RADIO WEB JUAZEIRO : Crise energética força aumento da vazão na Barragem de Sobradinho

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Crise energética força aumento da vazão na Barragem de Sobradinho

Miriam Hermes

Marcello Casal Jr. / Agência Brasil Segundo a Agência Nacional de Águas, Sobradinho registra 48,48% do volume útil |
 Foto: Marcello Casal Jr. | Agência Brasil

A crise hídrica que afeta outros estados brasileiros com reflexo na capacidade da produção de energia elétrica no país motivou o aumento da vazão de 1.000 m³/s para 1.300 m³/s no lago de Sobradinho, para gerar mais energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN), bem como manter o nível do reservatório de Itaparica.

Localizada no extremo norte da Bahia, Sobradinho estava na segunda-feira, 30, com 48,48% do volume útil. Os números da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que no mesmo período em 2020 o reservatório estava com 75,65%, e em 2019 tinha 41,18%. Os dados apontam que o pior ano foi em 2017, quando no final de agosto tinha 7,86% da capacidade.

De acordo com carta circular da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), o aumento da vazão para otimizar a produção de energia atende ao sistema coordenado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

No mesmo documento os ribeirinhos são orientados a não ocupar a área da calha do rio, considerando que pode acontecer de as hidrelétricas de Sobradinho e Xingó terem a necessidade de gerar energia em condições emergenciais.

“Fico triste em saber que estão priorizando a produção de energia”, afirmou o produtor rural de Sento Sé, Moisés Abreu. Ele pontuou que, como ribeirinho do São Francisco, “espero que não sacrifiquem as lavouras, que são nossa sobrevivência. Anos atrás nós passamos muita dificuldade por aqui com racionamento total”, asseverou.

Conforme o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) da ANA, na segunda, a Bahia tinha um volume de 50,12% acumulado nos seus reservatórios, enquanto que no mesmo período de 2020 este total era de 56,14%.

O diretor de águas do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Eduardo Topázio, a situação de seca no estado segue uma naturalidade cíclica e não tem relação direta com a crise dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, que sofrem uma seca atípica.

Topázio ressaltou ainda que, embora a seca seja um fenômeno natural na região de semiárido, “na comparação de agosto de 2020 e 2021 tivemos mais que o dobro dos focos de calor detectados na Bahia este ano”.

Sem chuvas

Ele complementou afirmando que até final de outubro não existe previsão de chuvas substanciais nestas regiões. Até lá a previsão é que todos os reservatórios tenham redução do nível da água e a recomendação é que usuários utilizem o

recurso com consciência coletiva.

Segundo o diretor do Inema, a maioria dos reservatórios acompanhados pelo órgão têm condições mais tranquilas este ano. Uma exceção é Pedra do Cavalo, barragem usada na geração e energia e cujas águas abastecem parte da região metropolitana de Salvador, que está com 30,38% da sua capacidade.

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