RADIO WEB JUAZEIRO : Três semanas após descartar vacina chinesa, Bolsonaro admite que governo federal pode comprar doses da CoronaVac
sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Três semanas após descartar vacina chinesa, Bolsonaro admite que governo federal pode comprar doses da CoronaVac

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Adriano Machado / Reuters

Extra

Em sua live semanal no Facebook, na noite desta quinta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro admitiu que o Brasil pode comprar doses da vacina CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac. A declaração ocorreu três semanas depois de ele desautorizar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mandando cancelar um protocolo de intenções para aquisição do imunizante e dizendo que o governo federal não compraria o imunizante desenvolvido no país asiático nem se, após todos os testes, a fórmula obtivesse regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Primeiro, Bolsonaro questionou a opção pela vacina e não por remédios que tratem a Covid-19: “A vacina parece que tem alguma coisa esquisita aparecendo por aí... Não vou falar aqui para evitar polêmica, falar que eu estou politizando a questão da vacina”. Em seguida, durante a transmissão pelo Facebook, depois de dizer que a CoronaVac “é da China”, o presidente afirmou que a decisão sobre a vacina no Brasil será do Ministério da Saúde e da Anvisa, responsável pela certificação, e fez insinuações contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sem citá-lo diretamente, e sobre o preço cobrado pelo imunizante. A CoronaVac será produzida no país pelo Instituto Butantan, órgão ligado ao governo paulista.

“Da minha parte, havendo a vacina comprovada pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, a gente vai fazer uma compra, mas não é comprar no preço que um cabloco aí quer. Tá muito preocupado um caboclo aí que quer que essa vacina seja comprada a toque de caixa. Não é assim não. Nós vamos querer a planilha de custo”, afirmou Bolsonaro, que prosseguiu: “É igual armamento, quando se fabrica o armamento em qualquer país do mundo, o país que quer comprar fala o seguinte: ‘O seu Exército tá usando esse armamento? Se tá usando, é sinal que ele é bom, vamos usar aqui também. Então vamos comprar isso aí’. Então é coisa simples. E, no que depender de mim também, a vacina não será obrigatória. No que depender de mim”.

A CoronaVac esteve no centro de mais uma polêmica esta semana, ao ter os testes paralisados pela Anvisa na noite de segunda-feira após a morte de um voluntário que participou dos testes da vacina em São Paulo. Depois que foi comprovado que o óbito não tinha relação com o imunizante — ele sofreu intoxicação por agentes químicos, o caso é tratado como suicídio —, a agência autorizou a retomada da pesquisa, que ficou suspensa menos de 48 horas. Especialistas se dividiram sobre a decisão da agência porque ela comunicou a suspensão sem antes entrar em contato com o Butantan para saber mais detalhes do evento adverso grave que havia ocorrido.

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