RADIO WEB JUAZEIRO : A dor de Simone e o fluxo das mortes no solo da pandemia
segunda-feira, 20 de julho de 2020

A dor de Simone e o fluxo das mortes no solo da pandemia




Ser artista já não estava sendo fácil com o país descendo a ladeira do abismo no campo da economia cultural, imagine na pandemia. Desde o começou dessa pandemia muitos artistas vem promovendo Lives por razões diversas, e não adianta criticar o formato que a rede/web oferece - só se assiste se gostar, o livre arbítrio é de cada um. Questão de gosto não se discute. Bem, a cantora Simone que queiram ou não está entre as grandes vozes femininas da MPB desde os anos 70, abraçou a causa virtual aos domingos, cantando canções de seus discos e sempre inserindo novidades ao repertório, em uma hora de show( sempre as 18h) sem a produção dos grandes espetáculos, mas comprometida com a proposta de seu projeto dominical. Hoje(19) foi a 15º apresentação em seu canal. Nem sempre assisti a todas por razões pessoais, mas hoje parei para ouvir as canções do dia sempre primorosas. Ela abriu pedindo "Saúde" ( rock de Rita Lee), dos anos 1980, com semblante triste e na segunda música desabou no choro. Aos seguidores anunciou a morte da irmã mais nova na manhã desse mesmo domingo. Não foi vítima da Covid. Profissional competente, a cantora não engavetou sua dor e se expôs como uma fortaleza em frente da câmera por uma hora. Manteve a Live até o final e cantou canções tristes e alegres como sambas, ao tempo que a irmã era velada em outra cidade que não o RJ. Em tempo de pandemia tudo fica mais difícil nas relações. Palmas e força para a artista, pela garra de não se entregar à dor da perda e sequer cancelar seu show feito em casa - assim como para os parentes de todas as vítimas do famigerado coronavírus. O mundo segue com as dores daqueles que, digamos, só quem está perto sabe bem dimensionar o que não se mede em suas circunstâncias. As dores dos outros numa estatística absurda, que nem sempre sai no jornal.


Emanuel Andrade

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