RADIO WEB JUAZEIRO : Comissão de Defesa dos Animais da OAB vai pedir afastamento de policial que matou cadela em frente aos donos
quarta-feira, 21 de julho de 2021

Comissão de Defesa dos Animais da OAB vai pedir afastamento de policial que matou cadela em frente aos donos

A cadela Malu, morta com tiro disparado por policial 
Foto: Reprodução

Paolla Serra e Rafael Nascimento de Souza

A Comissão de Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai pedir que a Polícia Civil afaste o agente Ney Côrtes da Silva — lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e acusado de matar uma cadela de sete meses na tarde dessa segunda-feira na frente de seus donos — de suas funções até que o inquérito seja concluído e enviado à Justiça. O agente da Core afirmou que atirou no animal após temer ser mordido. A cadelinha, de nome Malu, estava com os donos durante um treino circense. Em entrevista ao EXTRA, os namorados, o artista circense colombiano Fabian Sanchez, de 22 anos, e a malabarista Mayumi Boletlho Bataches Rodriguez, de 21, negaram que tenha havido um motivo para que o agente matasse a cadelinha.

— Estávamos treinando no Rio Comprido e descemos para almoçar na Praça da Bandeira. Depois, viemos treinar. Colocamos as mochilas e logo ele (o policial) veio gritando “E aí, seu maconheiros, vocês não podem ficar aí”. Ele já veio correndo com a pistola, apontando para nós e os cachorros. Os cachorros, a Malu e a Tormenta, latiram para ele de longe. Em seguida, ele deu uma coronhada na Tormenta e atirou na Malu. Ele mesmo disse que iria atirar. E atirou. Nem falou nada. Foi tudo muito frio. Foi quase um minuto de dor e sofrimento — relata Sanchez.

Além de solicitar o afastamento do agente de suas funções, a OAB vai pedir "uma série de medidas" contra o agente junto à Corregedoria Interna da Polícia Civil. A instituição garante que está apurando o caso com “rigor”.

Nesta quarta-feira, o presidente da Comissão de Defesa dos Animais da OAB-Rio, Reinaldo Veloso, irá até a sede da 18ª DP (Praça da Bandeira) conversar com o delegado Moysés Santana. Veloso afirmou que “um ser humano desses não pode ter porte e posse de arma de fogo” e que, por isso, o órgão vai pedir que ele seja impedido de continuar portando armamento.

— Vamos exigir que sejam apurados todos os fatos. Além disso, vamos pedir à autoridade policial que ele (o autor) seja impedido de portar arma de fogo durante todo o processo. Vamos pedir acesso ao autos e, no final, seremos assistentes de acusação. O que aconteceu foi um crime ambiental. Ele disse que foi atacado, certo? Então, ele terá que provar que o animal avançou sobre ele — disse Veloso.

Informado pelo GLOBO de que testemunhas relataram que o agente teria disparado mais de uma vez, Veloso afirmou que “se o agente deu mais de um tiro, ele não agiu de forma culposa e sim dolosa (quando existe uma intenção de matar)”.

— Se foi mais de um tiro, ele teve a intenção de matar e não de se defender. Ele matou um ser vivo. Então, queremos que ele seja indiciado. Um ser humano desses não pode ficar com armas. Foi um crime covarde e não pode ficar impune.

Já o presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal de Vereadores, Luiz Ramos filho (PMN), informou que vai acompanhar as investigações e que também vai solicitar medidas duras contra o policial.

— Mais uma covardia contra um pobre animal. Vamos acompanhar esse caso de perto. Precisamos entender por que o policial não foi preso em flagrante, com base na lei dos maus-tratos. Vamos cobrar das autoridades policiais rigor na apuração dos fatos. Uma covardia dupla, praticada por um homem armado e contra um ser que não pode se defender — disse o vereador.

O EXTRA tentou contato com a defesa do policial, sem sucesso.

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