RADIO WEB JUAZEIRO : PM é presa por recusar extrapolar horário para poder amamentar
segunda-feira, 20 de setembro de 2021

PM é presa por recusar extrapolar horário para poder amamentar

“Eu permaneci um ano afastada para trabalhar meu psicológico, e quando eu pensei que algo poderia mudar, eu vi que não”, disse Tatiane Alves

Por Lucas Rocha
Reprodução

Tatiane Alves, soldada da Polícia Militar do Maranhão, revelou em entrevista que foi presa no quartel da PM no dia 5 de setembro por se recusar a extrapolar o horário de serviço. Alves tem um filho de 2 anos e meio e precisava amamentá-lo no horário.

“Ele afirmou que não seria possível a minha liberação, pois todos os outros policiais iriam permanecer até o término do evento. Novamente expliquei para ele que eu não tinha condições físicas de permanecer e ele falou que se eu não continuasse seria presa por desobediência. Expliquei mais uma vez e ele não quis entender a minha situação. Eu tinha que alimentar meu filho e se continuasse poderia desmaiar”, contou Tatiane à TV Difusora.

A agente ficou 24h detida no Presídio da PM em razão da recusa. Após o episódio, ela foi remanejada da segurança do Centro Histórico de São Luís para a Patrulha Maria da Penha. A policial, no entanto, não iniciou os trabalhos porque precisou iniciar tratamento psicológico.

“Essa não foi a primeira vez, já houve outras situações, mas dessa vez eu resolvi abrir para a sociedade entender um pouco o que a gente, da Polícia Militar, passa dentro dos portões”, declarou à jornalista Rosangela Bion de Assis no Portal Desacato.

Segundo Tatiane, o episódio se deu durante uma operação no aniversário de São Luís. “Nesse dia eu estava escalada das 14h às 20h. Durante todo o policiamento, não tivemos nenhum tipo de alimentação, apenas água. Quando deu por volta de 20h05, findando horário de serviço, ficamos sabendo que o serviço seria estendido até o fim do evento que não sabíamos o horário”, disse ao portal.

“Nesse momento eu comuniquei a ele que não tinha condições de continuar no serviço, meu filho já estava ali. Em nenhum momento ele quis me ouvir”, completou. O superior era o tenente Mário Oliveira, que determinou a prisão da PM. A cena da prisão foi gravada por ela e divulgada nas redes.

Ao jornalista Rafael Souza, do Uol, Tatiane disse que não tem mais medo de ser exonerada. “Porque não adianta a gente ficar em um ambiente de trabalho onde você adoece, e eu já adoeci. Eu permaneci um ano afastada para trabalhar meu psicológico, e quando eu pensei que algo poderia mudar, eu vi que não. Não muda. O ambiente militar é complicado, principalmente na polícia”, lamentou.

A Corregedoria da PM disse, em nota, que apura o caso.

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