RADIO WEB JUAZEIRO : Brasileiros contam como é viver em país sem mortes por covid-19
segunda-feira, 6 de julho de 2020

Brasileiros contam como é viver em país sem mortes por covid-19

O Vietnã é considerado um caso de sucesso no combate ao coronavírus e quem vive por lá agradece poder voltar a uma rotina praticamente normal

Ana Clara Arantes, do R7

Processo de normalização no Vietnã iniciou no mês de abril
Luong Thai Linh /EFE/EPA - 22.05.2020

O Vietnã, país localizado no Sudeste Asiático e que contabiliza mais de 95 milhões de habitantes, conseguiu conter o novo coronavírus e hoje vive, praticamente, a mesma normalidade anterior à pandemia da covid-19.

De acordo com os dados mais recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), o país registra, desde o início da pandemia, 355 casos confirmados e nenhuma morte até o momento. Mesmo sendo uma nação em desenvolvimento, o governo conseguiu controlar a doença.

A volta a uma vida quase 100% normal se deve à rápida resposta contra o vírus. Desde o início da pandemia, o país fechou suas fronteiras, investiu em testagem e rastreamento e estipulou medidas de distanciamento e isolamento social.

O R7 conversou com brasileiros que vivem no Vietnã e eles contaram sobre como foi viver a pandemia lá e como está a rotina atualmente.

De acordo com Denis Almeida, 29, as medidas realmente foram eficazes. Na sua opinião, as melhores estratégias de controle de novas infecções foram a quarentena e o rastreamento de contato das pessoas infectadas.

"O governo tem um sistema muito bem feito de controle da quarentena. Os profissionais de saúde acompanham as pessoas em casa, fazendo visitas diárias. Com os infectados quarentenados, é feita uma entrevista na qual é rastreado as pessoas que entraram em contato com eles e também os locais que eles frequentaram."

Governo vietnamita

Outro brasileiro que também vive no Vietnã é Felipe Rabelo, 36. Ele aprova o combate à pandemia e o caracteriza como "excelente, rápido e objetivo".

Aeroporto do Vietnã antes da quarentena
Felipe Rabelo/Arquivo pessoal

Entretanto, o brasileiro acredita que as ações não teriam funcionado em um país democrático. "O governo vietnamita controla o país a punho de ferro, e isso ficou evidente na quarentena" comenta Felipe, que destaca a rigidez na postura do governo e sua "forte influência na população".

Em sua análise, grande parte do respeito dos cidadãos vietnamitas às medidas tem relação ao posicionamento do governo desde o início. Mas Felipe relata que uma grande parte de estrangeiros não aceitaram tão bem as imposições, chegando a desrespeitá-las.

Quarentena e testes

Fronteiras e estabelecimentos fechados, cidades bloqueadas, medidas de proteção, quarentena e testes foram as ações do governo do Vietnã para conter o novo coronavírus. 

Denis Almeida relata que sua rotina só não está completamente de volta porque viagens para o exterior ainda não estão sendo realizadas no seu trabalho. Entretanto, antes de o brasileiro poder se sentir de volta à normalidade, ele passou por duas quarentenas rígidas.

"Fui colocado em quarentena duas vezes. Em março, fiz um voo dentro do Vietnã e no avião havia um passageiro que testou positivo. O governo me colocou em quarentena mandatória, ou seja, não tem escolha."

Local de quarentena reservado pelo governo vietnamita
Denis Almeida/Arquivo pessoal

Foram 14 dias em casa. Neste período, testes foram feitos em Denis e uma pessoa foi disponibilizada pelo condomínio em que ele vive, para que pudesse realizar tarefas necessárias, como compras de alimentos e medicamentos. Além disso, profissionais do Centro de Doenças Tropicais de Ho Chi Minh faziam visitas constantes para registro de seu estado de saúde.

"Na segunda vez, também tive contato com uma pessoa infectada e tive que ficar isolado em um local estabelecido pelo governo. Os quarentenados neste ambiente eram testados, pelo menos três vezes ao longo dos 14 dias, e liberados após três testes negativos consecutivos".

"Fiquei longe da minha família, mas as medidas foram válidas", analisa.

Normalidade

No dia 23 de abril, o Vietnã já não registrava transmissão comunitária da covid-19 há duas semanas. Desde então, o país deu início à flexibilização das medidas impostas para o combate do novo coronavírus.

Estabelecimentos já foram reabertos e as cidades retiraram os bloqueios. Também já não há mais controle sobre o uso de máscaras. Felipe Rabelo destaca que somente as fronteiras não foram reabertas.

Felipe e Denis viajando depois da quarentena
Arquivo pessoal

Tanto para Felipe quanto para Denis, a resposta do país à pandemia são motivos de orgulho. Eles destacam a devida seriedade com que as autoridades vietnamitas trataram a doença, as ações pautadas na ciência e a cooperação da população.

Por outro lado, como brasileiros, eles se preocupam com a situação do Brasil e também de outras nações com alto número de casos e mortes. Além, claro, da preocupação com os familiares que vivem nesses países com baixo controle de novas infecções.

Impactos

O sistema de saúde do Vietnã não apresentou impactos negativos, graças ao baixo número de casos de covid-19. E com isso, foram poucas dezenas de internações em UTIs (unidades de terapia intensiva). O último paciente com a doença já foi liberado do hospital.

Já o setor econômico sofreu suas baixas, principalmente o setor hoteleiro e imobiliário, devido à limitação da circulação de pessoas.

De acordo com informações oficiais, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do país manteve taxa entre 6.73% e 7.65% ao ano, nos últimos três anos. Em janeiro deste ano o PIB foi registrado em 3.82% e em julho a taxa está em 0.36%.

Para recuperar a economia, de acordo com Denis Almeida, o governo tem oferecido apoio às empresas, descontos em contas de luz e água ao setor empresarial e benefício tributário. 

Ele acredita que, apesar da existência de impacto econômico, ele será menor que em outros país devido a imediata resposta contra a pandemia e, consequentemente, a reaberturas rápidas.

Conscientização, união e lição

Residindo em um país de sucesso no combate a covid-19, e sendo naturais do Brasil, Denis e Felipe afirmam que a doença é séria, mas que é possível que seja controlada.

Como mensagem, Felipe pede a conscientização da população brasileira e do governo. E união. "Ter 50% da população dividida entre o apoio ao isolamento social e outros dizendo que a doença não é séria, é só uma gripe, aprofunda e agrava ainda mais o problema."

Denis espera que as pessoas entendam a seriedade de uma pandemia e que este momento que o mundo vive sirva de lição para aprendizado e prevenção, para que possíveis futuras pandemias não tomem a proporção que a covid-19 tem tomado.

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