RADIO WEB JUAZEIRO : Velho Chico, a morte matada que nunca pára de seguir em frente
quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Velho Chico, a morte matada que nunca pára de seguir em frente

Levi Vasconcelos
Nascente do Velho Chico, Minas: as agressões começam lá | Foto: Xando Pereira | Ag. A TARDE

O Rio São Francisco, ou Velho Chico, como os ribeirinhos chamam, completou 520 anos desde que foi avistado e batizado pelos colonizadores europeus, na história do presente vive uma trajetória de mão e contramão.

É festejado por poetas, ribeirinhos e mais quem o conhece, tão belo e multiprestativo é, mas recebe uma contrapartida assassina, uma morte inevitável, não tão lenta assim.

Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) – que abrange uma área de 641 mil quilômetros quadrados da nascente, em Minas Gerais, a desembocadura, entre Sergipe e Alagoas, passando diretamente por 505 municípios –, entre 2019 e 2020 só entre a nascente, na Serra da Canastra, em Minas, e a foz foram desmatados 2.037 hectares.

Sem dó — O Velho Chico tem também cinco usinas hidrelétricas, mas em Minas, onde ele nasce, a indústria do carvão torra a mata. Agregue-se a isso a retirada de água para a transposição e outros projetos de irrigação e o Canal do Sertão, sem falar nos esgotos que recebe nas cidades; simplesmente a morte é questão de tempo.

O senador Otto Alencar chega a propor que nenhum senador nordestino vote com o presidente, seja ele quem for, até que o tal abrace a causa de revitalização do rio, sempre anunciada, nunca cumprida.

— Os governos, todos eles indistintamente, têm sido uma lástima em matéria de desrespeito ao Velho Chico. É algo de pura insensatez.

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