RADIO WEB JUAZEIRO : Cola feita por Harvard fecha qualquer ferida em até três minutos: "Forte como cartilagem"
sexta-feira, 12 de julho de 2019

Cola feita por Harvard fecha qualquer ferida em até três minutos: "Forte como cartilagem"

 LIGIA LOTÉRIO
WYSS INSTITUTE AT HARVARD UNIVERSITY

Pesquisadores da Universidade de Harvard desenvolveram uma cola medicinal inspirada no muco de lesmas que adere a superfícies - mesmo as úmidas - em menos de três minutos e tem resistência tão forte quanto a própria cartilagem do corpo.

Cola de gosma de lesma

Cientistas do Instituto Wyss de Engenharia Biologicamente Inspirada da Universidade de Harvard criaram a "biocola" com base no muco secretado pela lesma Arion fuscus, encontrada na Europa. O animal produz a substância como forma de defesa contra predadores.

Publicada na revista Science, a invenção não é tóxica, apresenta maleabilidade e ainda é três vezes mais forte do que qualquer outro adesivo usado na Medicina, sendo comparada pelos especialista à cartilagem humana.
Aderência a tecidos úmidos

Os pesquisadores inclusive testaram o material para fechar um buraco no coração de um porco vivo e obtiveram sucesso, visto que a cola não vazou ou soltou, mesmo com o tecido cardíaco úmido de sangue.

A grande vantagem é justamente essa, a aderência às superfícies úmidas. Para entender a importância da inovação, basta tentar colocar um curativo adesivo na pele molhada: em poucos segundos, ele se soltará.
Fórmula

A resposta por trás do sucesso da fórmula é pura química: há atração entre a carga positiva da substância com a carga negativa das células do organismo, assim como ligações entre os átomos na superfície com a cola e penetração do material no tecido.

Ainda por cima, a composição da cola para ferimentos inclui uma substância que é crucial para diminuir o estresse físico e a tensão que podem prejudicar a aderência do material. 

Quando estará disponível?

KOTIN/SHUTTERSTOCK

Todos os tecidos do corpo podem receber a nova biocola em forma de líquido injetado em ferimentos profundos ou como um curativo exterior. 

Apesar de ainda não haver amostras prontamente disponíveis para uso médico, a usabilidade do material já foi comprovada em testes com animais e tudo indica que haverá uma grande demanda para seu uso, ainda mais porque a fabricação é relativamente barata.

De acordo com os cientistas, o próximo passo é testar a duração e os efeitos adversos, além de tentar desenvolver versões biodegradáveis que desaparecem à medida em que o corpo se recupera.

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