RADIO WEB JUAZEIRO : EUA: macieira considerada matriarca da indústria de maçã morre aos 194 anos

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terça-feira, 25 de agosto de 2020

EUA: macieira considerada matriarca da indústria de maçã morre aos 194 anos

Francesca Giuliani-Hoffman, da CNN

A Velha Macieira em dois momentos: em imagem histórica, sem data (E), e em foto de 2020
Foto: Museu Histórico do Condado de Clark/ Cidade de Vancouver, WA

Uma macieira considerada a mais antiga da região do noroeste da América do Norte morreu aos 194 anos.

A “Velha Macieira” (Old Apple Tree, em inglês), como a árvore era conhecida, foi plantada na cidade de Vancouver, no estado de Washington, em 1826, quando comerciantes de peles da Hudson's Bay Company se estabeleceram na área.

A árvore era considerada a matriarca da agitada indústria de maçãs da região e produzia uma maçã verde que tinha um sabor amargo, mas era ótima para assar.

"Embora soubéssemos que esse dia chegaria, esperávamos que ainda demorasse anos", disse Charles Ray, guarda-florestal urbano da cidade de Vancouver, à CNN.

Por volta de 2015, a equipe de especialistas que cuidava da árvore notou que a camada do câmbio vascular – a parte crescente do tronco – estava começando a morrer, explicou Ray. Isso contribuiu para a criação de uma fenda em espiral no tronco, que se tornou oca com o passar dos anos. A árvore morreu em junho.

“A árvore em si assumiu sua própria personalidade. É um organismo vivo, assim como nós, e enfrentou uma vida inteira de desafios”, disse Ray. "Ele permaneceu lá por gerações e testemunhou a mudança do mundo ao seu redor."

A Velha Macieira resistiu a inúmeras tempestades e à construção de ferrovias e rodovias em suas proximidades, tornando-se um querido marco da comunidade.

“As escolas locais faziam viagens para a árvore, ela tocou gerações de pessoas em todo o noroeste e provavelmente em todo o país”, disse Ray.

A árvore é bem conhecida entre os especialistas em maçãs, que estão interessados em preservar e estudar tipos antigos de maçãs plantadas originalmente pelos primeiros colonizadores dos EUA.

"Quando alguém fala da macieira mais antiga do noroeste, todo mundo sabe que era aquela macieira", disse David Benscoter, um agente aposentado do FBI que agora dirige o "The Lost Apple Project" à CNN.

"Tenho certeza de que as pessoas nunca pensaram que [a macieira] poderia atingir essa idade", disse Benscoter.

A Velha Macieira em imagem de 1940
Foto: Museu Histórico do Condado de Clark

Em 1984, um parque público foi construído ao redor da árvore, e desde então, todo mês de outubro, a cidade realiza um festival para celebrá-la. A edição deste ano foi cancelada devido à pandemia do coronavírus.

No domingo, membros da comunidade de Vancouver realizaram uma homenagem à árvore no Facebook, compartilhando histórias e memórias.

Raízes na história

Diz a lenda que Velha Macieira chegou a Vancouver como uma semente, transportada por um oficial da Marinha britânica.

O tenente da Marinha Real Aemilius Simpson recebeu as sementes em um jantar em Londres antes de partir para o posto avançado de comércio de peles da Hudson's Bay Company, no noroeste do Pacífico.

"Uma jovem que estava lá com ele, enquanto se despedia, colocou algumas sementes de maçã de sua sobremesa no bolso de sua jaqueta e sugeriu que ele as plantasse quando chegasse ao noroeste", disse Brad Richardson, diretor-executivo do Museu Histórico do Condado de Clark.

Depois de chegar a Fort Vancouver, Simpson entregou as sementes ao para seu chefe John McLoughlin, que supervisionou o estabelecimento de pomares e jardins locais para seu sustento.

Notavelmente, porém, a árvore não está localizada dentro do perímetro do pomar histórico do Fort Vancouver, mas a cerca de 800 metros de distância, no que teria sido o alojamento dos trabalhadores do local. 

Acredita-se que a árvore tenha crescido inicialmente no quintal de uma casa onde John Johnson, um tanoeiro britânico, vivia com sua esposa, de acordo com uma história da Velha Macieira escrita pelo arqueólogo do Serviço de Parques Nacionais Robert Cromwell.

