmou.

Ele criticou, porém, a proposta que havia sido apresentada pelo PT durante a campanha, que envolvia o uso das reservas para investimentos. E disse ainda que as reservas podem ser reduzidas, mas precisam permanecer em bom volume porque foram elas que impediram que o Brasil atravessasse uma crise cambial como a Argentina e a Turquia enfrentaram nos últimos meses.

O presidente do Itaú falou à imprensa para detalhar os resultados do banco no terceiro trimestre. O lucro líquido do Itaú cresceu 3,2%, para R$ 6,5 bilhões, no período quando comparado com igual trimestre de 2017. O maior banco privado do país foi o primeiro entre as grandes instituições financeiras a divulgar os resultados trimestrais, na noite desta segunda.

A margem financeira (receita de operações de crédito com clientes e o mercado financeiro) foi de R$ 17,4 bilhões nos últimos três meses, alta de 3,8% na comparação com o terceiro trimestre de 2017.

A carteira de crédito do banco somou R$ 636,4 bilhões, expansão de 10,6% em um ano. O avanço foi puxado por operações na América Latina, excluindo Brasil, que atingiu 27,4%. No Brasil, o principal crescimento foi nos empréstimos relacionados a cartão de crédito (20%) e crédito pessoal (11,3%).

A taxa de inadimplência acima de 90 dias no trimestre foi de 2,9%, alta de 0,1 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre, mas queda de 0,3 ponto ante o terceiro trimestre do ano passado.

O banco destacou que houve uma redução no custo do crédito, que envolve a reserva para cobrir eventuais calotes. Essa despesa recuou 18,2% em um ano, somando R$ 3,3 bilhões nos meses de julho a setembro.

A receita com prestação de serviços e seguros (tarifas de conta corrente e cartões, por exemplo) alcançou R$ 10,2 bilhões, aumento também na casa dos 3% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado.

Houve queda, porém, na leitura da passagem do segundo para o terceiro trimestre, puxada pela redução nas receitas de assessoria econômica e corretagem, que tombaram 33%. Bracher explicou que a atividade de emissão de dívidas e abertura de capital diminuiu no período, reflexo da incerteza eleitoral.

O banco relatou também crescimento em despesas. O motivo, segundo o presidente do Itaú, foi o crescimento em contratações de pessoal na área para a venda de seguros e de maquininhas de cartão da Rede.

O banco fechou o terceiro trimestre com 1,1 milhão de equipamentos, queda de 8% na comparação com o mesmo período de 2017. A redução ocorreu mesmo com o lançamento da Pop Credicard, maquininha lançada para concorrer com novatas do setor, como a PagSeguro. 

"Em adquirência o mercado está extremamente concorrido com novos participantes e pressão de margens, mas estamos determinados a continuar muito atuantes e manter participação", disse Bracher.

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