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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Coreia do Norte está pronta para enviar milhões de panfletos ao Sul

O governo da Coreia do Norte copia uma tática de desertores que foram para a Coreia do Sul e passaram a enviar panfletos com balões.

Por France Presse
Funcionários do governo da Coreia do Norte com os panfletos que vão ser jogados na Coreia do Sul, em imagem sem data 
 Foto: Divulgação KCNA/Via AFP

O governo da Coreia do Norte anunciou nesta segunda-feira (22) que tem milhões de panfletos de propaganda para enviar ao Sul em balões, em um aumento da retórica contra Seul depois de destruir um escritório de relações entre os países.

Nas últimas semanas, a Coreia do Norte fez uma série de críticas à Coreia do Sul devido aos folhetos que os desertores norte-coreanos instalados no Sul enviam através da fronteira, geralmente presos a balões.

Depois de acabar com os canais oficiais de comunicação, a Coreia do Norte destruiu na semana passada o escritório de relações em seu lado da fronteira, um local inaugurado em setembro de 2018 ao norte da Zona Desmilitarizada (DMZ), e que simbolizava a aproximação intercoreana.

Pyongyang também ameaça reforçar a presença militar na DMZ.


Coreia do Norte destrói escritório em que fazia reuniões com autoridades da Coreia do Sul

De acordo com analistas, o Norte desejaria provocar uma crise como estratégia para obter concessões, no momento em que as negociações internacionais sobre a desnuclearização se encontram paralisadas.

Uma das das fontes de irritação do regime norte-coreano são os panfletos que, segundo Pyongyang, ofendem a dignidade de seu líder Kim Jong-un.

Por este motivo, o regime deseja adotar represália com "a maior distribuição de panfletos contra o inimigo", afirmou nesta segunda-feira a agência oficial de notícias KCNA.

No total foram produzidos "12 milhões de panfletos de todo tipo que refletem a ira e o ódio das pessoas de todos os âmbitos da vida", destacou a agência, antes de afirmar que mais de 3.000 balões estão prontos para o envio ao Sul.

"Se aproxima o momento da represália", destacou a agência.

Um dos folhetos publicados no jornal oficial "Rodong Sinmun" mostra uma imagem do presidente sul-coreano Moon Jae-in bebendo de um copo e a frase que o acusa de "comer tudo, incluindo o acordo entre Coreia do Norte e Coreia do Sul".

As duas partes da península coreana enviavam com frequência panfletos para o outro lado da fronteira, mas concordaram em interromper as atividades de propaganda, incluindo as transmissões por alto-falantes, na Declaração de Panmunjom, que Moon e Kim assinaram em sua primeira reunião em 2018.

Há alguns dias, a KCNA descreveu os folhetos como instrumentos de "guerra psicológica" e como "um ataque preventivo antes da guerra".

O impacto dos panfletos no Sul é muito limitado porque a maioria dos sul-coreanos nem sequer lê os papéis.

Mas em alguns momentos, os panfletos exaceram as tensões, como em outubro de 2014, quando o Norte abriu fogo contra os balões que os transportavam, o que provocou uma troca de tiros entre os dois lados da DMZ.

As relações intercoreanas estão bloqueadas desde o fracasso do encontro de cúpula em Hanói entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de 2019.

A reunião pretendia discutir as concessões que a Coreia do Norte estava disposta a aceitar para que os países ocidentais reduzissem as sanções econômicas implementadas contra o regime.

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