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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Candidatos bolsonaristas na Bahia ainda aguardam apoio do presidente

Candidatos bolsonaristas na Bahia ainda aguardam apoio do presidente

Rodrigo Aguiar
Presidente não declarou apoio a candidatos na Bahia 
 Foto: Alan Santos | PR

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro ainda adota, segundo analistas, uma postura tímida em relação a apoiar candidaturas nas eleições municipais, sobretudo no Nordeste, postulantes a prefeito nos principais colégios eleitorais baianos tentam colar a imagem à do chefe do Palácio do Planalto.

Em Salvador, o vereador Cezar Leite (PRTB), ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), se apresenta como único postulante "conservador, de direita e fechado com Bolsonaro". Eleito em 2016 pelo PSDB para a Câmara Municipal, Cezar foi uma das principais lideranças de movimentos de rua que defenderam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Este ano, se filiou ao partido do vice-presidente Hamilton Mourão. Com a saída de Sérgio Moro do governo, abandonou os elogios ao ex-ministro e abraçou totalmente o bolsonarismo.

Na vizinha Lauro de Freitas, Mauro Cardim (PTB), secretário na gestão de Moema Gramacho (PT) por um ano e meio, diz agora querer "construir uma base da direita" no município. Ex-filiado ao PP, partido da base do governo Rui Costa (PT), o candidato a prefeito afirma, entretanto, que fazia parte "da ala que apoia" o governo federal. O objetivo de sua candidatura, acrescenta, é combater um "consórcio do mal" formado por DEM e PT que tenta "derrubar o presidente". "Fechando o comércio, mandando você ficar em casa. Acredito que a população silenciosa vai dar a resposta nas urnas", diz.

Também apoiador de Bolsonaro, o vereador David Salomão (PRTB), candidato a prefeito em Vitória da Conquista, diz que o presidente deveria se posicionar nas eleições municipais. "Nessa hora, é preciso o grupo estar coeso, e não deixar cada um largado à própria sorte. Tenho certeza que ele vai olhar caso a caso. Deve estar com um pouco de receio da traição na Bahia, mas o justo não pode pagar pelo pecador, e tenho certeza que ele vai corrigir esse equívoco até a data das eleições", afirma.

A "traição" referida por Salomão é o rompimento da deputada federal Dayane Pimentel (PSL) com o presidente. Eleita em 2018 como a candidata de Bolsonaro na Bahia, a parlamentar tem criticado o mandatário desde o racha do PSL, que culminou na saída do presidente da legenda. Já durante a pandemia do novo coronavírus, a parlamentar, que disputa a prefeitura de Feira de Santana, escreveu no Twitter: "Apoiei Bolsonaro porque queria ordem. No que deu? Baderna e segregação. Apoiei porque queria progresso. O que deu? Brigas e discussões inúteis. Apoiei porque queria dignidade. O que temos? Um Presidente desprovido de humanidade. Bolsonaro não passa de um agitador, populista e aproveitador da fé".

Salomão foi filiado ao PCdoB até 2012, mas diz que sempre defendeu "Deus, pátria e família". "Eu entrei lá [no PCdoB] como cavalo de Troia. Eles tentavam me boicotar porque eu não coadunava com as ideias do partido", afirma.

Para o cientista político Cláudio André de Souza, a influência de Bolsonaro no pleito municipal é limitada, seja pelas características próprias da eleição ou mesmo pela falta de um agrupamento das candidaturas bolsonaristas. "A definição do voto para vereador tem esse caráter mais territorial, e para prefeito é possível perceber que Bolsonaro não tem sido muito efetivo, por não ter um partido e uma base coesa", opina.

Cláudio André acredita ainda que Bolsonaro tem adotado cautela para não causar problemas ao próprio governo. Ele dá como exemplo o caso de Salvador, onde Bruno Reis (DEM) é apoiado por ACM Neto, presidente do Democratas, sigla dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. "Embora o presidente seja imprevisível, me parece que ele não quer se envolver diretamente para não provocar um racha e afetar sua governabilidade", afirma. Além disso, Salvador é a capital na qual Bolsonaro tem sua pior avaliação, segundo recente pesquisa Ibope.

Para o cientista político, duas cidades baianas podem atrair a atenção do presidente em um eventual segundo turno: Feira de Santana e Vitória da Conquista. Segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do estado, os municípios têm algo em comum: a possibilidade de um segundo turno entre os atuais prefeitos contra candidatos do PT.

O professor de Ciência Política da Ufba Jorge Almeida acredita que um eventual apoio de Bolsonaro pode ser mais efetivo do ponto de vista eleitoral para candidatos a vereador. "As candidaturas de vereadores dependem muito da base. Se for uma campanha bem feita, vai ocupar o espaço do bolsonarismo. Agora, se isso será suficiente para eleger, é preciso uma análise mais individual", diz.

Almeida também pontua que houve um "recolhimento tático" de Bolsonaro, ainda mais depois de fracassar o plano de criar já para a disputa eleitoral deste ano o seu partido, o Aliança pelo Brasil. "Ele precisava de um partido que agrupasse esses setores mais radicais. Esse projeto fracassou e as candidaturas bolsonaristas ficaram espalhadas", afirma.

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