RADIO WEB JUAZEIRO : Covid-19: imunização reduz o risco de desenvolver doença grave, mas não elimina essa possibilidade
segunda-feira, 19 de abril de 2021

Covid-19: imunização reduz o risco de desenvolver doença grave, mas não elimina essa possibilidade

Jane Fernandes

A morte do cantor Agnaldo Timóteo, internado com Covid-19 após receber a segunda dose da vacina, gerou uma nova onda de interrogações


A morte do cantor Agnaldo Timóteo, internado com Covid-19 dois dias após receber a segunda dose da vacina, gerou uma nova onda de interrogações sobre a proteção oferecida pelas vacinas e a necessidade de manter os cuidados preventivos preconizados desde o início da pandemia. Especialistas apontam que a imunização sempre reduz os riscos, especialmente de agravamento da doença, mas não elimina totalmente essa possibilidade.

Aparentemente, Agnaldo Timóteo contraiu o vírus entre a primeira e a segunda dose a vacina, quando ainda não havia completado o esquema de imunização, passo indispensável para alcançar a proteção integral. A doutora em imunologia e pesquisadora da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) Fernanda Grassi ressalta que uma única dose não é suficiente para estimular o sistema imune a produzir anticorpos e a resposta celular necessária para prevenir a infecção.

“Mesmo quando a gente toma a segunda dose, a resposta individual vai ser variável, por isso que é importante fazer essa vacinação maciça. Vacinar o maior número de pessoas possível e o mais rápido possível, para ter o benefício dessa imunidade coletiva”, esclarece Fernanda.

A pesquisadora enfatiza que vacinação é estratégia comunitária, pois, embora tenha sua eficácia individual, pode acontecer de a pessoa vacinada não ficar protegida. “No caso da vacina da hepatite B tem 1% que não responde”, exemplifica. “O que a gente busca com a vacina é diminuir a circulação de um patógeno. Dessa maneira a gente consegue, inclusive, proteger esses indivíduos que não responderão individualmente”, acrescenta.

“Em qualquer vacina, não só da Covid, se você não toma o número de doses que tem no esquema vacinal você não está imunizado”, reforça a consultora técnica em imunização Nilda Ivo, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) na Bahia. Ela esclarece que vacinar e imunizar são coisas diferentes, pois a imunidade protetora, no caso da Covid, só ocorrerá 14 dias após a pessoa tomar a segunda dose, tempo necessário para que a resposta imune ocorra.

Nilda alerta que mesmo 14 dias após completar o esquema vacinal contra a Covid-19, as pessoas vacinadas precisam continuar usando máscara, adotando distanciamento social e mantendo todos os cuidados de higienização. Como não é possível garantir que a pessoa vacinada não possa contrair o vírus, enquanto não houver imunidade coletiva e ele se mantiver em circulação, as medidas de prevenção serão indispensáveis para todos.

Testagem

Diante da incerteza individual quanto ao desenvolvimento de uma resposta imune à vacina, há quem pense em realizar testes para verificar a presença de anticorpos no sangue, mas Nilda conta que não existem parâmetros definidos ainda para realizar esses exames. “Isso está sendo discutido, tem estudos sendo realizados e acredito que até o final deste semestre teremos um estudo mais apurado sobre essa questão”, conta a representante da SBIm.

A pesquisadora Fernanda Grassi explica que a resposta imune estimulada por vacina é complexa. “A ausência de anticorpos não quer dizer que você não desenvolveu uma resposta protetora contra o vírus”, ressalta. Ela lembra do papel dos linfócitos T, especialmente para evitar quadros graves em infecções virais, e esclarece que esses componentes exigem testes especiais para sua medição.

Para Fernanda, mais importante do que se fixar em eficácia geral das vacinas, dado pouco observado pela população antes da pandemia, é saber que todas elas se mostraram capazes de prevenir o desenvolvimento de quadros graves. Dessa forma, ela vê como fundamental que todos tomem a vacina disponível quando chegar o seu momento e busquem a segunda dose dentro do prazo estabelecido.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS), até a última sexta-feira, cerca de 6,9 mil pessoas estavam atrasadas para completar o seu esquema vacinal. Por meio de nota, a SMS afirmou que “intensificou a convocação desse público por meio da divulgação na impressa e canais oficiais de comunicação da pasta, além de enviar mensagens de texto para o celular dos faltantes, reiterando a importância de completar o esquema vacinal”.

“É importante que mesmo estando um pouso atrasadas, as pessoas busquem tomar a segunda dose”, defende a pesquisadora. Ela lembra que esses prazos são avaliados em estudos, então devem ser seguidos, mas que o efeito não será perdido se por algum motivo ocorrer atraso. Fernanda aproveita para esclarecer que quem contraiu Covid-19 após a primeira dose deve completar a vacinação 30 dias após se recuperar da doença.

COORDENADA

A fisioterapeuta e professora Suely Póvoas Machado, 65 anos, teve Covid-19 cerca de 40 dias após tomar a primeira dose da vacina Oxford/Astrazeneca. Paciente oncológica em tratamento de hormonioterapia, ela sempre buscou o mínimo de exposição ao risco de contágio com o coronavírus, mas precisou viajar para resolver uma urgência familiar.

Suely viajou de carro, mas teve de retornar de avião, onde ela acredita ter se contaminado, pois os primeiros sintomas surgiram três dias após o desembarque. O diagnóstico foi dado dia 22 de março e ela atravessou o curso da doença sem complicações, isolada em casa e monitorando a temperatura, a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a saturação, que oscilava entre 99% e 95%.

Embora recuperada da Covid-19, a fisioterapeuta ainda alterna o grau de disposição para as atividades físicas e cursos que faz em casa. O contágio após a dose inicial não afetou a confiança dela na vacina, que é ministrada em duas doses com cerca de três meses de intervalo. No dia 6 de maio, data marcada quando tomou a primeira dose, ela estará completando o esquema vacinal.

O empresário Lenir Silveira, 77, suspeitou que pudesse ter contraído o coronavírus após uma pessoa próxima ser diagnosticada com a doença, mas fez um teste e confirmou que não foi contaminado. Na época, final de 2020, a vacinação nem tinha sido iniciada no Brasil, mas no último dia 7 ele tomou a segunda dose da Coronavac.

Lenir diz não ter recebido nenhuma instrução no posto sobre o tempo para a vacina fazer efeito, mas como busca se manter informado, está ciente de que a resposta imune ainda está acontecendo. Ele também sabe que todos os cuidados precisam ser mantidos mesmo após esse período e afirma que fará exatamente assim.

O empresário nunca teve dúvidas sobre a importância de se vacinar, mas conta que tem vizinhos negacionistas, com os quais procura conversar sobre o tema. “Mas não sei se vão aceitar meu conselho”, pondera.

Tira-dúvidas da Opas

- A vacina me protege contra a Covid-19?

Sim. As vacinas contra a Covid-19 protegem você da doença grave ao ensinar seu corpo como lutar contra o vírus.

- Qual vacina devo tomar? Qual delas é melhor?

A Opas incentiva as pessoas a tomarem qualquer vacina contra a Covid-19 que lhes seja oferecida pela autoridade nacional de saúde, assim que chegar sua vez na fila.

- É melhor pegar a Covid-19 naturalmente do que tomar uma vacina?

Não. As vacinas conferem imunidade sem os efeitos nocivos que a Covid-19 pode ter no organismo (inclusive efeitos a longo prazo e risco de morte). Permitir que a doença se espalhe até que a imunidade coletiva (ou de rebanho) seja alcançada causaria milhões de mortes e forçaria ainda mais pessoas a viverem com os efeitos do vírus a longo prazo.

- A vacinação contra a Covid-19 será necessária todos os anos?

Até o momento, as pesquisas para determinar a duração da imunidade (proteção) conferida pelas vacinas contra a Covid-19 atualmente disponíveis seguem em andamento. Além disso, a proteção das vacinas contra as novas variantes do Sars-CoV-2 continua a ser objeto de estudo.

Fonte: Site da Organização Pan-Americana da Saúde

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE