RADIO WEB JUAZEIRO : Varejo de autopeças tem queda de 53% nas vendas
segunda-feira, 13 de julho de 2020

Varejo de autopeças tem queda de 53% nas vendas

Aloísio Pontes

O movimento é fraco na área da Baixa de Quintas | Foto: Rafael Martins 
 Ag. A TARDE

Vendas online, delivery e promoções têm sido algumas alternativas usadas pelas empresas de vendas de autopeças para passar pela crise econômica, aprofundada pela pandemia que resultou em mais queda de vendas e até fechamento de lojas em cidades inteiras e em bairros da capital baiana.

O resultado foi a redução de faturamento, que obrigou estabelecimentos a decretar férias coletivas, remanejar funções e até mesmo demitir. Na esteira da crise de todo o setor varejista, que na Bahia teve recuo de 20,8% em maio na comparação com igual mês do ano anterior, o segmento veículos, motos, partes e peças teve queda de 53% nas vendas, neste mesmo período.

Os dados são da mais recente Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – realizada em âmbito nacional , e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento. A análise da SEI indica que a atividade foi fortemente influenciada pelo crédito, e teve as vendas comprometidas dado ao “oceano” de incertezas provocado pela Covid-19.

“Esse cenário levou as instituições financeiras a restringirem a liberação de crédito, dada a iminente elevação da taxa de inadimplência nos próximos meses”, avaliam os técnicos.

Na Salvador Autopeças, que possui lojas na Baixa de Quintas e São Cristóvão, a queda nas vendas chegaram a cerca de 40% e a empresa teve de demitir 5% do quadro. “Estamos trabalhando muito, reduzimos a margem de lucro, mas em São Cristóvão são 14 dias totalmente fechado. A crise é muito grande”, conta Joselito Caldas da Hora.

“Aqui [na loja em funcionamento] estamos seguindo todas as orientações, colocamos faixas isoladoras, restrição de número de clientes, uso de máscara e álcool em gel para funcionários e clientes”, fala.

A loja Só Motor, também em São Cristóvão, um dos bairros que tem atualmente maior restrição de atividades na capital baiana, também convive com as incertezas e a paralisação do negócio. “Estamos fazendo alguns serviços internos, reorganizando almoxarifado, com algumas poucas vendas por telefone. Mas estamos praticamente parados, porque as oficinas também estão fechadas”, explica a vendedora Fernanda Moreira. O estabelecimento tem quatro funcionários e por enquanto mantém todos os empregos.

Já Marcelo de Andrade Feitosa, gerente da Autopeças Roni, revela que a queda nas vendas chegou a 50%. “Chegamos até a pensar em suspensão de contrato, mas ainda não fizemos. Logo no início colocamos metade dos funcionários em férias coletivas, e em seguida a outra metade”, diz o gerente, líder de 100 funcionários.

A empresa que trabalhava com vendas por meio de telefone, e-mail e WhatsApp, intensificou uso destes canais. “Dobramos este tipo de atendimento e também as entregas”, afirma Feitosa.

Na loja da rede em Eunápolis, a queda na venda ficou na casa dos 30%, apesar da cidade ter passado por um lockdown de 20 dias. O município foi um dos que tiveram, inclusive, toque de recolher instituído.

“Passamos a atender só pelo telefone, e remanejamos os funcionários para fazer as entregas. Assim conseguimos manter o emprego de todos os 47 funcionários”, conta.

Mercados

“Mesmo com a reabertura, muitos clientes ainda preferem continuar em casa. Hoje, os balconistas têm um celular da empresa e fazem todas as etapas da venda. Depois, passam para a entrega, especificando como será o pagamento e outros detalhes. Acho que isto veio para ficar. Aqui, as entregas são bem tranquilas, porque estamos instalados em uma área onde se concentra a maior parte das oficinas”, diz, ressaltando que a loja física segue todas as orientações de saúde e tem um funcionário na porta para controlar o fluxo de clientes, sempre controlando o número de pessoas”.

Influenciado no mercado interno pela queda da produção automobilística, e no mercado externo pela crise e dificuldades logísticas em função da pandemia, o setor de produção de autopeças também registra quedas em todas as frentes. As relações comerciais da indústria de autopeças com o exterior prosseguiram fracas em maio passado.

As exportações de autopeças totalizaram US$ 239,7 milhões em maio, com retração de 18,4% em comparação ao mês anterior, e de 63,6% frente a maio de 2019, segundo o Relatório da Balança Comercial de Autopeças, elaborado mensalmente pelo Sindipeças, com base em informações da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia.

No mercado interno, a produção acompanhou a redução da produção de automóveis. “Em abril, a produção somou míseros 1,8 mil autoveículos, os licenciamentos contabilizaram 55,7 mil, e foram exportadas 7,2 mil unidades”, aponta o relatório que indica também que o faturamento da indústria de autopeças “afundou” 81,6% em relação a março, quando já havia encolhido 7,7% na passagem mensal”, informa o texto.

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