RADIO WEB JUAZEIRO : Grupo que quis enganar governos para vender vacinas usou documentos amadores
sexta-feira, 26 de março de 2021

Grupo que quis enganar governos para vender vacinas usou documentos amadores

Segundo a PF, empresário se valeu de contrato falso com AstraZeneca para tentar emplacar venda; erros de português foram identificados
Redação

Imagem: Divulgação/AstraZeneca

O empresário Christian Faria que tentou vender 250 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 para o Ministério da Saúde se valeu de contrato falso de exclusividade com a AstraZeneca, que inclusive estava cheio de erros de português e de problemas na formatação dos documentos. No contrato, foi utilizada uma linguagem informal e acrescentada informações sobre o contexto político do Brasil, algo incomum em negociações como esta.

Segundo a Polícia Federal, que deflagrou operação para apurar o caso na quinta-feira (25), o empresário conseguiu uma reunião no Ministério da Saúde após troca de emails, em janeiro, com o secretário-executivo de Saúde, Élcio Franco, que agendou o encontro para fevereiro.

Nos documentos apresentados por Christian Faria, até o nome do então ministro, Eduardo Pazuello, estava escrito com erro. Ao invés de Pazuello, constava Pazuelo, conforme informações da coluna Painel, da Folha. Depois de checar com a AstraZeneca que o contrato de exclusividade com a suposta empresa não existia, o ministério enviou o caso para a polícia.

Faria escreve em um deles que o modo de operação do Ministério da Saúde “faz o presidente levar porrada das pessoas que não entendem” e que “a mídia coloca os desavisados como se fosse o presidente que não quer comprar a vacina (sic)”. Além do governo federal, o grupo buscou governadores e prefeitos.

De acordo com a PF, há duas possibilidades: ou a vacina a ser vendida não era da AstraZeneca, sendo uma possível substância falsificada, ou o produto sequer existia. Em um dos endereços vasculhados na ação, os policiais encontraram caixas com centenas de frascos, o que reforça as suspeitas de falsificação de medicamento.

Seguindo o Código Penal, os crimes investigados pela Polícia Federal nesta ação são: estelionato, falsificação de documento particular, bem como de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

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