RADIO WEB JUAZEIRO : Pandemia do novo coronavírus vai transformar as campanhas políticas
quinta-feira, 30 de julho de 2020

Pandemia do novo coronavírus vai transformar as campanhas políticas

Wagner pontua que comunicação nas redes deve ser planejada 
 Foto: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus deve afetar a forma e o modo de realização das campanhas políticas no Brasil em 2020. A necessidade de distanciamento social e a proibição de aglomerações como medida para evitar a propagação do vírus reduzirão o chamado “corpo a corpo” entre os candidatos e eleitores, tornando o ambiente digital, redes sociais e aplicativos de mensagem, um espaço seguro para transmissão de propostas e para realização de eventos e debates.

“Nesta campanha vai valer, predominantemente, a mensagem por via digital”, explica publicitário Robson Wagner, CEO da W4 Comunicação e Marketing, empresa com mais de 20 anos experiência em campanhas políticas e comunicação organizacional no Brasil.

Para ele, essa mudança se dará sobretudo em Salvador e nas grandes cidades do interior, como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras. “Nas outras cdades”, acredita, “o grande veículo será o rádio, mas também as redes digitais. Essa é a tendência”.

Apesar da tendência e da necessidade de distanciamento social, Wagner diz que em algumas cidades do interior que ele tem visitado as pré-campanhas estão acontecendo. “Respeitando número de aglomeração, que em algumas deles é de 30 pessoas e mantendo à distância segura, os pré-candidatos estão fazendo reuniões.Em que pese toda restrição da pandemia, no interior a campanha vai acontecer mais de perto”, avalia.

O publicitário lembra que a comunicação nas redes sociais deve acontecer de forma planejada, avaliando os impactos de cada postagem e otimizando o conteúdo para ampliar o alcance, fazendo que a mensagem do pré-candidato alcance o seu eleitorado.

“Eu uso sempre um jargão: quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino. O segredo para o sucesso eleitoral passa pelo planejamento. Os candidatos que já possuem uma presença online, com uma rede de relacionamento digital, um número grande de seguidores reais, conseguem levar suas mensagens para mais gente”, lembra o CEO da W4 Comunicação e Marketing .

Wagner diz que a máxima de que o eleitor espera verdade de seu candidato é válida para qualquer época e em qualquer ambiente, seja ele físico ou digital.

“Nós, profissionais da área, percebemos que os eleitores buscam na rede social uma relação de proximidade com candidato. A população está cansada de ver o candidato maquiado pelo marketing. É como se houvesse uma necessidade de saber quem é o candidato, o que ele almoça, se ele tem família. Buscam sinceridade e transparência deles”.

Ele lamenta que, em plena era digital, exista “candidatos analógicos” que não dão a devida importância para comunicação nos meios digitais e que entram nas redes sociais sem uma estratégia de comunicação, produzindo mensagens de baixo alcance que, mesmo utilizando o mecanismo do impulsionamento, não conseguem gerar engajamento.

Novos cenários

Com mais de 20 anos de atividade em campanhas eleitorais, o especialista em Comunicação e Marketing Político, Leandro Grôpo, falou sobre o tema. Em 2018, Grôpo atuou na campanha que resultou na eleição do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Para ele, o ambiente das eleições em 2020 deve ser de redução de ações presenciais, já que o cenário que se desenha é de que “não teremos vacina até dezembro”.

“Teremos a impossibilidade de eventos com aglomeração”, lembra Grôpo. “Nas cidades menores, onde são realizados comícios, encontros, grandes reuniões, essas eventos não poderão ocorrer. Se algum candidato insistir na idéia de promover aglomerações, poderá ser visto com maus olhos pelos eleitores”, pondera ele, que é pós-graduado em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública e consultor da Strattegy Comunicação & Marketing Político.

Já para o administrador de empresas e publicitário, André Ferraro, a necessidade do distanciamento social para conter o novo coronavírus afetou também o trabalho dos profissionais da comunicação e gestão estratégica da campanha eleitoral.

“Estamos tendo dificuldade na produção de material, de filmar, entrevistar, está complicado. Estamos tendo que fazer uma campanha usando muito material de arquivo, usando muitas fotos antigas”, explicou ele , que é sócio da Crop Comunicação, empresa especializada em marketing digital e ações de inovação, tecnologia e participação social.

A redução das atividades presenciais ensejará em um aumento nas atividades políticas nas redes sociais e em aplicativos de mensagem eletrônica, fato que, segundo Ferraro, vem crescendo nas últimas campanhas e que deve atingir patamar recorde nesta.

“A digitalização da campanha é um fenômeno que não se restringe só às capitais; cresce no interior, mas com algumas características diferentes. As cidade do interior tendem a ter mais usuários do Facebook do que do Instagram. Na capital é o contrário”.

O publicitário acredita que o aplicativo de mensagem eletrônica, WhatsApp, deve manter a tendência de 2018 e ser o principal meio de disseminação e compartilhamento de informações de campanha e notícias políticas.

Mas ele ressalta que não basta apenas ter o aplicativo de mensagem e criar grupo e lista de transmissão - é preciso reconhecer o contexto e a possibilidade de uso de cada cidade. André lembra que em muitos municípios, nos rincões do país, o uso de internet é limitado e muitas pessoas não conseguem baixar vídeos, áudios. Por isso, diz, é preciso identificar esses pontos antes de sair criando conteúdos em massa.

“O WhatsApp é a fonte prioritária de informação política das pessoas. Em regra geral, nos nunicípios em que tive acesso às pesquisa, é coisa acima de 80% de uso pela população. O que é maior do que o rádio, em um certo sentido”, compara Ferraro.

Em um ambiente de um boom de candidaturas utilizando as redes sociais, o consultor da Strattegy Comunicação & Marketing Político pontua que o diferencial será, “como sempre ocorreu”, o uso da “mensagem correta”, que vem de uma análise conjectural que vai ao encontro do anseio dos eleitores.

“A ferramenta não substitui a mensagem certa que o eleitor quer ouvir”, explica Grôpo. O especialista em campanha eleitoral dá o exemplo da campanha do ex-governador de São Paulo à presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), que mesmo com maior tempo de TV por conta de uma coligação, terminou com 5% dos votos válidos.

“(Alckmin)tinha a melhor ferramenta, mas não tinha a mensagem correta dentro da conjuntura, não era a que o eleitor queria. Nas redes sociais o importante não é postar toda hora, é postar com relevância para aumentar o engajamento; Identificar a mensagem correta é fundamental”, diz ele.

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