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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

RECICLANDO CELULARES

Reciclagem de celulares, um negócio 'verde' que vive seu auge

AFP | Foto: Charly Tribalelau | AFP

Segundo vários estudos, este é um negócio que deve avançar fortemente nos próximos anos



Diante dos preços proibitivos dos aparelhos mais recentes, cada vez mais consumidores optam por comprar smartphones reformados, muito mais baratos do que os novos - uma decisão que também contribui para reduzir o impacto ambiental destes custosos dispositivos.

"Um iPhone pode ter três vidas. Pode ser reparado duas vezes. É o produto mais sólido, o que tem mais vida operacional", afirma Matthieu Millet, que, aos 39 anos, está à frente da companhia Remade, localizada no oeste da França, dedicada ao reparo de celulares.

Segundo vários estudos, este é um negócio que deve avançar fortemente nos próximos anos.

Este ano, a Remade espera pôr no mercado 800.000 iPhones "reconstruídos" a preços muito inferiores aos dos aparelhos novos: -26% no caso de um iPhone X, por exemplo, enquanto um modelo novo do XS custa pelo menos 1.155 euros.

"O que a Remade faz é algo muito bom", considera Erwann Fangeat, engenheiro na Agência de Meio Ambiente e de Controle da Energia da França (Ademe, na sigla em francês).

"A duração da vida de um smartphone é de pelo menos cinco, ou seis, anos, mas 88% dos franceses mudam de celular, apesar de o antigo ainda funcionar".

Na sede da Remade, um grande armazém situado não muito longe do turístico Mont Saint-Michel, centenas de funcionários de jaleco branco desmontam, inspecionam, consertam e remontam milhares de iPhones todos os dias.

Millet, que se declara um admirador do grupo Apple, dirige uma equipe de 850 pessoas, 500 das quais trabalham no conserto e "recondicionamento" dos smartphones. Em meados de outubro, a empresa anunciou a contratação de mais 200 funcionários antes do fim do ano.

Com apenas 23 anos, ele comprou a empresa de conserto de televisores, na qual trabalhava. Em 2014, deu-se conta do filão dos iPhones "recondicionados", registrou um volume de negócios de 200.000 euros a partir de fevereiro e 23 milhões de euros no ano.

Em 2017, o volume de negócios alcançou 130 milhões de euros e continua "em forte crescimento" este ano, segundo Millet.

A matéria-prima, os celulares deteriorados, é comprada em grandes quantidades das operadoras de telefonia na França e nos Estados Unidos.

"Sabemos desmontá-lo e montá-lo todo de novo. O produto não apenas deve funcionar, mas deve funcionar como funcionava quando estava novo", afirma.

Impacto ambiental

Além da economia para o consumidor, a indústria de reparo de celulares é benéfica para o meio ambiente.

A construção de um smartphone tem um custo ambiental importante. Tem-se de extrair entre 95 kg e 225 kg de recursos naturais para construir um aparelho de 300 gramas. Cada iPhone emite entre 54 kg e 110 kg de CO2 durante sua fase de construção, segundo a Apple.

"Quanto mais se prolonga a vida do produto, mais se reduz seu impacto no meio ambiente, pois isso atrasa a construção de um novo celular", destaca Fangeat.

Com um iPhone recondicionado, "evitamos 90% de carbono em relação a um novo", acrescenta.

A Remade manda certificar seus processos de fabricação para calcular quantas toneladas de gases causadores do efeito estufa a empresa consegue poupar, ao dar vida nova aos celulares. Espera, com isso, obter 100.000 toneladas de crédito de carbono, que poderá revender para empresas mais poluentes.

"Não sou o Greenpeace", comenta Matthieu Millet. "Mas me agrada ter esse modelo, saber que isso faz bem para as pessoas e para o planeta", completa.

A matéria-prima que é preciso reciclar continua sendo imensa, porém. Nos cálculos da Ademe, há 30 milhões de telefones guardados nos lares.

"A prioridade é: adiar a compra e mandar consertar quando der defeito", diz Fangeat.

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