RADIO WEB JUAZEIRO : Cientistas encontram cérebro de caranguejo-ferradura de 310 milhões de anos

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Cientistas encontram cérebro de caranguejo-ferradura de 310 milhões de anos

Luisa Costa

Vestígios como ossos, dentes e conchas de animais podem ser preservados em fósseis por milhões de anos. Já os tecidos moles, como os órgãos internos, são mais delicados e propensos à deterioração rápida, então é raro que sobrevivam para contar a história. Por isso, a descoberta recente de um cérebro de 310 milhões de anos em Illinois, nos Estados Unidos, animou os cientistas.
© Russell Bicknell/Reprodução Cérebro de caranguejo permaneceu intacto em fóssil de 310 milhões de anos

O cérebro pertenceu a um caranguejo-ferradura – que, apesar do nome, é uma espécie mais próxima das aranhas e dos escorpiões do que dos caranguejos em si. É o primeiro cérebro fossilizado já encontrado da espécie. A descoberta foi feita no depósito Mazon Creek, um local conhecido por abrigar registros geológicos do Período Carbonífero (de 360 a 290 milhões de anos atrás).

Como há poucos registros fósseis de tecidos moles de animais, os cientistas não sabem muito sobre a evolução e a própria fossilização desses tecidos. A nova descoberta, descrita em um estudo na revista Geology, preenche algumas das lacunas de conhecimento.

A preservação de tecidos moles precisa de condições especiais. Segundo Russel Bicknell, paleontologista da University of New England (UNE) e autor principal do estudo, boa parte do conhecimento sobre cérebros de artrópodes pré-históricos vem de fósseis preservados em âmbar. Os mais antigos datam de 230 milhões de anos atrás.

O cérebro do caranguejo-ferradura indica um modo de conservação diferente. O mineral siderita se acumulou ao redor do corpo do artrópode antes que os tecidos moles internos pudessem se decompor. Após a decomposição, um outro mineral de cor branca, chamado caulinita, ocupou o vazio deixado pelo cérebro, como se preenchesse um molde. “Sem este notável mineral branco, talvez nunca tivéssemos localizado o cérebro”, afirma John Paterson, paleontologista da UNE e co-autor do estudo.

A descoberta revelou outra coisa importante: o sistema nervoso central dos caranguejos-ferradura praticamente não sofreu alterações ao longo da evolução da espécie. “Tivemos um raro vislumbre do passado pré-histórico, o que nos permitiu aprofundar nossa compreensão da biologia e da evolução desses animais extintos há muito tempo”, afirma Paterson. Agora, os pesquisadores esperam encontrar mais exemplos de cérebros antigos bem preservados em outros fósseis do depósito de Mazon Creek.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE