RADIO WEB JUAZEIRO : Bahia pode ser autossuficiente em insulina
terça-feira, 21 de julho de 2020

Bahia pode ser autossuficiente em insulina

Vítor Castro*

Segundo o secretário de Saúde Fábio Vilas-Bôas, equipamento será o primeiro do país a produzir insulina | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) deve votar esta semana o projeto de lei que deve instituir a Companhia Baiana de Insulina (Bahiainsulina), que abre precedente para a produção deste e outros medicamentos e para a comercialização com mercados interno e externo.

O equipamento, que de acordo com o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, será o primeiro do país a produzir insulina e, quando em funcionamento, deixará de lado a necessidade de importação. Com um custo de R$ 200 milhões subsidiados por uma empresa privada, por meio de licitação, o projeto é bem visto por especialistas, que ressaltam a importância do hormônio para os portadores do diabetes.

Caso seja aprovado, o projeto - que está sendo elaborado há três anos em parceria com a empresa ucraniana Indar - será promulgado pelo governador Rui Costa e, a partir daí, haverá um chamamento às empresas parceiras. Estas, junto à Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), tocarão o projeto. Ao A TARDE, Vilas-Boas diz que esses esclarecimentos foram feitos aos deputados, e a expectativa é de que seja uma “votação tranquila”, disse.

De acordo com o secretário, a instituição da Bahiainsulina deve representar avanço na construção de um polo biotecnológico. “Será um benefício para todo país. O Brasil não tem uma fábrica de insulina. Na verdade, não existe no hemisfério sul uma fábrica de insulina. Toda ela é importada da Europa e dos Estados Unidos. Já temos a insulina mais barata do mundo e vamos poder garantir que isso continue e permita ampliar o acesso para os pacientes diabéticos de todo Brasil”, disse.

A expectativa do governo por meio da Bahiafarma – vinculada à Sesab - é que com a criação da Bahiainsulina o custo nacional com o medicamento - hoje disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - seja reduzido, e o excedente da produção seja escoado para os mercados privado e externo. “Poderíamos vender para o Ministério da Saúde a insulina através de uma licitação. A vantagem da PDP [Parceria para o Desenvolvimento Produtivo] é que garante um mercado durante 10 anos consecutivos. Mas se não tiver PDP com o Ministério, a gente vai disputar na licitação”, disse.

De acordo com Vilas-Boas, pelo menos 12 milhões de pessoas vivem com diabetes e necessitam da substância no país. A estimativa da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBE) é de que na Bahia 203.708 pessoas tenham a doença. Na capital são 13.323. Ontem, a reportagem de A TARDE entrou em contato com o Ministério da Saúde para saber onde é adquirida a insulina distribuída hoje pelo SUS, qual o investimento do país na compra do medicamento e quantas pessoas fazem uso da medicação, mas a pasta pediu um prazo de 24h a 48h para responder.

Tratamento

O médico endocrinologista e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Helder Ramos explica que o diabetes é caracterizado pela baixa produção de insulina pelo pâncreas. O hormônio, que reduz a taxa de açúcar no sangue, ajuda o corpo a levar a glicose do sangue para as células, que utilizam a substância como energia. De acordo com o especialista, a técnica que deve ser adotada pela Bahiainsulina para a produção do hormônio utiliza uma bactéria - Escherichia Coli – para produzir a substância e é eficaz porque resulta num hormônio muito semelhante com o produzido naturalmente.

Para ele, além da autossuficiência na produção da insulina, a expertise da fábrica poderá ser usado para produção de outros medicamentos. “Há outros hormônios que podem, a partir desse projeto, ser produzidos no futuro. Uma vez que detenhamos essa tecnologia, quem sabe poderemos produzir o IGH, o hormônio do crescimento, que usa o mesmo método do DNA recombinante. Temos pacientes que precisam tomar o hormônio por toda vida”..

*Sob a supervisão de Meire Oliveira

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