RADIO WEB JUAZEIRO : Cliente denuncia funcionário de farmácia por falsa acusação de furto

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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Cliente denuncia funcionário de farmácia por falsa acusação de furto

Juliana Salles* | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

Maria Angélica foi acusada de furto por um funcionário da farmácia Drogasil


“Ninguém nasce odiando ninguém. Discriminar a nossa pele, nossa cor, é retroceder. Eu sei que se eu fosse branca usando turbante ninguém me abordaria”. Ainda em estado de choque, tentando reconstruir a autoestima após ser vítima de discriminação por um funcionário da farmácia Drogasil, no Salvador Shopping, a assessora de formaturas e eventos Maria Angélica Calmon, 54 anos, resolveu compartilhar em redes sociais, no último domingo, 5, o caso ocorrido em 17 de abril deste ano que será denunciado, nesta quarta-feira, 8, ao Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Segundo Maria Angélica, ela estava com a mãe, de 86 anos, a filha e a neta de 7 anos, quando um funcionário da farmácia fez uma abordagem no parque infantil afirmando que a câmera havia registrado o momento em que ela teria saído do estabelecimento sem pagar um produto.

“Foi a pior sensação da minha vida e tive que passar por isso ao lado da minha neta. Ele me acusou de ter roubado um hidratante. Eu, negra, mulher, trabalhadora, que pago meus impostos. Tive que ouvir em tom agressivo, repetidas vezes, eu vi nas câmeras. Eu reagi e falei que ele estava levantando calúnia e me difamando, peguei a bolsa, coloquei tudo no chão para provar que não havia levado nada. Depois que fiz isso, ele olhou na minha cara e saiu correndo”.

Acusação

Maria Angélica contou que começou a falar alto até ser percebida pelos seguranças do shopping. “Eu levei minha mãe na farmácia e compramos remédios. Depois, fui ao parque infantil levar minha neta, quando um homem alto, de pele clara, chega e acaba com minha dignidade e moral na frente e de uma criança, afirmando que eu roubei”, comentou.

Logo após o ato discriminatório, Maria Angélica foi até a central de atendimento do shopping e seguiu para a delegacia. Para ela, o mais difícil foi ver a neta assustada. “Minha neta não quer mais ir ao shopping, está com medo. Não queria que ela presenciasse tamanho racismo”, completou.

O advogado de Angélica, Bruno Garrido, afirmou que irá exigir reparação de danos a dignidade. “Estamos trabalhando para que os responsáveis paguem. Além da ação criminal, a indenização pode ser em torno de 100 mil reais”, disse Bruno.

Posicionamento

Em nota, a Drogasil informou que discorda veementemente da atitude do funcionário. “Este comportamento não reflete de forma alguma os valores da Drogasil. Pedimos desculpas à sra. Angélica e informamos que a empresa está concluindo as averiguações e tomará as providências para que o fato não se repita”.

Por meio de nota, a administração do Salvador Shopping destacou que prestou assistência imediata e está acompanhando a situação. “Não concordamos com atitude discriminatória por parte de lojistas e colaboradores”.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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