RADIO WEB JUAZEIRO : "Poucos casos e mortes: o que a Nova Zelândia tem feito para conter a Covid-19

#2ECCFA - #87CEFA


 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

"Poucos casos e mortes: o que a Nova Zelândia tem feito para conter a Covid-19

Por Rafael Salvi
Turistas deixam a Nova Zelândia após o fechamento do país em 25 de março| Foto: Sanka VIDANAGAMA/AFP

A Nova Zelândia é um dos países que melhor está gerenciando a epidemia de coronavírus. O país reportou até este sábado (11) um total de 1.312 casos. Entre esses, apenas 14 estão no hospital e 422 já se recuperaram.

A população da ilha é pouco menor que 5 milhões de habitantes. O que dá uma taxa de contágio de aproximadamente 0,02% da população. Mas não é só isso. Conseguiram um feito que muitos países custam para alcançar: uma redução do número diário de casos por quatro dias consecutivos e apenas quatro mortes.

Contudo, por enquanto, o país não vai relaxar as medidas restritivas que implantou.

Como a Nova Zelândia conseguiu números tão expressivos no combate e que lições podemos tirar disso?

Ao contrário de alguns países europeus que pensam em aliviar as medidas de contenção, a Nova Zelândia está reforçando as restrições, sobretudo para os cidadãos que estão voltando ao país. Quem chegar de viagem deve ficar por 14 dias isolado em uma instalação especial, em vez de se isolarem em casa. Isso permite que o governo tenha um controle mais bem apurado de novos casos e evite outros contágios. Essa regra só vale para neozelandeses, estrangeiros estão proibidos de entrar no país desde 20 de março.

O país também pode contar com duas vantagens no combate ao vírus: tempo e geografia.

A Nova Zelândia teve seu primeiro caso registrado em 28 de fevereiro, um mês após os Estados Unidos terem confirmado seu primeiro caso. Isso possibilitou ao país mais tempo para analisar dados e se preparar.

Como funcionam as regras de quarentena nos EUA, Europa e Ásia

Outra vantagem é que o país é uma ilha do Pacífico bastante distante da maioria dos outros países, então há poucos voos para muitos lugares.

O Professor Michael Baker, do Departamento de Saúde Pública da Universidade Otago, aponta que o fator chave foi a combinação de uma boa ciência com uma boa liderança.

A primeira-ministra Jacinda Ardern tem sido amplamente elogiada por sua liderança durante a crise do coronavírus, tanto pela resposta rápida quanto pela abordagem mais humanizada da crise. Esta semana, por exemplo, ela postou um recado em suas redes sociais direcionado às crianças, dizendo que o coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente são “trabalhadores essenciais”.

E, ao contrário do que está ocorrendo em outros países, brigas políticas não atrapalharam o gerenciamento da crise pelo governo. Pelo contrário, o líder da oposição Simon Bridges foi um dos apoiadores das medidas adotadas por Ardern.

O país tem sido rápido em testar e isolar a população, até então o país já testou 51.165 pessoas, numa média de 3.547 por dia.

O país também adotou a quarentena, ou lockdown, desde 23 de março, quando ainda não havia sequer uma morte relatada. A quarentena de nível 3 consiste em fechar todos os negócios não essenciais, cancelar todos os eventos, escolas só iriam abrir para filhos de trabalhadores essenciais, pessoas foram orientadas a trabalhar de casa sempre que possível, voos nacionais e transporte público foram suspensos, com exceção daqueles que atendem a serviços essenciais e transporte de carga.

Essa fase precedeu em 48 horas o procedimento de nível 4 em que todas as escolas foram fechadas. O nível de alerta 4 significa que uma pessoa só pode ter contato presencial com pessoas em sua casa e não pode ter contato com outras pessoas fora dela. Não há problema de as pessoas entregarem alimentos e suprimentos, mas precisam deixá-los à porta e evitar o contato com todos os membros da família.

Número baixo de mortes

Em 29 de março, a Nova Zelândia teve sua primeira morte relatada. Era uma mulher de 70 anos que estava internada havia quatro dias com o que se pensava ser influenza, complicada por uma condição crônica de saúde subjacente.

Apesar do dado positivo se comparado a outros países, as formas de tratamento para o coronavírus recomendadas pelo Ministério da Saúde da ilha não diferem muito do que outros governos têm feito.

O procedimento padrão do país aponta que aqueles com “infecção provável ou confirmada por Covid-19 ou aqueles sob investigação devem ser tratados clinicamente de acordo com seus sintomas e estado clínico. Eles não precisam ser hospitalizados, a menos que seja clinicamente indicado ou sua situação de atendimento domiciliar seja inadequada”.

O especialista em doenças infecciosas e o professor associado da Universidade de Auckland, Mark Thomas, disse que atualmente não há medicamentos comprovados que façam diferença no resultado da Covid-19.

No entanto, muitos pacientes na China e em outros locais foram medicados com remédios comumente usados ​​para outras infecções por vírus, na esperança de que possam ser benéficos, o kaletra - uma combinação de dois medicamentos comumente usados ​​em pessoas com HIV - e o tamiflu, disse Thomas.

O que explicaria portanto o número baixo de mortes do país seria a demografia. A grande maioria das pessoas atingidas pelo vírus até o momento no país está no grupo entre 20 e 40 anos, que totalizam 40% dos casos. Até o momento, apenas 89 pessoas acima de 70 anos foram infectadas, o que tem permitido que haja leitos suficientes se necessário.

O período inicial da quarentena de nível 4 deve terminar em 23 de abril, embora a primeira-ministra Jacinda Ardern tenha dito que os efeitos do bloqueio não começariam a ficar claros até o final desta semana, quando teria passado tempo suficiente para qualquer pessoa que já estivesse infectada apresentar sintomas. O diretor geral de Saúde, Ashley Bloomfield, afirma que o objetivo do país é eliminar o vírus rapidamente e isolar casos que porventura possam ocorrer no futuro. Ou seja, em vez de retardar o contágio (ou, na palavra da moda, diminuir a sua curva), ou mesmo criar imunidade de rebanho, o país quer, com essas medidas mais agressivas, eliminar o vírus de suas fronteiras. Uma meta bastante ambiciosa, mas que pode se tornar realidade se as medidas restritivas funcionarem como indicam as tendências estatísticas."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE