RADIO WEB JUAZEIRO : Agorafobia: pandemia pode piorar transtorno que faz pessoas terem medo de sair de casa
terça-feira, 1 de junho de 2021

Agorafobia: pandemia pode piorar transtorno que faz pessoas terem medo de sair de casa

Gabriel Andrade

No filme "A mulher na Janela", a personagem desenvolve agorafobia após um acidente com a família 
 Foto: Divulgação | Netflix

No suspense "A Mulher da Janela", que estreou em maio deste ano, a personagem principal Anna não sai da sua mansão após um trauma com sua família. O filme chamou a atenção para um transtorno que não é tão conhecida do grande público, porém mais comum do que se imagina: agorafobia.

A agorafobia é um medo de lugares e situações que possam causar pânico, impotência ou constrangimento. Para a psicóloga e professora da Rede UniFTC, Isadora Fernandes, a pandemia pode piorar a situação de pessoas com agorafobia.

"Para o tratamento da agorafobia a exposição é necessária, é dessa forma que a pessoa vai começando a perceber que aquela exposição não vai causar tudo que ela pensa. Então durante a pandemia, que as pessoas não podem sair de casa, a pessoa acaba aumentando esse medo ou impedindo esse tratamento", explica.

"É normal, que a situação que estamos vivendo atualmente, cause alguns gatilhos", completa a especialista. A pessoa pode ter desenvolvido a agorafobia após passar por uma situação difícil ou já ter ansiedade e ir se intensificando. No caso do filme, a personagem parou de sair de casa após sofrer um acidente de carro com sua família, mas na vida real situações menos graves também podem desencadear a agorafobia.
Além de psicóloga, Isadora também é professora da Rede UniFTC | Foto:Reprodução | Acervo Pessoal

"A agorafobia pode ser leve, moderada ou grave, então a pessoa pode ter de forma leve, não gostava muito de sair, se sentia sempre insegura, e os sintomas foram se agravando, com maior medo de sair de casa e até o estado mais grave, realmente não saindo de casa", explica.

Entre os sintomas estão a ansiedade súbita, medo intenso, ansiedade diante da possibilidade de estar em um ambiente "ameaçador", medo de ficar em lugares fechados ou abertos com muitas pessoas, como ônibus, avião, parques e shoppings.

Tratamento

Estima-se que a agorafobia atinja pelo menos 150 mil brasileiros todos os anos e para o diagnóstico é preciso apresentar pelo menos dois sintomas por pelo menos seis meses. Alguns profissionais acreditam em "cura", entretanto o mais usual é falar em controle.

Entre os tratamentos estão a dessensibilização sistemática, expondo a pessoa aos poucos. "Por exemplo, se a pessoa não consegue sair de casa, ir aos poucos, tentando fazer ela abrir a porta de casa, ficar uns minutos, depois ir para o passeio... indo aos poucos", conta.

"Existe também o biofeedback, utilizando tecnologias como óculos de realidade virtual, fazendo a pessoa, dentro de casa, ser exposta de forma monitorada. A gente vai monitorando a medida que vai expondo a situações da vida real", conta.

Além das duas primeiras, Isadora cita a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC). "A pessoa com agorafobia se questiona muito, pensa muito 'e se', e a gente na TCC começa a questionar esses pensamentos, 'quantas vezes você já saiu na rua e não aconteceu nada?', mostrando outras maneiras de pensar", explica a psicóloga.

ONDE BUSCAR ATENDIMENTO PROFISSIONAL

Se achar que está enfrentando os sintomas da agorafobia, mas não tem plano de saúde ou não pode pagar uma consulta particular, existem alguns locais que oferecem o serviço gratuitamente, ou a um valor simbólico, em Salvador. Confira:

O Lar Harmonia oferece psicoterapia individual e em grupo familiar, sem cobrar nada, a pessoas de baixa renda, residentes na região metropolitana de Salvador e Lauro de Freitas. Os contatos são (71) 3038-7368 ou 3285-0777 (ramal 119). Fica na Rua Deputado Paulo Jackson, número 560, em Piatã.

O Serviço de Psicologia da Universidade Federal da Bahia oferece psicoterapia gratuita ou a um valor simbólico. Os interessados em atendimento devem ligar para marcar uma entrevista, de acordo com a disponibilidade de vaga na agenda. Os contatos são (71) 3235-4589 e 98522-8306. Fica no Campus São Lázaro, situado na Rua Aristides Novis, número 197, Federação.

A Sessão Clínica do Serviço de Psicologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública oferece atendimento psicológico gratuito ou a preços populares. O contato para agendamento é o (71) 3276-8259. Fica na Avenida Dom João VI, número 275, em Brotas.

O Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) oferece atendimento a crianças, adolescentes e adultos no Instituto de Saúde. O contato para mais informações é o (71) 3206-8489 e a pessoa também pode buscar informações presencialmente. Fica no Campus Paralela, situado na Avenida Luís Viana, número 6775, no bairro da Paralela.

O Serviço Escola de Psicologia Stella de Faro, do Centro Universitário UNISBA (FSBA), oferece atendimento individual e em grupo a todas as idades. O contato pode ser feito por telefone, através do (71) 4009-2937, ou presencialmente. Fica na Rua Senta Púa, número 191, Ondina.

O Serviço de Psicologia da UniFTC oferece atendimento com taxa a combinar com o paciente, podendo ser gratuita. O contato é o (71) 3281-8073. Fica na Avenida Luís Viana Filho, número 8812, Paralela, sala 311, módulo 2, nível 3.

A Clínica Escola de Psicologia da Unime oferece atendimento psicológico individual, grupos terapêuticos, orientação para pais e profissional. O contato é o (71) 3879-9155. Fica no Campus II da Unime de Salvador, na Rua Jairo Simões, número 3172, 5º andar, Imbuí.

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