RADIO WEB JUAZEIRO : Mais um herdeiro de ACM
sexta-feira, 12 de março de 2021

Mais um herdeiro de ACM

Vicente Vilardaga
© Divulgação FAVAS CONTADAS
 Luiz Antônio, o Tota, aguarda o teste de DNA para confirmar sua filiação

O político e empresário baiano Antônio Carlos Magalhães, conhecido como ACM, foi um dos homens mais poderosos e temidos de seu tempo. Paparicado pela ditadura, governou a Bahia três vezes, duas como biônico dos militares pela Arena e depois sendo eleito pelo PFL, em 1989. Mais tarde, como senador, mandava e desmandava no estado, foi apelidado de “Toninho Malvadeza” e era muito influente no debate nacional. Quando morreu, em 2007, havia amealhado uma grande fortuna pessoal e deixou um espólio avaliado em R$ 500 milhões, que incluía imóveis no Rio de Janeiro e na Bahia, obras de arte (ele era dono de uma das principais coleções de obras sacras do País) e grandes lotes de ações de empresas como Petrobras e Vale. Seu inventário corre há 13 anos na Justiça e teve vários acidentes de percurso. O último e mais impressionante é o pedido de teste de DNA e reconhecimento de paternidade de ACM feito pelo empresário Luiz Antônio Flecha de Lima, o Tota, de 45 anos, na 14a Vara da Família em Salvador. Tota é filho do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, atualmente com graves problemas de saúde, e da embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, falecida em 2017. Agora, ele quer que sua certidão de nascimento inclua o nome do senador baiano como pai biológico e o direito à herança.

© Gustavo Miranda ROMANCE
 Amiga de Lady Di, Lucia teve um relacionamento afetivo com o senador em 1974


A ação foi aberta em 2019 e o teste de DNA, que será feito com o primogênito do senador, ACM Júnior, teve que ser adiado por causa da pandemia

A ação foi aberta em 2019 e o teste de DNA, que seria feito com o primogênito de ACM, Antônio Carlos Magalhães Júnior, inventariante do espólio, teve que ser adiado por causa da pandemia e só deverá ser realizado depois das vacinações. Mas o resultado é favas contadas. Além da semelhança física, em família a paternidade sempre foi dada como certa. ACM teve um cuidado especial com Tota desde o seu nascimento e a embaixatriz, como uma de suas últimas vontades, admitiu o fato para o filho. No pedido de reconhecimento de paternidade consta que Lúcia teve um relacionamento afetivo com ACM em 1974 e, como era casada com Paulo Tarso, decidiu registrar, um ano depois, o menino como filho do casal. O próprio senador, antes de morrer, revelou para Tota que era seu pai biológico. Lúcia se tornou muito conhecida pelo público por ter sido melhor amiga e confidente de Lady Di, nos tempos em que seu marido era embaixador em Londres. Paulo de Tarso foi um dos diplomatas brasileiros mais destacados no século 20, e comandou outras embaixadas estratégicas, como Washington e Roma.

© Fornecido por IstoÉ LAÇOS
 Paulo Tarso, considerado um dos mais importantes diplomatas brasileiros no século XX, era amigo fraterno de ACM

Rede Bahia

Ao longo de sua vida pública, ACM, além de protagonizar o debate político no Brasil, construiu um império de comunicação, a Rede Bahia, que reunia sete emissoras de televisão, todas retransmissoras da TV Globo, três de rádio, um jornal e várias outras empresas, entre elas a Construtora Santa Helena. Também mantinha relações umbilicais com a empreiteira OAS, controlada pelo seu genro, o empresário César Mata Pires. A participação na Rede Brasil não aparece no espólio de ACM, mas durante os primeiros anos do inventário dos seus bens, os interesses familiares no grupo causaram muitos conflitos e rompimentos. Somente em 2013, Mata Pires chegou a um acordo com os irmãos de sua mulher, a filha mais velha de ACM, Tereza. O casal acabou renunciando aos direitos de Tereza na herança de R$ 500 milhões em troca de ajustes nas participações acionárias nas empresas. Essa decisão acabou abrindo caminho para a venda da participação de 30% que Mata Pires tinha na Rede Bahia para a EPTV, da família paulista Coutinho Nogueira. Além do inventariante ACM Júnior e de Tereza, os filhos do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães, morto em 1998, têm direito à herança do senador. Agora, tudo indica, Tota também deve participar da divisão da fortuna deixada por ACM.

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