RADIO WEB JUAZEIRO : SUZY CORDEIRO.. QUANDO JUAZEIRO ERA UMA “BOA ESPERANÇA”
quinta-feira, 27 de junho de 2019

SUZY CORDEIRO.. QUANDO JUAZEIRO ERA UMA “BOA ESPERANÇA”

Suzy, na praia em Amaralina, com o mastro Carlos Lacerda, o cantor Orlando Silva e o cantor-compositor Luiz Vieira o "menino passarinho" e capa de um LP da Rca-victor.




Tempo do cais inundado de “vapores” e o apito do “Benjamin” era um som de saudade

Tempo da suntuosa “estação da leste”, do “vagão leito” do amor que durava uma viagem de 24 horas até Salvador, perto do “largo de Roma” estação da “calçada”.

Juazeiro que tocava piano e falava “francês” na voz do carpinteiro da esperança Saul Rosas.

Tempo da “BE” de cassinos e “cabarés” onde uma “boa esperança” estava sempre de pé.

Suzy, nascida com o nome da minha avó Petronília, do velho “China”, de Pedro, Paulo e Regina, era filha da minha tia Lourdes e primeiro se chamou “Dãozinha”.. era linda como uma flor e a tradicionalíssima preservada em “conserva” dita cuja sociedade juazeirense, que tinha surtos de “Belle Époque” e nada de “ar-nouveau”, como fez com João Gilberto provocou o desterro. Suzy e João podem ter ido embora no mesmo tempo daqui? João nasceu em 1931, acho que Suzy nasceu em 41, 42, por aí, aqui eu não tenho tempo para datas exatas.

À frete do seu próprio tempo, Petronília, Dãozinha que seria Suzy, chocava Juazeiro com seu brilho de beleza, mostrando um pouquinho acima dos “joelhos”suas pernas brancas antes da mini saia de “Mary Quant” e ensaiando o caminho da sua estrada para ser estrela da televisão que iluminava Salvador dos anos 50/60.

E ela foi embora quase desterrada daquela Juazeiro mágica de “cassinos e cabarés” de “trens” e vapores” de “moral cívica ilibada” que saiu da “boa esperança” e virou “nova Brasília” do “pinga pus” e um delegado criou Piranga da “luz vermelha”.

Meninas da praça da igreja não podiam andar com Suzy que era muito avançada e sonhava ser estrela muito além do "Colégio das freiras de Petrolina". Do rio São Francisco, como João Gilberto, Suzy percebeu o caminho para o "mar".

Suzy, ainda no tempo dos olhos verdes e das polegadas exageradas da ‘deusa” Marta Rocha, ficou em segundo lugar no “miss Bahia” sem representar Juazeiro porque ela já era “soteropolitana” demais, morando na invasão do “bico de ferro” onde hoje esta hoje o “jardim dos namorados”, obra de ACM, para ser refúgio sagrado de quem não tinha dinheiro para “motel” com proteção da polícia, na “Pituba” do velho rico “Juventino” do “parque da cidade”

Estrela da TV-Tupi-Itapoan, “no tabuleiro da baiana” Suzy lançava o “trio nordestino” de Lindú, Cobrinha e Coroné para o Brasil, e eles, tempo depois me confessaram um grande carinho por ela.

Sandoval, do “Tabaris” do “Varandá” o “rei da noite” me contou histórias dela ainda nos anos 70 e o maestro Carlos Lacerda também.

Para remissão dos seus pecados nunca cometidos e merecer um perdão dos “verdugos” enciumados ela resolveu ir de branco ao altar, que não era do senhor do Bomfim, numa peleja “matrionimalesca danada” casando com o jogador, craque do Bahia, ainda na atmosfera de ter sido campeão brasileiro de 1959, Abílio, era um “gaúcho” gente boa. E ela veio até Juazeiro dizer: pronto minha gente, meus tios, casei! Estou grávida da primeira vez.

Segurando minha mãozinha, acho que em 63, 64, “Dãozinha” passeou e fechou o centro de Juazeiro, da rua da Apolo, do “Bazar Royal” de Gustavinho.. e o comércio ficou na porta..”Que mulher linda” era uma “Cardinalle” “caminhando contra o vento” com o seu impávido documento. Anos depois da sua morte, Adélia, irmã, que era outra “lindeza” provocou o mesmo suspiro que Norma outra prima linda também provocaria.

Suzy brilhou, cantou, era estrela de Juazeiro na televisão de Salvador e morreu tragicamente, num acidente automobilístico na terceira ponte, ali em “piatã”, na madrugada quase manhã de uma véspera de carnaval aos 23 anos de idade.(Acho que foi em 64, não sei e nem perguntei) Foi uma dor, um trauma que nossa família jamais perdoou para se perdoar também.

Salvador do “Diário de Notícias” estampava: “Morreu nossa Brigitte Bardot”

Eu tinha uns 9, dez anos e ela me beijava dizendo que eu seria um lindo artista de “olhos verdes” que ainda não pude ser e se casaria comigo no entardecer de outra era onde eu fui crescendo sempre apaixonado por ela, contemplando suas fotos lindas de nunca poder esquecer.. Ainda bem que ela deixou muitas irmãs lindas da cor de canela na praia de Amaralina e o meu amor adolescente se afogou em muitos banheiros.

Leila Diniz veio depois no Rio de Janeiro, mas Suzy Cordeiro foi de um tempo, à frente, muito além de um tempo da “boa esperança” de Juazeiro.


Maurício Dias Cordeiro
compositor



RECORDANDO matéria postada em 13 de julho de 2015

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