Maçãs produzida por macieira descendente da Velha Macieira plantada nos anos 1950 no Museu Histórico do Condado de Clark
Foto: Museu Histórico do Condado de Clark

Mais tarde, o Fort Vancouver tornou-se uma base do Exército dos Estados Unidos, e entre os que o serviram lá estava Ulysses S. Grant – que se tornaria o 18º presidente do país.

Essa não foi a única vez em sua longa vida em que a Velha Macieira teve um contato com a história presidencial.

Richardson disse que em 1934, o presidente Franklin Delano Roosevelt, visitando a área, foi presenteado com uma torta assada com maçãs da árvore. A torta foi preparada pela Sra. Fay Peabody, a "confeiteira oficial de tortas de maçã" de Oregon e Washington, de acordo com as notícias da época.

Uma árvore proveniente de sementes da Velha Macieira foi plantada perto do Museu Histórico do Condado de Clark na década de 1950, de acordo com Richardson.

"Ela dará um monte dessas maçãs verdes todos os anos", disse. "É uma árvore que produz muito prolificamente."

Uma árvore única

As maçãs produzidas pela Velha Macieira foram apelidadas de "English Greenings", uma classificação genérica usada para descrever maçãs europeias, de acordo com Charles Ray.

Uma análise de DNA realizada por especialistas do Projeto Genoma da Maçã da Washington State University (WSU) revelou que a velha macieira é geneticamente única.

"A Velha Macieira não é idêntica a qualquer outra variedade em um conjunto de dados colaborativos em todo o mundo com milhares de perfis de DNA de variedades de maçã", disse Cameron Peace, professor de genética de frutos de árvores da WSU à CNN.

"A velha macieira é, portanto, única. Ela carrega fatores genéticos que não estão presentes em outras árvores ou em cultivos modernos", acrescentou Peace.

Os cientistas conseguiram estabelecer que a velha macieira é, quase certamente, uma neta da francesa Reinette, uma variedade de 500 anos apelidada de "a avó de todas as cultivares de maçã", explicou Peace. 

A Reinette francesa é uma ancestral direta da maioria das variedades modernas de maçãs e também mãe ou avó de muitas variedades antigas.

Pessoas tiram fotos na frente da Velha Macieira durante festival anual organizado em homenagem à árvore
Foto: Andrew Jeffers - 5.out.2013/ Cidade de Vancouver, WA

Um novo começo

Como o tronco da velha macieira foi morrendo com o tempo, vários "sugadores de raiz" – ou novos brotos – começaram a sair de seu sistema radicular.

"Decidimos começar a cultivar esses sugadores de raiz para que, no futuro, tivéssemos uma nova árvore", disse Charles Ray à CNN. “Ainda é o mesmo sistema de raiz, a mesma árvore crescendo naquele local”, acrescentou.

Uma das mudas permanecerá no mesmo local para se tornar a "nova" Velha Macieira ao longo dos anos. Parte do tronco original será removido para permitir mais luz para a nova árvore, mas parte permanecerá no local para se decompor e ilustrar o ciclo de vida das árvores.

"Ainda será chamada de Velha Macieira para garantir que esse legado continue vivo", disse Ray.

As outras mudas serão transplantadas para o pomar histórico de Fort Vancouver, administrado pelo Serviço Nacional de Parques, de acordo com Ray.

Pedaços da velha macieira

Entre as pessoas que compareceram ao festival anual da Velha Macieira, em Vancouver, ao longo dos anos, é provável algumas tenham um pedaço vivo árvore.

Desde 1984, os visitantes do festival recebiam mudas da árvore a cada edição para serem plantadas em seus quintais. Na estimativa de Ray, cerca de 200 mudas seriam doadas a cada ano.

“Com o passar dos anos, as pessoas voltavam e nos contavam histórias, suas memórias da árvore e se suas mudas haviam crescido ou começado a crescer – em todo o Pacífico, em toda a Costa Oeste dos EUA”, disse.

Ray incentiva todos aqueles que têm um pedaço da velha macieira em seu quintal, ou que têm qualquer lembrança para compartilhar sobre a própria Velha Macieira, a participar do programa "Cartas às árvores" da cidade de Vancouver.

Ray acredita que envolver-se com florestas comunitárias e plantar árvores é uma ótima maneira de as pessoas de todo o país fazerem história, “para que em 20 ou 200 anos haja árvores históricas para os outros desfrutarem e histórias para contar."

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