RADIO WEB JUAZEIRO : Pandemia acelera a busca por profissionais da área de tecnologia
segunda-feira, 6 de julho de 2020

Pandemia acelera a busca por profissionais da área de tecnologia

Priscila Dórea

Luciano destaca o trabalho remoto e o armazenamento de dados


Entre videoconferências, vendas online e uma força extra na cibersegurança, a demanda por tecnologia – instalação, uso e suporte – cresceu em disparada pelo mundo. E qual a melhor forma de atender a essa procura senão retendo talentos e buscando mais alguns? O setor de tecnologia tem seguido na contramão da crise econômica causada pela Covid-19 e se mantendo estável, com a demanda crescente exigindo que empresas procurem mais talentos em meio à pandemia para aumentar seu quadro de funcionários.

O fato de as pessoas precisarem trabalhar em casa de certa forma “favoreceu” o setor, explica Luiz Guilherme Dias, CEO do Sabe Invest, aplicativo que permite acompanhar o desempenho de carteiras reais ou simuladas listadas na B3 do mercado de ações. “Esse crescimento não é exclusivo da pandemia, mas com certeza ele foi acelerado agora. Muitos setores tiveram redução nos resultados e nos lucros, e alguns não tiveram prejuízos, mas o de tecnologia foi o único que teve um crescimento verdadeiro”.

O Sabe Invest analisou 22 setores, e o segmento de tecnologia registrou lucro de 142% no primeiro trimestre, enquanto grande parte dos outros já sofria prejuízos. “A tecnologia tem sido fundamental nas empresas em todos os momentos, não só agora. A sensação de que a gente consegue manter o mesmo nível de trabalho e interação, mesmo a distância, é essencial. O que a pandemia tem exigido é que façamos o uso correto da tecnologia”, explica Érica Vasconcelos, head of people da Sanar, empresa que dá suporte à educação médica.

Responsável pela parte operacional e de processos de pessoas e liderança, Érica conta que desde o início da pandemia a Sanar já contratou 45 pessoas, sendo que 27 foram para a área de tecnologia. “E ainda estamos com vagas em aberto para cargos nos setores de produto e engenharia de software. Além de alguns estágios. Toda a Sanar está trabalhando remotamente e assim também têm sido os nossos processos seletivos, em todas as suas etapas, inclusive a primeira interação e integração desses novos funcionários”, conta.

Quem também já contratou nesta pandemia e está atrás de alguns novos talentos é a Secure Service IT, especializada em gestão estratégica da TI, arquitetura, implantação e gerência de soluções em redes. “Foi necessário ampliar nosso quadro para suprir as demandas e elevar o nível de satisfação dos nossos clientes. Duas vagas para analista de redes e setor comercial já tiveram a contratação encerrada, mas temos mais duas em curso para o cargo de analista de infraestrutura”, conta Thiago Araújo, diretor da empresa.

Ele explica que, diante das necessidades atuais, o serviço deles que mais tem sido requisitado é o de migração de infraestrutura para nuvem, “que consiste em ter a alta disponibilidade e acessibilidade aos recursos da empresa através da internet coberto pelos mais rigorosos critérios de segurança”.

Uma demanda crescente muito parecida com a da Gaspari Tecnologia, empresa com foco em computação em nuvem e mobilidade.

Ferramentas e serviços

O dono da empresa, Luciano Coutinho Gaspari, explica que as ferramentas e serviços mais procurados têm sido aqueles que viabilizam o trabalho remoto e o armazenamento de dados compartilhado. Assim como aplicativos que ajudem na colaboração em tempo real.

“Além disso, os clientes estão preferindo comprar serviços em nuvem escalonáveis para que os colaboradores não precisem acessar o sistema da empresa, o que poderia causar brechas na segurança, deixando a empresa vulnerável”, diz

A Gaspari sempre trabalhou de forma remota e, por isso, o funcionamento pouco mudou com o isolamento social. Apenas o setor comercial sofreu um pouco, já que era um hábito da empresa construir relacionamentos presenciais com os clientes. “Tentamos reverter essa situação através de videoconferências e por elas nos aproximar mais de novos clientes. Hoje temos um time de suporte e comercial trabalhando em home office, que foi contratado recentemente, um total de seis pessoas, mas estamos ainda atrás de alguém para trabalhar na parte de marketing digital da empresa”.

A busca por talentos parece vir de todos os lados, mas a verdade, comenta Sergio Paulo Gallindo, presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), é que o Brasil ainda sofre por falta de mão de obra profissionalizada. “O número de profissionais hoje é estável, mas não vai subir muito. Estamos vendo uma adoção de tecnologia muito grande em um curto período de tempo em um setor que depende muito de talentos, por isso as empresas estão segurando ao máximo os que têm”.

O treinamento de novos talentos, afirma o presidente-executivo, muitas vezes pode ser mais custoso no que diz respeito a manter o negócio em funcionamento como um todo, do que financeiro. “O setor de tecnologia será a mola mestra na recuperação da economia, hoje ele foi demandado e está sendo eficiente. Porém acredito que é preciso fazer revisão curricular, vários cursos da área estão ultrapassados, e muito do que não é ensinado são skills (habilidades) de vida ou morte para o setor”.

Uma das grandes dificuldades da educação no setor, explica o professor do curso de redes de computadores da Unifacs e proprietário da empresa IP10 Tecnologia, Sérgio Spinola, é que a todo momento, literalmente, surgem coisas novas. “Os conceitos fundamentais não mudam e são de suma importância, mas a grade curricular de uma matéria que ministrei em um semestre precisa ser quase totalmente refeita para o seguinte. Muitas vezes uma aula que dou pela manhã já pode estar defasada à tarde”.

O estudo, a capacitação e a reciclagem de conhecimento devem ser constantes. O professor explica que um profissional da área de TI precisa ter visão de negócio e focar sempre na aplicabilidade do que cria e oferece. “Essa é uma área extensa, e muitos vão seguir mais de uma linha de estudo, ou até mudar completamente. É preciso aprender a aprender, correndo atrás de mais e mais informações. Sempre falo aos meus alunos que na nossa área precisamos estudar até o último dia de vida”.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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